Semana On

Quarta-Feira 14.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Poder

Políticos de cinco partidos estão na lista de delator da Petrobras

Ministro do STF aprova delação de Youssef e fatia depoimentos.

Postado em 19 de Dezembro de 2014 - Redação Semana On

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa listou o nome de 28 políticos supostamente envolvidos no escândalo da Petrobras. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa listou o nome de 28 políticos supostamente envolvidos no escândalo da Petrobras.

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O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa listou o nome de 28 políticos supostamente envolvidos no escândalo na estatal durante cerca de 80 depoimentos, no âmbito de delação premiada na Operação Lava Jato, ocorridos entre agosto e setembro, segundo informações do jornal "O Estado de S. Paulo".

Segundo a reportagem, a lista de políticos envolvidos no esquema inclui ministros e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, um governador e ex-governadores. Constam também na relação nomes de parlamentares da base aliada do governo e da oposição. Na lista dos partidos estão PT, PMDB, PSB, PSDB e PP.

No documento, está o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci. O petista teria encomendado a Costa, segundo a reportagem, dinheiro para a campanha da presidente, da qual era coordenador. O pedido teria sido de R$ 2 milhões.

Costa também relatou pagamento de propina ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, para que uma CPI que investigava a Petrobras fosse encerrada. O pagamento, segundo o depoimento ao qual o "Estado" teve acesso, foi de R$ 10 milhões.

Outros nomes também já haviam sido ligados ao esquema em vazamentos anteriores.

Em setembro, a revista "Veja" divulgou nomes de 12 políticos que constariam nos depoimentos de Paulo Roberto Costa, dentre eles, Renan Calheiros (PMDB-AL), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Roseana Sarney (PMDB-MA) e Eduardo Campos (PSB-PE). A revista mencionava também o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari, que não aparece no documento apresentado pelo "Estado".  O jornal Folha de S.Paulo também já havia revelado a menção ao nome do candidato ao governo do Rio neste ano, Lindbergh Farias (PT).

No depoimento do doleiro Alberto Youssef – que assim como Costa, assinou delação premiada – também consta o nome da senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann.

STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki oficializou nesta sexta-feira (19) o acordo de delação premiada pelo qual o doleiro Alberto Yousseff relatou a policiais federais e procuradores da República detalhes sobre o esquema de corrupção na Petrobras e apontou os envolvidos.

O ministro também acolheu solicitação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para "fatiar" os depoimentos de Yousseff e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também fechou acordo de delação, abrindo os chamados "procedimentos autônomos".

Na prática, esse desmembramento passa a individualizar as acusações feitas pelos dois delatores em relação aos citados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Como há nomes ou fatos levantados em mais de um depoimento, os procuradores farão uma espécie de pente fino nas declarações, cruzando informações e juntando eventuais provas.

Os casos de pessoas sem prerrogativa de foro seguirão para a Justiça do Paraná. Para o STJ, seguem possíveis casos de governadores. No Supremo, ficam eventuais processos de ministros e congressistas.

A partir disso, cada tribunal receberá os procedimentos e encaminhará para o Ministério Público avaliar se quer ou não investigar. No Supremo, por exemplo, tudo será remetido ao procurador-geral.
Janot disse que, após receber esse material, só deve encaminhar em fevereiro pedidos de abertura de inquérito e coleta de provas contra políticos. No caso em que ele entender que já há provas suficientes, ele poderá apresentar uma denúncia, pedindo para transformar o citado em réu.

Veja abaixo os nomes presentes na lista de Paulo Roberto Costa, segundo o jornal "O Estado de S. Paulo":

PT

- Antonio Palocci - ex-ministro dos governos Lula e Dilma

- Gleisi Hoffmann - senadora (PR) e ex-ministra da Casa Civil

- Humberto Costa - senador (PE) e líder do PT na Casa

- Lindbergh Farias - senador (RJ)

- Tião Viana - governador reeleito do Acre

- Delcídio Amaral - senador (MS)

- Cândido Vaccarezza - deputado federal (SP)

- Vander Loubet - deputado federal (MS)

PMDB

- Renan Calheiros - presidente do Senado (AL)

- Edison Lobão - ministro de Minas e Energia

- Henrique Eduardo Alves - presidente da Câmara (RN)

- Sérgio Cabral - ex-governador do Rio de Janeiro

- Roseana Sarney - ex-governadora do Maranhão

- Valdir Raupp - senador (RO) e 1º vice-presidente do partido

- Romero Jucá - senador (RR)

- Alexandre José dos Santos - deputado federal (RJ)

PSB

- Eduardo Campos - governador de Pernambuco de 2007 a 2014 (morto em 2014)

PSDB

- Sérgio Guerra - presidente nacional do PSDB de 2007 a 2013 (morto em 2014)

PP

- Ciro Nogueira - senador (PI)

- João Pizzolatti - deputado federal (SC)

- Nelson Meurer - deputado federal (PR)

- Simão Sessim - deputado federal (RJ)

- José Otávio Germano - deputado federal (RS)

- Benedito de Lira - senador (AL)

- Mário Negromonte - ex-ministro das Cidades

- Luiz Fernando Faria - deputado federal (MG)

- Pedro Corrêa - ex-deputado federal (PE)

- Aline Lemos de Oliveira - deputada federal (SP)

Escândalo

Iniciada em março deste ano, a Operação Lava Jato investiga o esquema de lavagem e desvios de dinheiro em contratos assinados entre empreiteiras e a Petrobras que somam R$ 59 bilhões, considerando o período de 2003 a 2014.

Segundo as investigações, parte desses contratos se destinava a "esquentar" o dinheiro que irrigava o caixa de políticos e campanhas no país.

Até o momento, 39 pessoas, entre funcionários de empreiteiras, da Petrobras e intermediários de esquemas de corrupção, tornaram-se réus em decorrência da Operação Lava Jato.

As denúncias foram acatadas pelo juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, responsável pelo julgamento daqueles que não contam com foro privilegiado. Os políticos, por sua vez, só podem ter o caso analisado pelo STF.

Como esta sexta é o último dia de trabalho do Judiciário, inquéritos e denúncias envolvendo figuras com foro privilegiado só devem acontecer em fevereiro de 2015, quando recomeçam os trabalhos nas cortes.


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