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Domingo 17.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

Psicologia do empreendedor

Isso existe de fato?

Postado em 09 de Janeiro de 2015 - Jorge Ostemberg

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“É impossível haver progresso sem mudança e, quem não consegue mudar a si mesmo, não muda coisa alguma” (George Bernard Shaw).

A pergunta título logo recebe uma ilação que parece estar presente no pensamento de vários teóricos que abordam o empreendedorismo, pois, se a psicologia tem como base a observação, estudos e conclusões sobre o comportamento, sobre empreender, não se discute que, embora todo empreendimento melhor ocorra sob ideia organizada na forma de projeto, em realidade trata-se de um conjunto de ações. Ou seja, mesmo o aspecto psicológico estará ligado aos fatores comportamentais.

Vinícius Gonçalves; no artigo “O que é empreendedorismo” observa que as características psicológicas para empreendedorismo estão ligadas ao fato de que a maioria dos indivíduos empreendedores tem uma capacidade mais aguda de inspiração com ideias, tendências e capacidade de julgamento crítico, além de maior introversão focada. Para ele o empreendedor tem características psicológicas ligadas à apresentação de um comportamento com maior poder de foco em soluções para questões que vão se apresentando como obstáculos de realização empresarial.

Michael Frese, na revista de Psicologia volume 1, número 2 (jul-dez, 2010), presente no sítio observa que o assunto já esteve em voga, depois houve enfraquecimento de interesse geral, e agora tem voltado à pauta, na área de psicologia. Observa que novamente há abordagens sobre o fato de que, evidentemente, a personalidade tem importante papel no empreendedorismo.

O interesse, na área de psicologia é relacionado aos papéis organizacionais, na vida e morte das empresas; em que se observam as dinâmicas de crescimento, manutenção e desenvolvimento ou morte das organizações, em perspectivas com foco nas personalidades envolvidas, e suas variações.

As conclusões primordiais sobre os variados estudos na questão, mostram que os empreendedores, geralmente, têm uma personalidade em que a iniciativa é uma característica mais marcante; e isso é mais notável ainda, onde as economias estão em desenvolvimento, pois estas apresentam um maior leque de oportunidades.

Frese conclui seus estudos na afirmação de que é possível haver intervenção favorável em indivíduos ou grupos, através de treinamentos, para que se desenvolva; se amplie a característica de iniciativa. É possível, portanto, para ele, conforme seus estudos; que se interfira favoravelmente; acrescendo ou intensificando, nas personalidades, o caráter de empreendedor.

Com base nas conclusões de Frese, é possível traçar sempre, teorias com base na existência de padrões comportamentais moldáveis, no que toca ao empreendimento. Torna-se plausível, realizável, organizar eventos de incentivo à organização mental mais predisposta à constância de um espírito empreendedor, enfim.

No V encontro de estudos sobre empreendedorismo e gestão de pequenas empresas, realizado no Instituto de Educação Superior da Paraíba, José de Arimatéia Augusto de Lima e Carlos Aberto Pereira Leite Filho afirmaram, com outros participantes, que a visitação da psicologia como forma de estudo do fenômeno empreendedor é fértil. E, considerando o caráter comportamentalista do ser humano, podem se realizar programas contingenciais para modelar, junto a estudantes de graduação novas capacidades; ou melhoria nestas, em relação ao domínios em personalidade, quanto a empreender. Afirma-se que mesmo os autodidatas podem, interessando-se por estudos apresentados pela área de psicologia, melhor desempenho ao empreenderem.

Para Alex Eckert, que trabalhou com o XXXI Encontro nacional de engenharia de produção, em 2011, também é claro que é altamente produtivo se entender que, de fato, existe a psicologia do empreendedor; um conjunto de domínios que atuam no campo da iniciativa e ações quando se empreende; e assim como afirmaram os autores anteriores tratados, também concorda em que esses referidos domínios podem ser adquiridos mediante ensino e treinamento. Para ele, finalmente; há um elo entre as teorias que tratam da psicologia e seu alcance nos fenômenos de ordem psicológica e aprimoramento de competências, durante ações no campo real: “percebe-se assim de forma clara, que o indivíduo ao se deparar com a realidade, evidencia fenômenos psicológicos que variam em função de conceitos e fundamentos teóricos desenvolvidos por ele e que aprimoram a sua competência”.

Enfim; uma incursão sobre a questão proposta para o artigo: “existe uma psicologia de empreendimento?”; forneceu primordialmente a resposta que sim. Portanto, considerando-se que os artigos aqui desenvolvidos são dirigidos para aqueles que se interessam pelo assunto ou prática do empreendedorismo; ficam as coordenadas iniciais indicando claramente que um aprofundamento no tema poderá trazer respostas mais específicas e completas, conforme o perfil de cada um e suas metas. De maneira geral, sim; a psicologia pode ser direcionada a uma mais amplo e intenso domínio de ações, às quais precedem o pensamento e sua organização, em relação a propósitos sociais variados. E conforme afirmaram os autores, é bem provável que se obtenham melhores resultados.


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