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Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Quanto vale o dinheiro?

Inflação que o governo nega e a população sabe.

Postado em 06 de Março de 2015 - Gerson Martins

Ele vale menos a cada dia. Ele vale menos a cada dia.

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O leitor sabe quanto vale R$ 1? E quanto vale R$ 0,01? E lembra que tinha moedas de R$ 0,01 e que não havia moeda de R$ 1, somente cédula, ou seja, dinheiro em papel? E que estas cédulas de R$ 1 compravam muitas coisas para o café da manhã, por exemplo! A nota ou cédula de R$ 100 era rara, muitas pessoas que, por algum motivo recebiam uma, guardavam por vários dias, utilizava somente em casos de extrema necessidade. As cédulas de valores maiores mais comum era de R$ 50. Com esta nota as pessoas faziam a compra mensal no supermercado e ainda sobrava dinheiro.

E quanto vale hoje uma nota de R$ 100? O leitor poderá responder: "uai! vale cem reais!". Não é necessário transformar em dólares ou euros para se comprovar que esta cédula não tem o mesmo valor. Basta ir ao supermercado para atestar que com R$ 100 dá para comprar meia dúzia de itens de primeira necessidade, a compra mensal de suprimentos vai totalizar pelo menos 50% do salário mínimo. Recentemente um parlamentar, ou seja, um político que "trabalha" na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional destacou que o governo garante, nos últimos anos, que o salário mínimo esteja sempre acima de 100 dólares, que antes havia um "longa luta" do governo para garantir um salário mínimo de pelo menos 100 dólares. Não há dúvidas que essa foi uma vitória da população, hoje o salário mínimo está em cerca de 280 dólares. Segundo uma reportagem do jornal Extra do Rio de Janeiro, o menor, em dólares se comparado a 2010.

Basta ir ao supermercado para atestar que com R$ 100 dá para comprar meia dúzia de itens de primeira necessidade, a compra mensal de suprimentos vai totalizar pelo menos 50% do salário mínimo.

E o que acontece que o dinheiro brasileiro, o real, não tem mais valor? Acontece que a globalização da economia fez com que muitos produtos, principalmente importados, tenham custo muito maior no Brasil que em outros países, devido, principalmente,  a alta carga tributária que há no país. O governo brasileiro, e não somente o governo federal, mas estadual e municipal também é muito caro para o trabalhador. Os salários, encargos, ajuda de custo e inúmeros complementações que o trabalhador brasileiro paga para a estrutura de governo, para ficar unicamente nos gastos com o pessoal político, é muito caro, é muito alto. E, se o leitor se recorda, há novos aumentos aprovados nas Assembleias e Congresso para parlamentares, governadores e outros atores políticos. A infraestrutura, o sistema educacional, de saúde e de transporte não terá aumento, pelo contrário, terão cortes nos orçamentos, e o investimento na melhoria desses sistemas ficará para depois. Ou seja, ainda faltará médico, postos de saúde, transporte coletivo adequado, estrada cheia de buracos, etc...

[Todo essa relação de despesas faz com que o valor da moeda brasileira se desvalorize mais ainda. Há necessidade de obter recursos externos para atender as despesas ou, numa situação mais complicada, que o governo mande o Banco Central imprimir mais dinheiro para pagar a máquina que consome recursos como num buraco sem fundo que são os constantes e recorrentes aumento no salário dos parlamentares, ministros, secretários, governadores e demais agentes políticos.

A proposta desta reflexão é colocar em questão o valor do Real. Para o trabalhador se o salário aumentou 8%, a desvalorização da moeda foi de 16%, ou seja, ele não ganhou e ainda perdeu mais 8%. É importante destacar que este aumento de 8% foi conseguido a custa de greves, manifestações de rua, violência policial e desgaste para a população que é atingida pela greve do ônibus e pela precariedade dos serviços públicos. O que vale o Real, portanto?


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