Semana On

Terça-Feira 19.jan.2021

Ano IX - Nº 426

Ecologia

Brasil encerra 2020 com maior número de focos de queimadas em uma década

Pantanal registrou maior quantidade de focos de incêndio desde o início da série histórica, em 1998. Focos de queimada na Amazônia subiram 15% em relação a 2019

Postado em 05 de Janeiro de 2021 - DW, Sul21 – Edição Semana On

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O Brasil encerrou 2020 com o maior número de focos de queimadas em uma década, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No ano passado, o país registrou 222.798 focos, contra 197.632 em 2019, um aumento de 12,7%. Os números só ficam atrás do recorde de 2010, quando o país registrou cerca de 319 mil focos.

O destaque negativo do ano foi no Pantanal, que registrou 22.119 focos de queimadas, cerca de 120% a mais que no ano anterior. Em 2019, foram 10.025 registros no Pantanal; Também foi o maior número de queimadas observadas no bioma desde o início da série histórica do Inpe, em 1998. Também foi o maior aumento de focos entre todos os biomas brasileiros.

Ao longo de 2020, as queimadas do Pantanal ganharam destaque internacional, tal como havia ocorrido com a Amazônia em 2019. Imagens de animais carbonizados estamparam as páginas de jornais pelo mundo e o governo Jair Bolsonaro foi novamente criticado pela falta de ação em conter a destruição ambiental.

O Inpe registrou, até novembro, mais de 40 mil km² de devastação. Ou seja, 30% do bioma foi devastado pelo fogo em 2020.

Os números do Inpe também mostram que os incêndios persistiram na Amazônia em 2020. A floresta registrou 103.161 focos de queimadas, antes 89.171 em 2019, um aumento de 15,7%, o maior número contabilizado pelo Inpe desde 2017.

O bioma ainda sofreu com desmatamento. A taxa oficial de desmatamento da maior floresta tropical do mundo em 2020, de 11.088 km², foi 70% maior que a média da década anterior (6.500 km² por ano). Junto com as queimadas, essa fonte foi responsável por 72% das emissões do Brasil em 2019, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Inquérito da PF que apura fogo no Pantanal está à espera de laudos há 3 meses

Três meses e meio depois de a Polícia Federal (PF) desencadear uma operação para investigar os responsáveis pelo fogo que consumiu o Pantanal ao longo de 2020, laudos periciais requisitados na época ainda não estão prontos.

Com isso, o inquérito instaurado depois da Operação Matáá – “fogo” no idioma guató –, deflagrada em 14 de setembro, ainda não conseguiu apontar nenhum responsável. Segundo reportagem de Leandro Prazeres, em O Globo, publicada no último dia 3, a PF considera tais laudos fundamentais para dar continuidade às investigações.

A operação mirava cinco fazendeiros da região. A suspeita é que os proprietários rurais realizaram queimadas em uma espécie de “Dia do Fogo”. Computadores e celulares foram apreendidos na ocasião. Os equipamentos foram enviados para a perícia, mas a análise não ficou pronta. Na época da operação, a PF informou que iria analisar mensagens trocadas entre ruralistas para averiguar essa questão.


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