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Sábado 31.out.2020

Ano IX - Nº 417

Coluna

Corrupção

Uma velha senhora ou velha serpente nos empreendimentos?

Postado em 27 de Março de 2015 - Jorge Ostemberg

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“A ausência da ética deixa um vácuo onde se propaga a onda da corrupção” (Antônio Gomes Lacerda – site “O Pensador”).

Tecer sobre o tema “corrupção” necessitaria, certamente, de tal espaço e tempo, que consumiria, sem exageros, uma década de pesquisa, se o empreendimento quisesse relatórios gerais no tempo e espaço geral do homem, de todos os povos, nações e cada nicho privado ou público.

A citação do “velha senhora”, obviamente tem ligação com a menção defensiva da presidente em exercício (2015), ao rebater um dos muitos momentos em que se tem protestado contra a corrupção denunciada por vias de justiça e mídias. Obviamente se trata apenas de ignição para falarmos sobre a corrupção em empreendimentos, pois este veículo jornalístico tem o espaço próprio para comentários sobre temas políticos, à arbítrio do(a) jornalista responsável. Porém, a colocação da presidente autoriza abordagem “interdisciplinar”, alcançando-se os empreendimentos.

E a relação corrupção e empreendimentos? Sendo os empreendimentos objetos em que a noção geral os reflete como do futuro, pode haver relação. Certamente que sim, é o que parece óbvio.

Lembramos que a tradição judaico-cristã, tão influente na formação da civilização ocidental, em que o Brasil aparece fortemente influenciado na formação de costumes e sequente aparelho de leis orientadoras, desde a Constituição Federal, traz duas excelentes grandes passagens, entre muitas outras, para se refletir sobre a contaminação futura, por um objeto presente, de corrupção. Um deles é bastante óbvio, a rebelião de Satã contra Deus, em que aparelhou-se para o enfrentamento rebelde, corrompendo outros, contra a Ordem Celestial vigente. E, nossos próprios pais na criação humana, segundo os mesmos cânones, teriam sido corrompidos pelo mesmo Adversário. E o que teria resultado disso, se considerássemos uma verdade? Pagamos todos pela corrupção original do caráter ancestral de nossos pais.

Saltando das proposições e exemplos presentes no campo da teologia; para o campo de exemplos reais, há não muito tempo, a crise imobiliária nos Estados Unidos afetou negativamente um número milionário de pessoas, em várias espécies que foram até arruinamento total, inclusive com alcance mundial. E qual a origem dos fatos? A corrupção do sistema imobiliário.

Considerando que os empreendimentos de mercado são uma realização administrativa, e que a realização administrativa mercadológica tem como principal locomotiva a inovação e marketing, é possível considerar que a corrupção não somente é capaz de agir em cadeia, a partir de um evento passado atingir no futuro, como capaz de comprometer toda uma ramificação de negócios, uma vez que compradores são seres sociais, e estes são suscetíveis em suas vontades a uma influência negativa.

Um dos exemplos mais fortes de prejuízos neste caso, são as recusas de compras de determinadas marcas, que causam enorme soma de prejuízos a determinadas empresas. Constantemente temos notícias deste ou aquele material esportivo ou de vestimenta geral, que por terem aparecido notícias de uma relação com trabalho escravo, de grave exploração desumana ou motivo assemelhado ou a à tal relacionado, sofrem boicote. Um caso clássico é o da Nike que, na década de 1990, ao se noticiarem fotos de uso de mão de obra infantil no Paquistão, teve boicote em seus produtos e as vendas caíram vertiginosamente. Coincidentemente, o mesmo veículo que traz tal notícia (Isto É Dinheiro), também lembra que a Petrobrás sofreu queda de ações ao não cumprir com seriedade suas responsabilidades sociais no que tange à preservação ambiental.

Quem empreenderia em venda de tênis Nike, no período citado, ou qualquer empresa que estivesse com o nome fartamente noticiado em eventos de corrupção?

Um desastre também comum no mundo dos empreendimentos, é a abertura de negócios com dinheiro chamado “sujo”, oriundo de operação criminosa conhecida como “lavagem”, ou de injeção direta de criminosos ou a eles ligados. Embora um empreendedor ansioso e incauto possa cair em um erro destes, de forma involuntária, o que se observa é que o correto, ao precisar de investimentos, é checar adequadamente as fontes de investimentos que estão alavancando o negócio; e não somente quanto à natureza do dinheiro envolvido, mas as intenções que podem vir incluídas na ação de investir no negócios. Sabe-se, como exemplo, do caso da Máfia Camorra, que conseguiu se infiltrar nos negócios de coleta e armazenamento geral de lixo, e o tratamento com uma redução muito própria de custos, acabou por trazer contaminação em uma região italiana, com inúmeros casos de câncer nas pessoas. É um caso clássico da corrupção de um serviço de larga escala, em que muitos se envolveram com empreendimentos parceiros.

O que se conclui é que, sim, a corrupção é uma “velha senhora”; é uma prática antiga e presente em todos nichos sociais em toda a história; mas isso não evita com que um empreendedor possa investigar todos os objetos e aspectos envolvidos em seu empreendimento, para que, previna-se em não empreender em algo condenado pelo veneno da corrupção. Um veneno que embora tenha milhares de tipos, em sua composição primordial é um somente; tipo sempre capaz de destruir, sonhos, intenções amplas e a vida de qualquer negócio que seja.

Resta ainda a dizer sobre a impactante frase, no contexto da abordagem sobre corrupção, que ela tem que ser combatida em todas as instâncias do tempo, para que um empreendimento seja sadio: condenando-a sempre, no passado, presente e futuro, e não somente isso, tomando todas as medidas possíveis, para que tal praga, tão nociva aos empreendimentos gerais humanos, não espalhe irremediavelmente, em que obviamente os empreendimentos, afinal, são todos interligados, em uma sociedade e seus vários nichos de funcionamento público e privado.


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