Semana On

Quarta-Feira 14.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Tá na hora de parar este cara

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 03 de Março de 2021 - Victor Barone

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O presidente Jair Bolsonaro disse que não se pode combater o vírus “de forma ignorante, burra, suicida”, mas, um ano e 260 mil mortes depois, não diz como deve ser, não dá nenhuma pista do seu “plano” nem anuncia quando irá de Estado a Estado, para dar uma bronca em pacientes, parentes, médicos, enfermeiras e funcionários de hospitais. “Para que pânico?” “Chega de frescura, de mimimi!” “Vão chorar até quando?” 

Poderia começar pelo Paraná, demonstrando impaciência e pedindo paciência às 800 pessoas com covid-19 que estão à espera de leitos de UTI ou da morte: “Para que pânico?” Depois, dar uma passadinha por Santa Catarina, para reclamar com mães, pais, irmãos, maridos, mulheres e filhos das dezenas de vítimas que morreram sem conseguir vaga na UTI: “Vão chorar até quando?” 

Em vez de pular de palanque em palanque, provocando ilusão e aglomeração, o presidente poderia dar uma esticada ao Rio Grande do Sul e à Bahia, que estão contratando contêineres refrigerados para acomodar corpos. Cara a cara, gritaria para médicos e enfermeiros enfrentarem o problema “de frente” e pararem com esse mimimi, só porque assistem, impotentes, exaustos, a mais e mais pessoas morrendo dia e noite. “Chega de frescura, de mimimi!” 

Essa gente não consegue entender que é só uma gripezinha e que está no finalzinho. E daí? Todo mundo vai morrer mesmo. O que o presidente pode fazer, coitado? O STF não deixa, os governadores só falam em isolamento e os idiotas querem vacina. Ele não é coveiro. E tem uma leitoa pururuca deliciosa esperando. Tchau! 

Com recordes diários, sistemas de saúde e funerários à beira do colapso, os governadores enfrentam tanto a pandemia quanto a resistência dos bolsonaristas ao lockdown e às medidas restritivas, enquanto as vacinas não vêm. Bem atrasado, o general da Saúde anuncia a Pfizer e a Janssen, mas a guerra é contra o tempo: quanto mais a vacinação demora, mais o vírus se espalha e gera novas variantes. O risco é se tornarem resistentes às vacinas já disponíveis. 

Não adianta ter restrições em São Paulo e não no Rio, no Paraná, e não em Santa Catarina, só no Ceará e Bahia, no Nordeste, e não no Amazonas, no Norte. E isso vale para o mundo. Se vários países fizerem tudo certo e o Brasil continuar fazendo tudo errado, pode se tornar o celeiro exportador de novas variantes e uma ameaça planetária. Mimimi? 

Se autoridades brasileiras seguiram o “Deus” Donald Trump e acusaram a China de ter intencionalmente criado o vírus e provocado a pandemia, que tal agora Pequim pagar na mesma moeda e acusar o presidente do Brasil de deixar o vírus correr solto, se multiplicar e sofrer mutações para destruir a humanidade? 

Na pandemia, o Brasil vive uma tragédia. Na economia, acaba de sair da lista dos dez países mais ricos do mundo, enquanto o presidente afugenta investimentos ao intervir politicamente na Petrobrás e impor constantes humilhações ao ministro Paulo Guedes e estimula tentativas de furar o teto de gastos.  Não bastasse, Bolsonaro move mundos e fundos, GSI, AGU e as instâncias do Judiciário para bloquear as investigações que atingem o primogênito Flávio Bolsonaro, que se sente à vontade para comprar uma mansão de R$ 6 milhões em plena capital da República, sem explicar de onde vem a grana. O único cuidado foi buscar um cartoriozinho de Brazlândia, bem longe do centro, para esconder as peraltices. 

E não é que a mídia foi lá e descobriu tudo? Além de gerar pânico no País real pela pandemia, a mídia também gera pânico no mundo imaginário onde papai Jair dá de ombros para 260 mil mortos e só pensa em salvar um único pescoço: o do próprio filhote. O grito do senador Tasso Jereissati ecoa no País: “Tem de parar esse cara!”

Por Eliane Cantanhêde

QUANTO CUSTA?

Demorou, mas a oposição parece começar a acertar o tom e o passo para combater o malefício que Jair Bolsonaro causa ao Brasil. Recebi ontem um vídeo que abre com a pergunta que vai aí em cima, no título. Afinal, quanto este presidente custa ao país?

Como parece ser esta, a do bolso, a única variável capaz de sensibilizar uma parcela do eleitorado e da elite empresarial e financeira brasileira, o vídeo mostra, com dados e números, quanto a gestão temerária de Bolsonaro prejudica a atração de investimentos, a permanência de empresas no país, a imagem do Brasil junto a governos e organismos multilaterais internacionais e o enfrentamento à pandemia de Covid-19.

O tom é frio, didático, sem adjetivos. A cada diatribe bolsonaresca, é contraposto um dano claro, tangível em moeda, ao bolso dos que ainda, apesar de tudo, apoiam o presidente.

A descompostura pública não se atém ao chefe. Seus auxiliares também são expostos em todo o esplendor de sua incompetência e da constatação óbvia: nenhum deles seria ministro em qualquer governo minimamente normal.

Vale ver o vídeo, vale repassar para aqueles seus grupos de WhatsApp que, ainda hoje, 260 mil mortos depois, continuam dando eco a tanta maldade, tanta desinformação criminosa e tanto desprezo à vida cometidos pelo presidente, por seus auxiliares e puxa-sacos que usam microfones de empresas de comunicação antes sérias para cometer aleivosias da mesma natureza.

Não é só o vídeo do custo Bolsonaro que mostra que a chave da maioria dos brasileiros começou a virar, como, a muito custo, ocorreu na América capturada pelo trumpismo. Os governadores, alvos de um dos mais recentes chiliques do capitão, responderam com uma nota elegante, concisa, também ela recheada de fatos, e deixando claro que, sim, o governo federal decidiu não comprar vacinas quando elas eram negociadas entre os fabricantes e os países, lá atrás, no início do segundo semestre de 2020 e que, por isso, agora, estamos no fim da fila para imunizar nossa população.

O que a cobrança dos governadores e o vídeo fazem é justamente aquilo que tira Bolsonaro do sério: acuá-lo, chamá-lo a sua responsabilidade, já que o presidente, além de tudo, não gosta de trabalhar e é, antes de tudo, medroso. Morre de medo de panelaço, se pela de pavor de impeachment e fica virado no Jiraya quando sua popularidade cai nas pesquisas. Isso se deve ao fato de que, mesmo sendo intelectualmente prejudicado, ou justamente por isso, Bolsonaro sabe que chegou muito além de suas capacidades. Isso só se deu por uma série de circunstâncias de 2018 que, se espera, dificilmente se repetirão em 2022. Mas podem, sim, se repetir. Esse é o sonho do capitão acuado. Por isso ele vocifera todos os dias e tenta transformar o enfrentamento da pandemia num Fla-Flu entre ele e os governadores, na tentativa de fazer uma cortina de fumaça para a compra de uma mansão de R$ 6 milhões por seu filho Flávio Bolsonaro, na cara da Justiça que investiga seu esquema de rachadinhas.

Bolsonaro sabe que sua única chance de se reeleger é repetir o segundo turno contra o PT.

Também nisso o vídeo cirúrgico e a reação dos governadores avançam: nos tiram dessa polarização burra, velha, segundo a qual é ou Bolsonaro ou o PT. Se for essa a lógica a prevalecer, o presidente vai se reeleger. Porque tem a máquina e porque as pesquisas mostram que o antipetismo não retrocedeu. Se, por outro lado, se consolidar a constatação de que Bolsonaro é um risco à vida dos brasileiros e à economia do país, como de fato é, pode se construir uma alternativa viável para que superemos o pesadelo, que dependerá, também, da união de várias forças políticas, em uma ou poucas candidaturas com lastro social e projeto de país.

Por Vera Magalhães

NÃO É APENAS UMA FAIXA

O presidente da República não é apenas uma faixa ou uma pose. Espera-se que, por trás da faixa e da pose, exista uma noção qualquer de respeito, dignidade e pudor. Jair Bolsonaro ignora tais valores. Adota um comportamento desrespeitoso, indigno e despudorado. "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?", declarou Bolsonaro, sapateando sobre a memória dos mortos da Covid e a dor de suas famílias.

"Até quando vão ficar dentro de casa, até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso", afirmou Bolsonaro, num timbre economicida que desconsidera até as máximas do seu ministro Paulo Guedes: "Sem saúde não há economia. Sem vacinação em massa não existe crescimento consistente."

"Tem idiota nas redes sociais, na imprensa: 'Vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender!", disse Bolsonaro, sem medo do ridículo. Não há vacinas porque um hipotético presidente, em vez de ordenar a compra, pôs-se a dizer tolices a respeito do risco de os vacinados virarem jacaré.

Admirador dos Estados Unidos, Bolsonaro deveria buscar inspiração em Roosevelt, O ex-presidente americano dizia que a Presidência oferece àquele que a ocupa uma tribuna vitaminada. Chamava essa tribuna de bully pulpit —púlpito formidável, numa tradução livre.

De um bom presidente, ensinou Roosevelt, espera-se que aproveite o palanque privilegiado para irradiar confiança e bons exemplos. Há presidentes cujos exemplos sobrevivem à passagem dos séculos. Os exemplos de Bolsonaro só serão perfeitamente compreendidos no século passado.

Antes da pandemia, era evidente que o homem evoluiu do macaco. Como é evidente que, depois da Presidência de Bolsonaro, o homem já está voltando. Quem examina a atuação e as declarações do presidente, conclui que não convém confundir um certo sujeito com o sujeito certo. A Presidência de Bolsonaro não serve para nada. Ou, por outra, serve avacalhar o Brasil.

Por Josias de Souza

EM 7 VÍDEOS, COMO BOLSONARO SABOTOU A VACINAÇÃO CONTRA O VÍRUS

Os vídeos abaixo, aqui oferecidos em ordem cronológica, são uma pequena amostra do que disse o presidente Jair Bolsonaro de outubro último para cá a respeito da vacinação em massa contra a Covid. Todos estão postados no Youtube. Eles indicam com clareza que Bolsonaro sempre teve duas preocupações: pôr em dúvida a eficácia das vacinas e livrar-se de qualquer culpa pelo número de mortos.

1 Bolsonaro diz que vacina contra covid-19 “não será obrigatória, e ponto final” (19/10/2020)

2  Não seria mais fácil investir na cura do que na vacina?”, perguntou Bolsonaro (28/10/2020)

3  Bolsonaro diz que não vai tomar a vacina (18/12/2020)

4 Bolsonaro questiona ‘pressa’ para acessar vacina (20/12/2020)

5 Bolsonaro diz que fabricantes de vacinas contra covid-19 deveriam procurar o Brasil (28/12/2020)

6 Bolsonaro afirma que apenas 50% da população brasileira pretende tomar vacina contra a Covid-19 (7/1/2021)

7 Enquanto Mourão vê vacina como saída para crise, Bolsonaro volta a defender tratamento precoce(2/3/2021)

TEM GRAÇA?

O presidente Jair Bolsonaro riu na quinta-feira (4) ao comentar sobre o aumento de suicídios na pandemia do coronavírus. O mandatário ironizou a situação ao afirmar que já havia alertado sobre o aumento de mortes na crise.  O comentário foi feito durante sua live semanal ao lado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que também riu.

JÊNIO?

Submetido a panelaços e estatísticas duras de roer, Jair Bolsonaro declarou que dispõe de um plano para lidar com a pandemia. Esclareceu que a coisa só não foi implantada porque o Supremo Tribunal Federal não permitiu. Ouvido, um ministro da Suprema Corte ironizou: "Os brasileiros são seres azarados. Os mortos por Covid logo somarão 300 mil. Perdem a vida antes de conhecer os talentos ocultos do chefe da nação, Morrem sem saber que é um gênio o presidente do Brasil."

PAREM ESTE CARA!

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi enfático: “É preciso parar esse cara”, disse, em entrevista ao Estado, referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro. Político veterano, desses que já viram quase tudo na vida pública, Tasso Jereissati expressou sua estupefação com o comportamento do presidente, a quem infelizmente coube administrar o País em meio a uma das mais graves crises da história.

Bolsonaro não se limita a ser irresponsável ou omisso. Tornou-se nocivo, ao atrapalhar deliberadamente os esforços de profissionais de saúde e de autoridades públicas empenhados em conter o avanço da pandemia de covid-19.

ARREMESSO DE RESPONSABILIDADE

"Campeão mundial na modalidade do Arremesso de Responsabilidade à Distância e recordista na Maratona da Terceirização da Culpa, o presidente Jair Bolsonaro vem fazendo de tudo para jogar no colo dos governadores e prefeitos a profunda crise humanitária que ele mesmo criou. E diante da certeza de que nada acontecerá com ele, reforça aos brasileiros que a mentira como método de governar vale a pena. Desta vez, resolveu fazer 'contabilidade criativa', dizendo que está repassando muito mais dinheiro para que Estados combatam a covid-19 do que, de fato, repassou", analisa o colunista Leonardo Sakamoto.

ENTRE PLANOS E PANELAÇOS

Tudo indica que a pandemia no Brasil começou uma nova temporada de recordes sucessivos. Estamos nos aproximando dos 2 mil mortos por dia. Um pronunciamento de Jair Bolsonaro em cadeia nacional de rádio e TV foi cancelado. Mesmo sem aparecer, o presidente não escapou aos panelaços registrados em ao menos sete capitais: Rio, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. 

“Para a mídia, o vírus sou eu”, disse ele a apoiadores no Palácio da Alvorada. “Criaram pânico, né? O problema está aí, lamentamos. Mas você não pode entrar em pânico”, continuou, mais uma vez se pronunciando contra os fechamentos.

Mas ele tem a solução: um grande plano que só não foi posto em prática porque o STF não deixou… Pois é. A provocação veio após o pedido de secretários de saúde para que haja um toque de recolher nacional: “Se eu tiver poder para decidir, eu tenho o meu programa, o meu projeto, pronto para botar em prática no Brasil. Agora, preciso ter autoridade. Se o Supremo Tribunal Federal achar que pode dar o devido comando dessa causa a um poder central, que eu entendo ser legítimo e meu, eu estou pronto para botar o meu plano em prática”, afirmou o presidente. Desnecessário dizer que ele não deu nenhuma pista sobre o que seria tal “plano”. 

Sua fala se refere, claro, ao famoso episódio do ano passado, quando o Supremo decidiu que estados e municípios têm autonomia para tomar as medidas de isolamento necessárias. Apesar de a Corte nunca ter retirado a responsabilidade da União de realizar ações e coordenar o enfrentamento à covid-19, o fato tem sido usado por Bolsonaro desde então para jogar na conta exclusiva dos gestores locais todos os problemas da pandemia, desde o desemprego até as mortes.

O PROCESSO

A Controladoria-Geral da União (CGU) aceitou uma denúncia do deputado federal bolsonarista Alcíbio Nunes (PSL-RS) e abriu um processo contra professores universitários. O motivo? Eles fizeram críticas a Jair Bolsonaro. Entre os alvos do processo está Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas e epidemiologista responsável pelo Epicovid-19, o estudo sorológico que investiga o número real de infectados pelo SARS-CoV-2 – que foi abandonado pelo Ministério da Saúde por decisão do general Pazuello e, posteriormente, patrocinado por uma fundação privada. 

Hallal optou por não seguir com o processo, mas assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que não reconhece a culpa, mas se compromete a não descumprir, durante dois anos, o artigo da lei 8.112 que proíbe que funcionários públicos promovam manifestação de apreço ou desapreço na repartição. 

As críticas aconteceram no contexto das eleições para a UFPel, quando Bolsonaro não nomeou o primeiro colocado da lista tríplice. Mas Hallal já tinha ganhado a atenção do presidente antes, por conta da pandemia. “Três de quatro pessoas que morreram até hoje no Brasil de covid não deveriam ter morrido se o governo não tivesse cometido tantos erros. E obviamente, tenho que manter a minha posição científica. Não vou mudar minha posição científica por causa desse processo, ou de qualquer outro”, diz em uma entrevista à Agência Pública na qual detalha o caso.

MISSÃO IMPOSSÍVEL

Todo mundo com o mínimo bom senso parece concordar que a hora de fechar tudo já passou. Mas é difícil imaginar qualquer regra de confinamento dando certo sem que o problema do auxílio emergencial seja resolvido. Mais de 13 milhões de brasileiros estão desempregados e 33 milhões trabalham na informalidade, segundo os últimos dados da PNAD contínua. 

Ainda não sabemos quando o novo auxílio vai começar a circular, quem vai recebê-lo, nem mesmo o valor está realmente fechado. Na Câmara, a maioria dos líderes partidários decidiu votar a PEC Emergencial sem passar por nenhuma comissão, para acelerar o rito. A votação a jato despertou insegurança na oposição, considerando toda a pressão para atrelar o benefício a mecanismos de ajuste fiscal.

EMPRESAS PODERÃO COMPRAR

E a Câmara aprovou o projeto de lei que permite a compra de vacinas contra a covid-19 por estados, municípios e empresas. Os deputados não mudaram o texto que havia sido aprovado pelos senadores na semana passada, de modo que você já leu tudo sobre o PL aqui.

Mas para refrescar a memória: a iniciativa privada poderá comprar essas vacinas, desde que elas sejam autorizadas pela Anvisa e doadas integralmente ao SUS enquanto durar a vacinação dos grupos prioritários. Quando acabar essa etapa, o setor privado poderá comprar, distribuir e administrar vacinas, mas deverá doar pelo menos metade ao SUS. O restante precisa ser utilizado de forma gratuita e não poderá ser comercializado.

Estados e municípios também poderão comprar essas vacinas, desde que elas tenham registro da Anvisa ou autorização temporária no Brasil. Todos os entes, incluindo a União, poderão assumir a responsabilidade civil por eventos adversos pós-vacinação, como exigem as farmacêuticas. 

“Agora Bolsonaro não tem mais desculpa para não comprar as 70 milhões de doses que lhes foram oferecidas ano passado. Governadores e prefeitos podem acelerar o que Bolsonaro não faz e o setor privado, se quiser ajudar, não pode vender vacina”, afirmou o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), em entrevista à Folha

MEDO VERDADEIRO

No último dia 28 Jair Bolsonaro voltou a gritar contra os fechamentos, escrevendo no Facebook em letras garrafais: “HOJE, ao FECHAREM O COMÉRCIO e novamente te obrigar a FICAR EM CASA, vem o DESEMPREGO EM MASSA com consequências desastrosas para todo o Brasil”.

Desnecessário dizer que esse argumento encontra eco na população. E não sem razão de ser, já que a necessidade de se manter financeiramente é real. Um levantamento do Instituto Travessia para o Valor indica que 11% das mil pessoas entrevistadas precisaram cortar até a compra de itens básicos em 2020, mesmo tendo havido auxílio emergencial. Quando perguntadas sobre sua maior preocupação para 2021, 38% citaram o desemprego. Foi o maior medo, seguido por “segurança” (18%), “inflação” (15%), “falta de vacina” (14%), “piora no atendimento a pacientes com covid” (8%) e “crise política” (7%).

Não por acaso, a pesquisa mostra que a defesa de medidas severas caiu: em abril de 2020, 57% queriam o amplo fechamento do comércio e outras restrições à mobilidade. Agora, são 39% e, em contraste, 52% defendem um “isolamento parcial”. Para o azar do presidente, isso não significa que essas pessoas estejam de acordo com sua condução na pandemia. Ao contrário, 66% disseram não confiar na sua capacidade de gerenciar a crise.

Enquanto isso, entramos no terceiro mês sem auxílio emergencial.

PADRE PORRETA

Fundador da Diocese de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ), onde atuou durante 24 anos, bispo desde 1974, dom Mauro Morelli também coordenou a campanha de combate à fome no início dos anos 1990, ao lado do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Nesta semana ele gravou mensagem dirigida especialmente a Jair Bolsonaro, defendendo vacinação em massa, auxílio emergencial e respeito à ciência. E pediu que o presidente da República “saia das trevas” e cuide da população.

PADRE DOS BONS

Na manhã do último domingo (28), um pronunciamento indignado sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro também ecoou no altar da Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade de Guarabira, na Paraíba. O Padre Adauto Tavares, mostrou toda a sua indignação perante a gestão do presidente Jair Bolsonaro com relação a pandemia do novo coronavírus. O religioso criticou duramente o presidente e o classificou como “genocida, irresponsável e imoral”.

GENTE DE BEM

O médico infectologista José Eduardo Panini foi espancado com socos e pontapés após alertar pessoas conhecidas sobre a gravidade da pandemia da Covid-19 e comunicá-las a respeito das medidas restritivas que seriam adotadas no Paraná. As agressões ocorreram na cidade de Toledo (PR) na última sexta-feira (26). Em uma publicação no Instagram, o infectologista deu detalhes sobre a agressão. Na postagem, o médico afirmou que, antes de ser agredido, havia saído de uma reunião que durou horas “para determinar o que seria ou não fechado, baseado num Decreto do Estado do Paraná”. “Ao alertar sobre os riscos a pessoas conhecidas, a resposta que me foi dada foram chutes e socos, enquanto um me segurava o outro me agredia. Enfim, pessoas assim que ajudaram a situação chegar onde está!”, disse o infectologista.

FRASES DA SEMANA

“Estamos vivendo um momento de desvalorização da vida, em que pessoas nos deixam e passam a ser tratadas puramente como números. É muito triste o que acontece, e legítimo o sentimento de abandono que as pessoas têm pelo Brasil afora”. (Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo)

“Não é pelo leitão, mas pela descontração festiva da mesa farta de altas gargalhadas no mesmo dia em que os cemitérios mais receberam corpos de vítimas do vírus. Choca. Afronta. Enoja”. (Fabio Trad, deputado federal do PSD-MS, sobre o almoço oferecido por Bolsonaro no Alvorada)

“Querem me culpar pelas 200 e tantas mil mortes. O Brasil é o 20º país do mundo em mortes por milhão de habitantes. A gente lamenta? Lamentamos. Mas tem outros países com IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] melhor que o meu em que morre mais gente”. (Jair Bolsonaro)

“Vamos ter pessoas morrendo em casa ou na porta dos hospitais porque não vamos ter onde interná-las. Vamos ter um cenário de guerra”. (Thaís Guimarães, médica infectologista e presidente da Comissão de Infectologia do Hospital das Clínicas, sobre o agravamento da pandemia)

“O conteúdo das mensagens às vezes dá asco. A ideia, por exemplo, de transferir alguém para um presídio, para que fale ou delate; de alongar a prisão. […] O que significa? Conversa de procuradores ou é conversa de gente do PCC?” (Gilmar Mendes, ministro, sobre a Lava Jato)

“Qual o interesse dos demagogos? Eles pensam: está todo mundo cansado de ficar em casa, vou dizer que pode sair, que pare com essa besteira de epidemia, não é assim, não pega assim desse jeito, o vírus não é uma doença grave”. (Drauzio Varella, sobre o comportamento de Bolsonaro)

 “O ex-presidente Lula merece o julgamento do Supremo Tribunal Federal de forma isenta, com menos pressão. A pressão que a imprensa fazia no passado em qualquer destes julgamentos era desproporcional ao direito de defesa de qualquer cidadão”. (Rodrigo Maia, deputado do DEM-RJ)


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