Semana On

Segunda-Feira 12.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Saúde

Primeira vacina contra dengue pode sair em 2015

Pesquisadores de todo o mundo estão na corrida pela imunização da doença.

Postado em 08 de Abril de 2015 - Redação Semana On

A corrida pela primeira vacina contra a dengue pode chegar ao final ainda em 2015. A corrida pela primeira vacina contra a dengue pode chegar ao final ainda em 2015.

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A corrida pela primeira vacina contra a dengue pode chegar ao final ainda em 2015. Por enquanto, ela é liderada pela multinacional francesa Sanofi. A vacina, porém, tem eficácia de apenas 60,8% e precisa ser aplicada em três doses – a empresa não divulga a eficácia da primeira dose se tomada isoladamente.

Uma alternativa nacional, fruto de uma parceria entre o Instituto Butantan, o Hospital das Clínicas da USP e o Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) corre atrás. Não há previsão de quando ela poderá ser disponibilizada ao público. A vacina está atualmente começando os estudos de fase 3 – no jargão farmacêutico, o momento em que é avaliada a eficácia do produto em teste.

O infectologista da USP Esper Kallás, que coordena os estudos da vacina brasileira, afirma que o grande trunfo do produto em desenvolvimento é que ele deverá ser aplicado em apenas um dose.

Kallás afirma ainda que o produto da Sanofi não é igualmente eficiente contra todos os quatro subtipos de dengue. "No entanto, enquanto não temos vacinas, qualquer coisa que for útil tem que ser considerada."

A Sanofi rebate as críticas sobre a eficácia da sua vacina. Segundo a gerente médica Sheila Homsani, o importante é que o produto reduz em 95,5% o número de casos graves da doença. Ou seja, a vacina funciona especialmente para evitar os quadros clínicos mais perigosos.

Ela afirma que a Sanofi deve entrar nas próximas semanas com a documentação para poder iniciar a produção da vacina em sua fábrica, próxima à Lyon, na França.

Técnica

A vacina da multinacional francesa tem como "esqueleto" o vírus da febre amarela. Ele tem sua superfície modificada artificialmente para se parecer com um vírus da dengue e gerar resposta imunológica na pessoa vacinada.

Já o consórcio de que faz parte o Butantan apostou em uma versão atenuada e modificada do vírus da dengue, que promete provocar uma resposta imunológica duradoura em quem é vacinado.

O poder público está entusiasmado com a utilização de vacinas. Para o secretário da Saúde de São Paulo, David Uip, o projeto do Butatan pode ajudar o Estado a reduzir o número de casos.

Arthur Chioro, ministro da Saúde, disse que pedirá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prioridade no andamento dos processos burocráticos ligados às vacinas contra a dengue.

Segundo Kallás, com o status de prioridade é possível ganhar de alguns meses até mais de um ano de desenvolvimento. A ideia é vacinar as pessoas ainda no fim desse ano para monitorá-las durante o verão, quando a incidência de dengue aumenta.

Em 2015 também devem começar as pesquisa de fase 3 da vacina da Takeda, multinacional japonesa. A estratégia é um vírus da dengue do subtipo 2 modificado.

Entre outras iniciativas, há o trabalho da farmacêutica britânica GSK com a Bio-manguinhos (da Fundação Oswaldo Cruz), que está iniciando os testes em humanos (veja acima). Outro projeto em que a Fiocruz está envolvida é a vacina do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), testada apenas em camundongos, mas com 100% de imunização.


Voltar


Comente sobre essa publicação...