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Domingo 15.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Poder

Governo deve elevar alguns impostos, diz novo ministro da Fazenda

Tombini repete que fará o que for necessário para domar a inflação.

Postado em 09 de Janeiro de 2015 - Redação Semana On

Segundo Levy, a receita de impostos que foram reduzidos Segundo Levy, a receita de impostos que foram reduzidos "está fazendo falta".

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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou hoje, 9, que o governo "provavelmente terá que pensar em rebalancear alguns impostos, até porque alguns foram reduzidos há algum tempo", durante conversa com internautas.

Segundo Levy, a receita de impostos que foram reduzidos "está fazendo falta". "Mas, se houver alguma mudança, vai ser com cuidado e depois de a gente esgotar outras possibilidades."

"Estamos no caminho certo, e dessa vez a gente está tentando acertar as coisas bem antes de estar numa crise. Como diz um amigo meu, estamos podendo consertar o telhado em dia de sol", defendeu.

Em tom informal, o ministro sugeriu que os brasileiros também façam sua parte, trabalhando "com o máximo de qualidade" e aumentando a produtividade, para que não sejam necessários mais aumentos de imposto.

"Se as despesas crescerem e a gente se endividar, ou ficar aumentando imposto, vai ser mais difícil a economia melhorar", disse.

Inflação

Levy comentou que a inflação de 2014 de 6,41%, divulgada hoje pelo IBGE, ficou dentro do combinado, "apesar de todos os desafios".

A inflação em janeiro deve ser um pouco mais alta do que de outros meses do ano, em função dos reajustes das mensalidades escolares, IPTU, tarifas de ônibus, entre outras, informou o ministro.

"Além disso, para a economia voltar a crescer, temos que fazer algumas arrumações e isso pode mexer em alguns preços. Os economistas chamam isso de mudança nos preços relativos e ela é importante para acomodar a economia em um novo caminho de crescimento", defendeu.

É esperada a alta no preço da energia elétrica, por exemplo, que foi represado por muito tempo pelo governo para conter a alta da inflação.

Levy afirmou que, se o governo "não gastar demais", a inflação pode se encaixar no centro da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5% ao ano, em 2016.

Cortes

A conversa aconteceu pelo Facebook, na pagina Portal Brasil, administrada pelo Palácio do Planalto. Levy respondeu a oito perguntas, e deu prioridade a explicações sobre cortes em gastos e restrições a benefícios sociais, medidas recentemente adotadas para reequilibrar as contas públicas.

Ele falou que houve correção de distorções, "que acabam fazendo você pagar por despesas com alguém, por exemplo, que começa a receber pensão de viúvo ou viúva aos 25 anos de idade, e vai continuar recebendo esse dinheiro do governo, talvez por mais de 50 anos".

"Não faz sentido esse desperdício com o dinheiro do povo. Além disso, o governo diminuiu o volume de empréstimos com juros baratos para algumas empresas. Empréstimo barato também é pago pelo contribuinte e tem que ser dado só em situações muito especiais", disse.

Ele garantiu que o valor da aposentadoria continuará sendo corrigido pela inflação e que não haverá mudanças no seguro por invalidez.

Chicago Boy

Questionado por um internauta se ele se considera um "Chicago boy", em referência à liberal Escola de Chicago, onde Levy se graduou PhD, ele disse que alguma das reformas propostas por esses economistas na década de 1970 deram muito certo, "outras nem tanto".

"Mas essa universidade tinha um professor que dizia uma frase que ficou muito conhecida, e que a gente sabe que tem seu grão de verdade: 'Ninguém come realmente de graça'", disse, em referência a Milton Friedman, expoente da escola.

"A gente sabe que quando alguém passeia ou faz alguma coisa sem pagar, outra pessoa está pagando. Então, essa frase é importante para quem está no governo. Tudo que o governo 'dá', é pago pelo contribuinte. Então, a gente tem que ter muito cuidado em como usa o dinheiro, para garantir que as pessoas certas, às quais a lei dá o direito, serem as que receberão os benefícios que precisam", defendeu.

Inflação

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmou que será feito "o que for necessário" para a inflação entrar em "longo período de declínio" e que a levará ao centro da meta em 2016. Em nota para comentar o resultado do IPCA de 2014, Tombini voltou a reconhecer ainda que a inflação tende a mostrar resistência no curto prazo.

Tombini também voltou a argumentar que o atual patamar de inflação vem do realinhamento dos preços domésticos em relação aos preços internacionais, ou seja, do câmbio, e do realinhamento dos preços administrados em relação aos livres.

Em 2014, o IPCA fechou com alta de 6,41%, próximo do teto da meta do governo – de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.


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