Semana On

Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Mulheres na fotografia contemporânea

Olhares múltiplos de mulheres que fazem da fotografia um suporte para sua expressividade, criatividade, angústias e críticas.

Postado em 13 de Março de 2015 - Elis Regina Nogueira

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Na coluna da semana passada, selecionamos algumas fotógrafas que deixaram sua marca na história e influenciaram muitos artistas visuais contemporâneos.

Vamos destacar fotógrafas atuais que contribuíram de maneira pontual para a produção imagética como expressão artística e não comercial.

Essa produção é hoje bastante significativa e crescente no mundo e também no Brasil. Aqui destacamos três artistas brasileiras: Patrícia Gouveia, Rosangela Rennó e Cris Bierrenbach.

Com humor, desprezo, sensualidade, ambiguidade e muita criatividade, algumas estas fotógrafas tem alargado, de forma muito contundente, o território da fotografia. Elas expandiram e abriram todas as possibilidades que o universo da fotografia permite, e convidam o espectador para irem além da fotografia que estão acostumados a ver em revistas, jornais, outdoor.

Sarah Moon – França (1941)

Obrigada a fugir para a Inglaterra após a ocupação nazista, foi lá que Sarah começou a trabalhar como modelo e, mais tarde, como fotógrafa. Com cliques para Chanel, Dior e Vogue, Sarah passou a se dedicar a outros trabalhos, nos quais explora temas como solidão, tristeza e morte.

Annie Leibovitz – EUA (1949 )

Muito conhecida por seu trabalho com celebridades e para grandes revistas como Vanity Fair, Vogue e Rolling Stones, sua atuação ajudou a construir a popularidade da “vida dos famosos”. É dela a icônica fotografia de John Lennon e Yoko Ono, pouco antes do cantor ser assassinado. Recentemente foi contratada para uma campanha dos parques temáticos da Walt Disney Pictures

Isabel Muñoz – Espanha (1951 )

Fascinada por movimento, por nuances e pelo tato, essa fotógrafa é meticulosa na realização de seu trabalho. Com diversas exposições ao redor do mundo e sete livros publicados, Muñoz conta histórias através dos detalhes, dos gestos e dos movimentos dos fotografados

Ana María Robles – Argentina (1952 )

Vencedora de mais de dez prêmios internacionais, Robles é uma veterinária que se apaixonou pela fotografia. Acreditando que, apesar das diferenças, a humanidade é uma só, Ana vai em busca do diferente que, por isso mesmo, deve ser preservado e entendido

Nan Goldin – EUA (1953 )

Nascida em uma família abastada e conservadora, Nancy escolheu o rumo oposto para seu trabalho. Polêmicas, as fotografias mergulham no universo da sexualidade, das drogas, do grunge e da AIDS. “The Ballad of Sexual Dependency” (1979-1986) é seu trabalho mais famoso, com retratos da intimidade de seus próprios amigos.

Cindy Sherman – EUA ( 1954)

Tornou-se famosa pelas imagens que faz de si mesma. Embora seja a protagonista de todas elas, essas fotografias não cabem na definição autorretrato: mostram, ao invés de sua verdadeira face, personagens construídos e incorporados por ela que suscitam uma série de reflexões. Ao longo de sua carreira, explorou de forma eloquente e provocadora a construção da identidade contemporânea na arte através de representações elaboradas a partir de uma ilimitada oferta de imagens (em revistas, programas de televisão, filmes, internet e imagens clássicas). Este ano, ao receber uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), Sherman foi definitivamente festejada como uma das mais influentes e relevantes artistas da cena atual. Na previsão da curadora, Eva Respini, em um futuro breve será comparada a nomes como Andy Warhol e Pedro Almodóvar

Shrin Neshat – Irã (1957)

Criada por uma família que misturava o feminismo ocidental com as tradições iranianas, Shrin passou a se perguntar qual seria o ponto de encontro entre os dois universos. A partir disso, desenvolveu uma série de fotografias e vídeos, todos colocando em conflito valores antigos, crenças coletivas e desejos individuais.

Claudine Doury – França (1959 )

Conhecida por seu trabalho “Pessoas da Sibéria” (1999), Claudine já ganhou diversos outros prêmios retratando a juventude, em especial a feminina.

Rosangela Rennó - Brasil ( 1962)

Para a artista, é possível graças ao seu processo de trabalho, que extrapola os limites dos suportes , entender como as pessoas se relacionam com as imagens, lhe importa muito mais os modos de ver do que as imagens propriamente ditas.

Loretta Lux – Alemanha (1969 )

Nascida na Alemanha Oriental, Loretta sempre se identificou com a corrente surrealista da arte. Combinando pintura, fotografia e manipulação digital, a artista constrói os retratos de crianças pelos quais ficou conhecida ao redor do mundo.

Cris Bierrenbach – Brasil ( 1964)

No processo investigativo de Cris Bierrenbach, objetos e instalações são construídos com base em fotografias produzidas por meio de antigas técnicas, como o daguerreótipo, que fixa as imagens obtidas em uma câmara escura sobre folha de prata. A retomada dessa técnica revela, então, o interesse da artista pelo resgate da própria história da fotografia

Patrícia Gouvêa – Brasil (1973 )

Fundadora do Ateliê da Imagem, a carioca explora a noção do tempo em todas as suas possibilidades. Para Gouvêa, uma foto não deve simplesmente ser olhada por alguns segundos, mas por tempo suficiente para que o expectador descubra detalhes que antes haviam passado despercebidos. Seu trabalho já foi exposto em vários países, entre eles Itália, França e Suécia.


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