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Sexta-Feira 27.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Coluna

Preparo para empreender

Generalidades ou especificidades, o treinamento é imprescindível na qualidade funcional.

Postado em 05 de Fevereiro de 2015 - Jorge Ostemberg

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“"Dê-me um funcionário de estoque com um objetivo, e eu lhe darei um homem que vai fazer história. Dê-me um homem sem um objetivo, e eu lhe darei um funcionário de estoque. "

JC Penny.

 

No artigo anterior, fez-se uma pergunta cuja resposta, em sua completude, foi prometida para este texto. A pergunta em questão é a seguinte: “Todo indivíduo é inteligente o suficiente para qualquer tarefa?”.

Ao iniciar as reflexões sobre a generalidade da inteligência em tarefas relacionadas a empreendimentos, inferiu-se sobre a história empresarial, em que se destaca a famosa linha de montagem da antiga Ford, e de como, aos poucos, a indústria foi se encaminhando não somente para uma robótica maquinal e eletrônica, mas também para algo que brilhantemente Chaplin critica em sua obra; onde se destaca a frase “homens e não máquinas é o que sois”, para a robotização humana; em que o valor de participação de um indivíduo viria de seu poder de manufatura; de pregar tantos botões ou colher tantos cachos de algodão por tantos minutos, ou de parafusar repetidamente determinado parafuso em determinadas placas.

Não é conveniente aos entendimentos honestos, porém, simplesmente demonizar a indústria; pois além de ser parte de um processo irrevogável no andamento da sociedade; nesta mesma sociedade em seu período moderno e atual, tem sido a partir de si, participante de esforços no sentido de se tornar mais humanizada, mais próxima daqueles sem os quais, por mais automatizada que seja, não funciona.

A antropologia, como se aponta pela autoria de Ralph Linton, renomado pesquisador da área, ao longo dos anos, notadamente nas primeiras décadas pós Segunda Grande Guerra Mundial, tem evidenciado, através de diversos estudos, que o homem, ao ajustar sua capacidade geral às necessidades que surgem para que se sustente, acaba por colocar em jogo habilidades mistas, na verdade. Consegue ser ao mesmo tempo especialista e genérico em atividades variadas.

Assim, se explica com facilidade a menção de Peter Drucker sobre as mulheres que no período de indústria voltada amplamente para a produção bélica, em auge do maior conflito de guerra já tido, sendo analfabetas e originadas de regiões sem tradição industrial, conseguiam realizar complicadas operações em vários níveis, para nada menos que a produção de aviões. Ou seja, a mente humana, conforme afirma a obra de Linton, o antropólogo escritor de “Homem: Uma Introdução à Antropologia”, é, quando saudável, plenamente capaz de abarcar conjuntos operativos, mesmo que englobem não somente tarefas simples. O que é necessário para tal, é a familiarização e treinamento.

Tendo contato há certo tempo com as linhas teóricas e práticas dos empreendimentos, podemos afirmar que a generalidade imprescindível para o empreendedor, no que toca à necessidade de emprego de indivíduos em operações que envolvam execução de tarefas simples e repetitivas, mas também de operações com maior complexidade e com exigência de raciocínios inéditos, é justamente ter essa noção, de que é possível os indivíduos corresponderem à expectativa de domínios para participação em processos produtivos, mesmo aqueles abertos e dotados de necessidade constante de “improvisação”, na realidade, corresponder de maneira inteligente ao ineditismo de questões de produção.

A resposta para que um indivíduo corresponda a tarefas que lhe sejam impostas; é que esteja preparado, o que traz nova pergunta sob a anterior: “como é que um indivíduo fica preparado?”.

Há níveis de envolvimento de colaboradores, que vão desde a seleção inicial passiva (aposição de cartazes e outro tipo de convocações); passando por recrutamento, que é um processo inicial de separar aqueles que podem ter potencial mais apurado em termos específicos (físicos e mentais), chegando no importante processo de treinamento.

Temos que observar que é verdade que dada à eterna dinâmica social ou mesmo aquelas específicas a determinado labor, na verdade ninguém está sempre totalmente pronto; mas os treinamentos devem deixar um indivíduo em grande porcentagem de aptidão para soluções de problemas que venham pelo exercício de suas funções, inerentes ao cargo que ocupe.

Um treinamento inadequado pode, inclusive, destruir um potencial inicial evidente; por isso os treinamentos não podem ser atividades de improviso. O professor Júlio Cesar Santos, consultor em marketing e administração empresarial, com a obra “Qualidade no Atendimento ao Cliente” e outras, opina que o treinamento talvez seja a função administrativa mais negligenciada nas organização, e esse grave engano vem do fato de empresários acreditarem no treinamento como sinônimo de aumento nos custos; ele observa que mesmo que um indivíduo tenha alta qualificação, não está dispensado do treinamento; que é, na verdade, parte vital de processos administrativos com qualidade.

Encontra-se muito, atualmente, o emprego da palavra inglesa coaching, que é o indivíduo chave em capacitação. Na verdade, um treinador próximo, com eficiência não somente em transmitir informações para o domínio, mas em promoção de atuação de ensaio e posteriormente em acompanhamento do desempenho daquele que foi treinado para uma função.

O conhecido teórico Chiavenato, com renome em pessoal, na área da administração, observa que o treinamento é o fechamento de um processo de formação profissional e desenvolvimento de aptidões. Se trata, como confirmam outros autores da área, de uma espécie de educação, institucionalizada ou não, visando adaptação de uma pessoa para exercício de cargo.

Enfim, a resposta é, segundo a maioria daqueles que abordam empreendimento no aspecto de aptidão geral e específica em um conjunto, que tem paralelo variado ou não em outras empresa: TREINAMENTO. O treinamento será capaz de empregar adequadamente um indivíduo na realização de tarefas que integrem um empreendimento empresarial.


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