Semana On

Quinta-Feira 26.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Coluna

É Piracema!

O que as festas pagãs revelam sobre a condição humana?

Postado em 13 de Fevereiro de 2015 - Rodrigo Amém

O Carnaval e a loucura nossa de cada dia. O Carnaval e a loucura nossa de cada dia.

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Carnaval é o período em que o brasileiro dá férias ao cérebro e hora extra ao fígado. Isso sem falar, é claro, dos outros órgãos bem requisitados durante a festividade. Carnaval é a versão humana da piracema. É quando nadamos contra a maré da evolução humana rumo à nascente da nossa civilização. Ao relacionamento tribal, ao estágio mais animalesco, despudorado e inconsequente da condição humana. É quando o brasileiro, seja ele português, crente ou rico, volta a ser índio.

E isso nem é exclusividade tupiniquim. Toda cultura, de um jeito ou de outro, tem sua festividade dedicada à expressão dos desejos da carne. Os EUA têm o Halloween, calcado em dois fascínios americanos: morte e guloseimas. Os sisudos alemães celebram a Oktoberfest, onde os germânicos se rendem à cerveja, salsichões e bermudas com suspensórios. Todo povo tem seu momento de dizer coletivamente: “Desisto dessa pose toda! Eu quero mais é rosetá!”

É a época do ano em que pedimos trégua ao contrato social e admitimos o que a ciência sempre soube e a religião jamais admitirá: somos bichos. Temos desejos, instintos e comportamento de bicho. E este é o momento em que nos unimos em loucura e delírio para celebrar tudo que nos envergonha no resto do ano.

Semana que vem a gente volta a vestir a coleira social, seguir o fluxo da correnteza e fazer de conta que levamos a vida a sério. Boa piracema para você, leitor.


Voltar


Comente sobre essa publicação...