Semana On

Sábado 14.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Artigo da semana

Pela desmilitarização de todas as militâncias

No regime de injustiça, os fins justificam os meios em vez de qualificar os fins.

Postado em 22 de Abril de 2015 - Fernando Grostein Andrade

 No regime de injustiça, os fins justificam os meios em vez de qualificar os fins. No regime de injustiça, os fins justificam os meios em vez de qualificar os fins.

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Em um set de filmagem, quando as coisas dão errado e o Sol está caindo, uma coisa é certa: não adianta brigar e procurar culpados. É preciso resolver. A dinâmica da disputa PT vs. PSDB tem um efeito colateral perigoso, uma lógica onde tudo que é do outro não presta e tudo o que presta "fui eu quem fez".

O contexto brasileiro, apesar de complexo, tem uma certeza: o Brasil é um país injusto. No regime de injustiça, os fins justificam os meios em vez de qualificar os fins.

Tudo bem, então, não declarar um bem ou participar de um suborno para trabalhar ou economizar? Esse dilema transborda a ponto de impedir o florescimento dos nossos "heróis". No Brasil, parece que se alguém deu certo, trapaceou. Muitos donos de empresa já sofreram achaques de fiscais corruptos. Aqui já teve confisco e seu fiasco e uma ditadura militar pavorosa.

Como não enxergar os reflexos do crime hediondo cometido no Brasil que foi a escravidão dos negros e índios? Basta uma volta em um presídio para registrar a consequência disso nas gerações seguintes.

Em uma sociedade que busca defender a meritocracia, mas não consegue enxergar sua injustiça, como cresce, nasce e adquire um futuro quem não foi cuidado por ninguém, pelo pai, pela mãe ou pelo Estado?

E quantas vezes já não vimos o filme da injustiça no Brasil e isso não é usado para justificar um pequeno delito, como legítima defesa. Quando a dita "legítima defesa" se torna, de fato, bandidagem?

É preciso construir uma resposta inteligente ao abismo entre a sociedade e a política. Mais do que nunca há espaço para novas formas criativas de comunicação.

O mundo de hoje pede líderes e processos focados em resultados práticos para a sociedade. Pede transparência e uma boa auditoria do dinheiro dos seus impostos. Para tanto, é necessário não colocar tudo numa cesta só. O sujeito que anda pelo acostamento num engarrafamento e o que desviou bilhões de reais em dinheiro público não cometeram o mesmo delito.

Nem todos os políticos são iguais. Colocar todos no mesmo balaio só interessa a quem quer conservar o atraso e aumentar o descolamento cada vez maior dos políticos com a sociedade. A maioria está no Congresso por saber usar uma certa estrutura de comunicação e recursos, mas não necessariamente pelos resultados entregues à sociedade.

Os líderes políticos precisam abandonar o discurso de guerra, pois numa guerra a primeira vítima é a verdade e, com a conectividade da internet, existe mais de uma verdade cada dia mais acessível a cada um dos brasileiros.

É necessário um novo pacto nacional. O discurso de guerra precisar dar espaço a posturas de estadistas, como quando Churchill deu a mão a Stálin para combater Hitler.

São necessários pragmatismo e suprapartidarismo em determinadas pautas para corrigir a injustiça no Brasil: desconstrução da cultura da corrupção e construção de um nova cultura de transparência, fim da guerra às drogas combinada com a reabilitação de detentos.

Finalmente, fornecer educação de qualidade acessível a todos os jovens brasileiros e regras justas, duradouras e claras para todos que querem trabalhar e empreender. É preciso construir uma resposta inteligente ao abismo entre a sociedade e a política. Mais do que nunca há espaço para novas formas criativas de comunicação.

Fernando Grostein Andrade - Sócio-fundador da produtora Spray Filmes, é diretor de "Quebrando o Tabu", "Na Quebrada", entre outros filmes


Voltar


Comente sobre essa publicação...