Semana On

Quinta-Feira 03.dez.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

A qualidade do que se produz no ciberjornalismo regional

MS é um dos primeiros estados a desenvolver o jornalismo produzido para internet.

Postado em 24 de Abril de 2015 - Gerson Martins

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Este ainda é um tema recorrente no avançado ciberjornalismo regional. Mato Grosso do Sul possui uma situação singular, diferenciada quando se trata de jornalismo na internet. O estado é um dos primeiros a desenvolver o jornalismo produzido para internet e de forma muito acentuada. O crescimento do ciberjornalismo na região, em todo o estado se diferencia porque o surgimento dos cibermeios não esteve e não está atrelado aos grupos de mídia e tampouco às empresas jornalísticas tradicionais. Há muitos cibermeios que surgem, como é o mais comum, nas empresas jornalísticas como mais um aporte do leque de opções para veicular notícias, ou seja, além do jornal impresso há um cibermeio jornalístico, além da emissora de TV há um cibermeio jornalístico, assim como ocorre de forma muito comum em todo mundo. A empresa de comunicação tem TV, rádio, impresso e ciberjornal. Forma-se um grupo de comunicação.

O avanço tecnológico, as facilidades atuais para criar um cibermeio, o desenvolvimento tecnológico acentuado que facilita muito a produção de cibermeios não se traduz na qualidade dos mesmos. Em termos de desenvolvimento tecnológico, a internet coloca a disposição, ou melhor, as tecnologias de internet colocam a disposição inúmeros recursos que facilitam a difusão e a compreensão da informação, neste caso, jornalística. Assim, a tecnologia de internet facilita a produção e publicação de vídeos e áudios, a multimedialidade. Possibilita a integração e uma rede de informações por meio da interatividade e da hipertextualidade, além de outros recursos na produção da imagem, da fotografia dos fatos. Pode-se afirma que é muito fácil, está facilitado criar um cibermeio de notícias. Há centenas deles no estado. Segundo pesquisa da jornalista e mestre em comunicação Fernanda França, Mato Grosso do Sul tem mais de 350 cibermeios jornalísticos!

É preciso urgentemente que os jornalistas envolvidos no processo de produção recebam treinamento, sejam qualificados para o trabalho de produção nos ciberjornais.

De outro lado, o processo de produção está muito aquém do avanço tecnológico. Na maioria dos casos, há um verdadeiro "copiar e colar" informações de outras fontes, sem qualquer citação, sem qualquer respeito de autoria que a ética jornalística exige. E mesmo quando o texto é original, quando a matéria é de produção própria do cibermeio, há um desconhecimento das técnicas e processos do ciberjornalismo que tornam o produto de baixo nível, de péssima qualidade e completamente descartável, sem interesse do leitor mais crítico ou mais observador. O processo de apuração, de redação e de construção de uma, que se pode denominar de cibernotícia, é rudimentar, primário, sem levar em consideração as condições técnicas que podem fazer com a informação tenha maior eficácia entre os leitores.

Outra questão resulta nessa situação. Há um comportamento, mais do que sentimento, de domínio da técnica e do processo. Ou seja, o jornalista acha que sabe fazer ciberjornalismo, o realiza de forma intuitiva e faz o leitor engolir sua mazela na produção da cibernotícia.

Todos perdem com esse comportamento. O jornal perde leitores, perde dinheiro; o jornalismo perde qualidade e as notícias são parciais, sem apuração adequada. É algo semelhante a ler os jornais semanários a cada domingo. Que contribuição efetiva traz para a sociedade, para o jornalismo. Não se surpreenda o leitor a situação grave em que se encontram as finanças das empresas jornalísticas.

É preciso entender que o cibermeio jornalístico é o horizonte do futuro no jornalismo e na sobrevivência das empresas. É preciso investir, urgentemente, na qualidade do ciberjornalismo produzido pela mídia regional. É preciso urgentemente que os jornalistas envolvidos no processo de produção recebam treinamento, sejam qualificados para o trabalho de produção nos ciberjornais. As potencialidades da internet não podem ficar subutilizadas porque os repórteres e jornalistas não dominam as ferramentas que podem implementar e qualificar o ciberjornalismo. As ferramentas disponíveis no ciberjornalismo podem tornar o produto muito atrativo e proporcionar grande retorno para empresas, profissionais e, principalmente, o público leitor.


Voltar


Comente sobre essa publicação...