Semana On

Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Mato Grosso do Sul

Março teve o maior número de mortes, o segundo maior de casos e o recorde de internações pela Covid em MS

O pesquisador da Fiocruz, Diego Xavier, pondera: 'se as medidas forem abrandas e se as pessoas não respeitarem, abril será muito pior que março'

Postado em 02 de Abril de 2021 - José Câmara - G1 MS

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Março de 2021 teve o maior número de mortes, o segundo maior de casos e o recorde de internações pela Covid-19 em Mato Grosso do Sul. Os dados apontam que ao longo dos últimos 31 dias, 975 pessoas morreram pela Covid-19 e mais de 34 mil foram infectadas pelo vírus.

Em março de 2020, o estado registrava a primeira morte por Covid-19. Dezembro do ano passado tinha se mostrado como o mês mais letal, com 587 mortes em decorrência do vírus. Março desbancou o pódio, evidenciando o maior número de óbitos pela Covid-19, totalizando 975 mortes.

Com o final de março, o mês se tornou o segundo mais infeccioso, 34.070 pessoas foram contaminadas pela Covid-19. O maior número em um mês foi registrado em dezembro de 2020, com 34.700.

Hospitalizados por Covid-19

No mês que se passou, os dados informados pela secretaria estadual de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul evidencia o aumento tangencial no número de óbitos pela Covid-19 e a espera em filas por leitos clínicos ou de UTI para o tratamento do vírus.

Os número divulgados pelo Sistema Mais Saúde, plataforma do Governo do estado, mostrou ao longo de março a superlotação em vários hospitais de Mato Grosso do Sul. Ontem (1º), a taxa de ocupação nas UTIs Covid-19 está em 102%.

No dia 08/03/2021, Mato Grosso do Sul batia pela primeira vez o recorde de pessoas hospitalizadas para o tratamento da Covid-19. Naquele dia eram 724 pessoas em leitos clínicos ou de UTIs para o tratamento do vírus, após esta data, os números continuaram a crescer.

Diante dos boletins epidemiológicos do novo coronavírus divulgados diariamente pela SES, é possível ver que desde o dia 20/03/2021, o estado não sai da casa dos mais de 1000 hospitalizados pela Covid-19.

Na quinta (1º), 149 pessoas com Covid ou suspeita de que estão com a doença aguardam leitos clínicos ou de UTI no estado. Somente na macrorregião de Campo Grande são 97 pacientes – sendo 68 da capital. Na macrorregião de Dourados estão na espera outros 23 pacientes e sendo regulados pela central estadual mais 29.

O drama de pessoas ao aguardo por um leito pode ser visto. A filha de uma idosa de 73 anos decidiu pedir socorro pela transferência da mãe para um hospital de Campo Grande. Segundo Walquiria Brites, Sebastiana Brites esperou por sete dias em na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Nova Bahia uma vaga em uma UTI para o tratamento da Covid-19.

Enfrentamento

Medidas restritivas para conter a disseminação do novo coronavírus foram tomadas em Mato Grosso do Sul e Campo Grande, que vão até a próxima segunda (5).

No dia 26/03/2021, o Governo do estado determinou a antecipação do horário do toque de recolher em todo o estado. Das 16h às 5h, somente serviços essências poderão funcionar. De segunda a sexta-feira, o toque de recolher será mantido das 20h às 05h.

A partir da próxima segunda (5), as medidas serão flexibilizadas no estado, e o Governo de Mato Grosso do Sul e permitiu a reabertura dos comércios.

A decisão também traz a definição dos horários dos novos três toques de recolher em Mato Grosso do Sul. Na próxima semana, os períodos restritivos vão levar em consideração a classificação do risco de contágio em cada um dos 79 municípios do estado pelo Programa Prosseguir, que classifica as cidades em bandeiras cinza, vermelha, laranja, amarela e verde.

O que esperar daqui para frente?

O epidemiologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Diego Xavier, aponta um cenário ainda mais crítico para o mês de abril em Mato Grosso do Sul. "Se as medidas estão sendo abrandas e não estão levando em conta os indicadores do vírus, tudo aquilo que foi feito será jogado no lixo, vai se perder".

Xavier frisa que o sistema de Saúde de Mato Grosso do Sul está em colapso, e ter pessoas aguardando por leitos em filas, é um dos principais indicativos. O pesquisador explica que se as filas à espera de leitos continuar, o número de infectados e mortes pela Covid-19 forem crescentes, "abril será muito pior que março".

O epidemiologista analisou as medidas restritivas em Mato Grosso do Sul e em Campo Grande, para ele, o "abrandamento das medidas restritivas é um erro". Ele diz que o vírus "não sairá magicamente de Mato Grosso do Sul no dia 4 de abril [dia que antecede o decreto estadual que flexibiliza as medidas restritivas], não faz sentido abrir tudo de volta".

"Primeiro, nós temos que fazer este fechamento de forma bem rigorosa. Vários setores acham que são exceção, os setores essenciais permitem que as pessoas fiquem em casa. Se deixarmos várias exceções, não teremos resultados, e é isso que está acontecendo", destacou o epidemiologista.

De forma veemente, o especialista acredita que as medidas mais restritivas devem continuar no estado, "pois só assim será possível diminuir as mortes e a quantidade de infectados. "Se falarem que o lockdown não surtiu efeito, é porque ele não foi bem feito. Isso só prejudica os pequenos comerciantes e pessoas mais carentes", finalizou Xavier.


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