Semana On

Quinta-Feira 28.jan.2021

Ano IX - Nº 427

Comportamento

Medo foi sentimento mais comum entre brasileiros no 1º semestre da pandemia, constata pesquisa sobre saúde mental

Segundo professora da UFMG, 'transmitir o coronavírus para pessoas queridas foi o que mais apavorou a população'. Questionário on-line foi respondido por 200 mil profissionais da saúde e 8 mil pessoas de outras áreas

Postado em 12 de Janeiro de 2021 - Thaís Leocádio - G1 Minas

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Qual o impacto da pandemia na saúde mental da população? Uma pesquisa que ouviu mais de 200 mil pessoas documentou o que já era esperado: o medo foi o principal sentimento dos brasileiros ao longo do primeiro semestre de convivência com o coronavírus.

Segundo a professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Débora Marques de Miranda, a angústia veio principalmente do temor de levar a doença do trabalho para dentro de casa.

"O primeiro dado que a gente conseguiu extrair foi o aumento da sensação de estresse da população em geral e de profissionais de saúde. Mais ainda nos profissionais de saúde. O medo de transmitir a doença para pessoas queridas foi o que mais apavorou a nossa população, o que mais gerou a sensação de estresse", disse a pesquisadora.

O estudo é realizado pela UFMG em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Associação Brasileira de Impulsividade e Patologia Dual (ABIPD), Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), Universidade do Texas e Mackenzie.

Ao todo, 200 mil profissionais de saúde e 8 mil pessoas de outras áreas participaram da pesquisa através de um formulário on-line. As respostas foram documentadas, analisadas e servirão de apoio para planejamento de condutas médicas e políticas públicas.

"As pessoas estavam com tanto medo que elas muitas vezes tinham sintomas, às vezes sem estar com a infecção, inferindo por somatização que poderiam estar com a doença", exemplificou a professora.

Os participantes recebem um relatório e, quando necessário, são alertados sobre a necessidade de procurar ajuda profissional.

Próximos passos

Em dezembro de 2020, os pesquisadores deram início à segunda fase da pesquisa. A ideia, agora, é mapear esse novo momento da pandemia de coronavírus e documentar como é que as pessoas estão sobrevivendo ao processo.

"No princípio houve o susto. E depois de tanto isolamento social, para quem o fez, de tanta confusão, de começar a sentir a complicação econômica, de sentir os efeitos do isolamento, da sobrecarga e de mudança de rotina?", questionou a médica.

Quem quiser participar da segunda fase do estudo pode preencher o formulário disponível no site da ABP. É necessário ter mais de 20 anos e não é preciso ter contribuído com a etapa anterior do estudo.

"Quanto mais tempo a pessoa fica isolada, sob ameaça, pior é em termos de saúde mental. A gente espera uma piora do estado de saúde mental nessa segunda fase". A pesquisadora informou que estão previstas novas etapas, de seis em seis meses, para que a pandemia seja caracterizada em sua totalidade.

"Nas fases subsequentes, estamos esperançosos de que a gente tenha boas perspectivas, com resiliência da população. Um desejo grande que nossa brasilidade de saber sobreviver prevaleça. Que a gente consiga sobreviver a tanta desordem que a pandemia promoveu", afirmou a professora.


Voltar


Comente sobre essa publicação...