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Sexta-Feira 05.mar.2021

Ano IX - Nº 432

Coluna

Acordo em Lima não resolve crise ambiental

Países pobres e ricos não chegaram a um acordo aprofundado sobre quem pagará o ônus do desenvolvimento.

Postado em 18 de Dezembro de 2014 - Redação Semana On

O texto final, O texto final, "Chamamento de Lima para a Ação sobre o Clima", aponta os elementos principais do próximo acordo global do clima, a ser assinado no fim do ano que vem em Paris.

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Com países ricos fazendo algumas concessões após o tempo regulamentar de negociações da Conferência do Clima da ONU em Lima, no Peru, as nações chegaram a um consenso na madrugada do último dia 14.

O texto final, "Chamamento de Lima para a Ação sobre o Clima", aponta os elementos principais do próximo acordo global do clima, a ser assinado no fim do ano que vem em Paris. Além disso, estabelece a maneira com que países vão comunicar suas intenções de contribuições nacionais para redução de emissões de gases de efeito-estufa no período pós-2030.

Após um texto que buscava apagar distinções entre países pobres e ricos que vêm desde a Convenção do Clima da ONU ter sido criada em 1992, países ricos voltaram atrás. A versão final deixa claro que as responsabilidades são diferenciadas.

O novo texto também aponta que as contribuições nacionais de redução de emissões deverão ser anunciadas no primeiro trimestre de 2015, ao lado de metas importantes para adaptação à mudança climática -outra demanda das nações em desenvolvimento. Dessa forma, cada país deverá poder exibir o que pretende fazer para lidar com a extensão da mudança climática que já é inevitável.

Em julho, as contribuições anunciadas por todos os países serão reunidas em um estudo para avaliação, uma etapa essencial para o acordo a ser fechado em Paris, de forma que possam ser avaliadas.

O bloco dos países africanos, representados pelo Sudão, pediu ainda referências a como tratar de "perdas e danos" –a compensação que países ricos devem dar a países que sofrem ou estão na iminência de sofrer impactos do aquecimento global, como tempestades e secas mais frequentes–, o que foi aceito pelos países ricos.

Entraves

Sobreviveu o princípio das "responsabilidades comuns, mas diferenciadas", de que sempre se valeram os menos desenvolvidos para escapar de assumir metas. Todos têm de comparecer, daqui em diante, ainda que "à luz das diferentes circunstâncias nacionais".

Traduzindo: China (maior emissor de CO2), Índia (terceiro, depois dos EUA) e Brasil (sexto) também estão obrigados a publicar planos para reduzir carbono. Uma vitória das nações desenvolvidas.

A União Europeia tem as metas mais ambiciosas: cortar 30% das emissões até 2020 e 40% até 2030, ante 1990. Os EUA prometem redução de 26% a 28% até 2025, mas na comparação com 2005.

O Brasil mantém que até 2020 reduzirá 36% a 39% do nível de suas emissões em 1990, graças à queda no desmatamento (nossa maior fonte de carbono). A China só fala em reduzir o ritmo de aumento da poluição, para zerá-lo em 2030. A Índia até aqui se fez de muda.

Não houve progresso na eterna questão do dinheiro. Países pobres, que contribuíram menos historicamente para o aquecimento, mas sofrerão os piores impactos, exigem fundos dos ricos para prevenir catástrofes e adotar tecnologias limpas.

Com meros US$ 10 bilhões anuais comprometidos, nunca se esteve tão longe do objetivo anterior de levantar US$ 100 bilhões ao ano. O máximo que as nações menos desenvolvidas conseguiram foi cravar no texto as noções de fundos para adaptação e para "perdas e danos".


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