Semana On

Segunda-Feira 08.mar.2021

Ano IX - Nº 433

Coluna

Vingadores 2

Superprodução da Marvel ignora acordo com a Agência Nacional de Cinema.

Postado em 01 de Maio de 2015 - Danilo Custódio

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No dia dez de dezembro do ano passado, a Ilustrada da Folha de São Paulo destacava que a Ancine havia adiado a decisão de impor um limite para a ocupação das salas de cinema por um único filme, em todo território nacional. Manoel Rangel, presidente da Ancine, chegou a afirmar na entrevista para a Folha que “a opinião geral é que adotar um teto para a exibição do mesmo título é uma necessidade”. No dia dezoito de dezembro, o Diário de Pernambuco noticiou que um acordo havia sido firmado e que o mesmo passaria a vigorar em 2015. Naquele momento, o filme da vez era Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, que chegou a ocupar sozinho 46% do parque exibidor brasileiro. Nesse panorama predatório, a Ancine estipulou um teto de 30% para a ocupação de um único filme. Os exibidores concordaram. No Drops da semana passada disse que Os Vingadores 2: A Era de Ultron e Velozes e Furiosos 7 ocupavam juntos 50% do parque exibidor em Campo Grande e mais de 40% em Curitiba. Mas as estatísticas são bem piores, porque só o filme da Marvel estreou em 42% das salas de cinema do país. Ai eu te pergunto: é a gente que não gosta de filme brasileiro ou é o gringo que não deixa a gente assistir?

Link folha

Link Diário de Pernambuco

 

Cinema e racismo

No ano em que nascia estreava Cão Branco, do diretor americano Samuel Fuller. Felizmente para mim, surgiu a oportunidade de vê-lo ontem no cineclube do SESI, realizado pelo Coletivo Atalante aqui em Curitiba. O que encontrei foi uma imensidão de sensações despertadas pelos clichês do horror. Mas depois me dei conta que não era só isso. A pegada documental de Fuller misturada ao cinema de gênero, mesmo que exagerado as vezes, é uma experiência única. Um cão branco que ataca negros é pouco para descrever a profundidade das questões aqui levantadas. O instinto animal. A sexualidade. A natureza humana. Cão Branco é, de fato, um filme profundo. Mas poderia ter ido além, pois como bem pontuou um senhorzinho que ficou para o debate depois da sessão, o filme ignora completamente a morte de seus coadjuvantes dentro de um contexto na qual deveria discuti-las. No entanto, como bem pontuou Miguel, figura que admiro e que é uma autoridade no assunto: “é uma questão de foco narrativo”.

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Cinema brasileiro

Entre Abelhas é a estreia tupiniquim da semana. Trata-se do primeiro longa de ficção de Ian SBF, uma das mentes por trás do Portas dos Fundos. O roteiro foi escrito por ele em parceria com o Fábio Porchat, que também interpreta o personagem principal nessa produção nada modesta, que leva as marcas da MGM, Globo Filmes e Fondo Filmes. O drama conta a história de Bruno, que aos 30 anos, divorciado e morando com a mãe, percebe, depois de tanto tropeçar no ar e esbarrar no que não vê, que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. Pelo que conhecemos do trabalho de Ian e Fábio, umas pitadas de humor negro estão garantidas. Bora ver?

 

Mais cinema brasileiro

Sétima é uma plataforma online que se dedicará à exibição de filmes brasileiros independentes por streaming, num esquema muito semelhante ao Netflix. Infelizmente, ainda não existe uma data definida para seu lançamento, mas eles já começaram a compor um acervo e até 15 de maio estarão selecionando filmes de curta, média e longa duração, de qualquer natureza (incluindo videoarte), realizados em qualquer época e em qualquer suporte. Ficou interessado? Acesse o site oficial e descubra o Sétima.

 

Luta pela educação

Richa, governador do estado do Paraná, tentou votar um projeto na assembleia que o autorizava a meter a mão no fundo de aposentadoria do servidor público estadual. Isso aconteceu logo no início do ano. Os professores se mobilizaram, foram as ruas e invadiram a assembleia, impedindo que tal projeto fosse votado. A sessão adiada aconteceu nessa quarta (29) e, para garantir a vitória de 31 cartas marcadas, o Governador convocou TODO o efetivo militar do estado, sob a justificativa de “proteger” o patrimônio público dos manifestantes. E o bonitão ainda teve coragem de dizer que a culpa pela truculência é dos professores, que partiram pra cima da polícia. Depois de participar da reunião que avaliou os acontecimentos da quarta feira, reunião essa convocada pelo comando de greve da Universidade onde estudo, senti na pele o quanto nosso professor está esmagado, ferido, magoado, desmoralizado. Sinto vergonha desse lugar.

Na Globo
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