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Sexta-Feira 20.set.2019

Ano VIII - Nº 363

Artigo da semana

As relações de consumo e um ano de aperto no bolso

É hora de economizar e pechinchar.

Postado em 15 de Janeiro de 2015 - Maurício Vargas

Juros, inflação e dólar em alta são os três principais fatores que ajudam a prever um ano em que o brasileiro vai ter de ficar de olho bem aberto para tirar a mão do bolso. Juros, inflação e dólar em alta são os três principais fatores que ajudam a prever um ano em que o brasileiro vai ter de ficar de olho bem aberto para tirar a mão do bolso.

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Juros, inflação e dólar em alta são os três principais fatores que ajudam a prever um ano em que o brasileiro vai ter de ficar de olho bem aberto para tirar a mão do bolso. Enquanto isso, as empresas e o governo se movimentam, com consolidações e mudanças legais que afetam diretamente as relações de consumo.

A inflação, que terminou 2014 rondando 6,5%, o teto da meta do governo, deve ficar este ano perto do mesmo índice, segundo projeções do mercado e do próprio Ministério da Fazenda. Isso significa preços ainda mais altos e a necessidade de pesquisar muito antes de comprar.

Para as compras maiores, outro fator compromete os gastos: a alta dos juros. Quem parcelar o pagamento vai arcar com juros que superam 40% ao ano, em média. Ou seja: vai pagar quase metade do valor do produto à vista em compras parceladas em 12 meses. É hora de segurar os gastos não essenciais e tentar economizar para comprar à vista.

E aí é hora de pechinchar. Como as empresas embutem no preço à vista o custo do parcelamento "sem juros" em até três ou quatro vezes, é fundamental pedir desconto quando pagar no ato da compra.

A alta do dólar deve tornar mais caros os produtos importados e aqueles que são feitos aqui no Brasil, mas destinados à exportação.

Uma das grandes questões em aberto é saber qual o impacto do câmbio sobre os hábitos de consumo online no país, que tiveram grandes mudanças em 2014, ano em que o site de e-commerce mais acessado do Brasil foi chinês: o Aliexpress, plataforma de varejo do gigante Alibaba. Depois de anos em que a indústria nacional teve de se adaptar para concorrer com os produtos produzidos na China, agora é a vez do comércio brasileiro enfrentar a concorrência do outro lado do mundo.

É hora de segurar os gastos não essenciais e tentar economizar para comprar à vista. E aí é hora de pechinchar.

Mas, com o dólar acima de 2,70, os produtos chineses vão continuar tão atrativos? Também é preciso ficar de olho na reação do e-commerce nacional e da Receita Federal, que apertou o cerco para cobrar impostos dessas compras e prepara um novo sistema para rastrear as encomendas e fazer cobranças sobre um número cada vez maior de encomendas. Esse movimento envolve até os Correios, que planejam instalar um posto avançado na China.

Em alguns setores, os movimentos podem ser ainda maiores.

Na telefonia celular, onde estão as líderes de queixas no Reclame Aqui, existe a expectativa de que o consumidor tenha ainda menos opções. As operadoras OI, Vivo e Claro se movimentam para fatiar a TIM entre elas, o que vai tirar um dos concorrentes do mercado. Com menos concorrência, a pressão por melhores planos e descontos será menor.

É bom lembrar que, com todos os seus problemas de sinal e atendimento, a TIM foi pioneira nos planos ilimitados de ligação. Mas em dezembro a operadora deu um passo atrás e limitou com os planos "ilimitados" de acesso à internet. Com menos uma empresa, o mercado todo pode ficar tentado a impor limites às vantagens ao consumidor.

As mudanças na telefonia também passam pelo atendimento, com novas regras da Anatel que entraram em vigor no fim de 2014. Entre elas está a possibilidade de cancelamento automático via internet e menu da central de atendimento. As dúvidas sobre cobranças devem ser respondidas pelas operadoras em até 30 dias (veja, isso já é um avanço, segundo a Anatel).

Do ponto de vista institucional, 2015 também deve ser o ano de entrada em vigor do novo Código de Processo Civil, aprovado em dezembro pelo Congresso. O texto prevê mais ênfase na conciliação e mediação, o que pode, em tese, acelerar casos contra empresas, mas também estabelece uma ordem cronológica para julgamentos. Essa última mudança pode fazer com que novos casos só sejam julgados depois de milhares que ainda estão nas gavetas dos tribunais.

Os desafios do novo ano são muitos, mas o brasileiro já aprendeu a conhecer melhor os seus direitos, a pesquisar antes de comprar, a olhar não só preço, mas também reputação e qualidade dos serviços. Que, em 2015, nosso consumidor continue aprendendo a construir uma sociedade em que o consumo seja uma relação entre iguais, com confiança entre empresas e cidadãos.

Maurício Vargas -  Presidente do Reclame Aqui


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