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Ano VI - Nº 320

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Presidente da Câmara diz que deputados evangélicos são discriminados

Lula quer aproximação entre Dilma e Cunha.

Postado em 13 de Fevereiro de 2015   - Redação Semana On

Cunha quer impor uma agenda anti-gay no Congresso. Cunha quer impor uma agenda anti-gay no Congresso.

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O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou nesta sexta-feira (13) que esteja "bancando" propostas de interesse de religiosos e defendeu que é "preciso parar de discriminar a atuação de deputados evangélicos porque têm os seus projetos e são atendidos igual aos outros no regimento".

Evangélico, Cunha afirmou que o desarquivamento de projetos que são contrários a bandeiras progressistas, principalmente de movimentos gays e feministas, são medidas apenas para cumprir exigências regimentais.

"Já recriei e recriarei várias comissões especiais de diferentes projetos em tramitação conforme prevê o regimento. É muito estranho só falarem da recriação das comissões pedidas por deputados evangélicos. Já é absurdo carimbarem quando é deputado evangélico sempre a referência com a religião", afirmou o deputado no Twitter.

O peemedebista disse que há preconceito contra a bancada evangélica. "Ninguém fala deputado católico, espírita etc. Mas fala sempre evangélico quando ele é evangélico. Isso é discriminação pura e agride a laicidade do Estado", reclamou.

Aborto, família e homossexualidade

Depois de sustentar que não colocaria em votação nenhuma proposta para descriminalizar o aborto, o peemedebista lançou mão de um pacote em defesa da heterossexualidade.

Primeiro, ele autorizou a criação de uma comissão especial para discutir um projeto intitulado "Estatuto da Família", o que na prática acelera a tramitação da matéria.

O texto define família apenas como união entre homem e mulher e, na prática, pode proibir a adoção de crianças por casais gays. Defendido pela bancada evangélica, que conta com 80 dos 513 deputados, essa proposta começou a ganhar força em 2014, mas acabou travada por manobras regimentais do PT.

O partido é contra vários pontos da proposta. O texto dificultaria o cumprimento de uma das promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff, de apoiar a criminalização da homofobia.

Ele também pediu que voltem às comissões da Casa dois projetos de sua autoria: o que cria o Dia do Orgulho Heterossexual e o que criminaliza o preconceito contra heterossexuais. Pela proposta, o "Dia do Orgulho Hétero" seria comemorado no terceiro domingo de dezembro.

Ao apresentar o projeto em 2011, Cunha justificou que a proposta "visa a resguardar direitos e garantias aos heterossexuais de se manifestarem e terem a prerrogativa de se orgulharem do mesmo e não serem discriminados".

A ofensiva da bancada evangélica também conseguiu retomar a tramitação de outra proposta polêmica que pode dificultar a realização do aborto previsto em lei e que cria uma espécie de "bolsa" para a mulher vítima de estupro que mantiver a gestação.

De mãos dadas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que a presidente Dilma Rousseff e o Palácio do Planalto levantem uma "bandeira branca" e acertem suas diferenças "o mais rápido possível" com Eduardo Cunha.

A recomendação ocorreu em encontro entre os dois, em São Paulo, na quinta (12). Após a viagem, Dilma conversou à noite com auxiliares no Palácio do Alvorada.

Na avaliação de Lula, o governo tem a difícil tarefa de estabilizar a inflação e fazer o ajuste fiscal e, por isso, não pode viver em "guerra" com o Congresso. Lula criticou a condução da articulação política do governo, especialmente na derrota de Arlindo Chinaglia (PT-SP).


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