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Sexta-Feira 07.mai.2021

Ano IX - Nº 441

Saúde

Cientistas pedem restrições e toque de recolher para frear covid no Brasil

País volta a registrar mais de mil mortes por dia por covid-19

Postado em 18 de Dezembro de 2020 - Nathan Lopes (UOL), DW - Edição Semana On

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Com o Brasil batendo recorde em número de mortes devido ao novo coronavírus, o Observatório Covid-19 BR defendeu medidas de restrições mais duras para interromper a tendência de crescimento da pandemia no país.

O Observatório Covid-19 BR é uma iniciativa independente de pesquisadores do Brasil e do exterior para disseminar descobertas sobre a nova doença.

"A diretriz básica seria o fechamento do comércio e serviços não essenciais", diz o comunicado do grupo, que é contra o funcionamento de restaurantes e academias, além de discordar da realização de festas e eventos neste momento. "Eventualmente e localizadamente, pode ser necessária a decretação de toque de recolher noturno."

Atualmente, o país já ultrapassou os 7 milhões de casos oficiais e está perto de atingir a marca de 185 mil mortes. Os dados, em números absolutos, mostram que o Brasil tem o segundo pior cenário do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Restrições já

As restrições, na opinião do grupo, têm que começar agora, antes do Natal, e seguir até ao menos meados de janeiro para uma reavaliação. Os especialistas ressaltam o distanciamento social como uma das ferramentas para evitar o contágio. A defesa do grupo é para que as medidas sejam implementadas nas localidades em que haja tendência de crescimento da pandemia.

"A catástrofe que se anuncia não vai se reverter de forma natural. A lógica de multiplicação de casos é simples e incomplacente: novos casos geram outros novos casos. Não podemos colocar a perder todo o esforço feito até agora. Com o aumento de casos e a saturação do sistema de saúde em vários estados, somados às festas de final de ano que se aproximam, é imperativo que medidas sejam tomadas com a urgência necessária, de modo que possamos reduzir o número de vidas perdidas”, traz a nota do observatório.

"Nunca é muito tarde para reagir"

Integrante do grupo, Lorena Barberia, professora do Departamento de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo), diz que o comunicado é para mostrar que "nunca é muito tarde para reagir".

"E este é um momento muito importante para a gente reagir. Quando houve cenários parecidos [de intensificação da pandemia] no passado, foram necessárias medidas mais rígidas para reverter esse quadro."

“Se isso funcionou no passado, por que este não seria o momento para adotar as mesmas [medidas]?”, questiona Lorena Barberia, membro do Observatório Covid-19 BR.

Governos não têm implementado medidas mais duras. Em Búzios (RJ), por exemplo, restrições foram adotadas por determinação da Justiça.

"A gente está vendo aqui um novo crescimento depois de uma queda. Esse novo crescimento precisa ser interrompido", diz Roberto Kraenkel, professor do IFT (Instituto de Física Teórica) da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e membro do observatório. "A gente está vendo uma subida de casos. E ela não tem nenhuma razão de parar agora."

Nos angustia ver uma inversão na tendência de número de casos. [Ver] casos subindo e mortos subindo”, diz Roberto Kraenkel, membro do Observatório Covid-19 BR.

O estado de São Paulo chegou a regredir no plano de reabertura. Mas as decisões do governo são alvos de críticas por parte do observatório. Bares e restaurantes, por exemplo, podem continuar abertos, mas por menos tempo, pela determinação do governo paulista.

Segundo o estado, as novas regras se fizeram necessárias devido ao aumento das internações entre jovens. Entre março e novembro, a faixa etária com maior demanda por leitos se dava entre 55 e 75 anos. No começo de dezembro, caiu para a faixa entre 30 e 50 anos.

"Não adianta dizer que o bar pode ficar aberto e depois dizer para o sujeito não ir para o bar. Isso gera mensagens contraditórias", diz Kraenkel. "O governo tem que se claro sobre o que pode ou o que não pode. Não vamos esperar uma auto-organização da sociedade nesse sentido. Se está permitido fazer as coisas, o cidadão as faz porque não há nada que proíba. Junta isso com um certo cansaço e a sensação de que isso não acaba nunca mais, e você acaba tendo um monte de gente na rua”.

Para Kraenkel, as pessoas não podem deixar de cumprir as medidas de proteção contra a pandemia em razão da expectativa pela vacina contra a covid-19.

Na visão dele, quem faz isso está "de acordo que, dentro desses dois, três meses, morram mais pessoas do que é necessário morrer". "Ainda acho que o esclarecimento da população é importante. O objetivo final é diminuir o número de mortes, de casos. E isso é alcançado com o distanciamento", diz o professor.

Barberia complementa: "Para uma campanha de vacinação dar certo, é crítico que a pandemia esteja controlada".

Brasil volta a registrar mais de mil mortes por dia por covid-19

O Brasil registrou oficialmente 69.826 novos casos confirmados de covid-19 e 1.092 mortes ligadas à doença no último dia 17, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) e pelo Ministério da Saúde.

A última vez que o número diário de mortos no país havia ficado acima da marca de 1 mil foi em 30 de setembro, quando 1.031 pessoas morreram.

Com isso, o total de infecções identificadas no país subiu para 7.110.434, enquanto os óbitos chegam a 184.827.

O Conass não divulga número de recuperados. Na terça-feira, o Ministério da Saúde apontou que 6.177.702 pacientes se recuperaram da doença.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

A taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes subiu para 88 no Brasil, a 16ª mais alta do mundo, quando desconsiderados os países nanicos San Marino e Andorra.

Em números absolutos, o Brasil é o terceiro país do mundo com mais infecções, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam mais de 16,9 milhões de casos, e da Índia, com 9,9 milhões. Mas é o segundo em número absoluto de mortos, já que mais de 307 mil pessoas morreram nos EUA.

Ao todo, mais de 74,7 milhões de pessoas já contraíram o coronavírus no mundo, e 1,66 milhão de pacientes morreram em decorrência da doença.


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