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Terça-Feira 11.mai.2021

Ano IX - Nº 442

Coluna

A máscara no queixo é coisa nossa

Papadas e queixos duplos estão com os dias contados. Podem apostar (...) Podem esquecer os cremes caros

Postado em 16 de Dezembro de 2020 - Theresa Hilcar

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Papadas e queixos duplos estão com os dias contados. Podem apostar, os brasileiros estão descobrindo novo método que vai revolucionar a medicina estética. Podem esquecer os cremes caros, procedimentos sofisticados ou cirurgia plástica. De forma bastante simples, e baixíssimo custo vamos acabar com aquele volume desagradável debaixo do queixo.

Que vale dizer, é bastante democrático. A papada e o queixo duplo podem aparecer em qualquer pessoa, não importa a idade. Por isto adolescentes, adultos e idosos, mulheres e homens, todos estão aderindo ao equipamento que, diga-se de passagem, tem tecnologia made in Brasil. Não precisamos importar nada. Muito menos da China, da Inglaterra, Canadá ou Austrália. 

A bem da verdade, pode ser que tenha ali um outro componente da China, já que o país que tem forte apelo na indústria têxtil. Mas a mão de obra é totalmente nossa. Verde e amarela, claro! No entanto, e para o produto ficar bem ao gosto e ao alcance do nosso bolso, tiveram que lançar mão aí dos tecidos chineses. É normal, faz parte do jogo.

Enfim, o importante mesmo é entender que o equipamento virou moda entre 9 de cada 10 brasileiros. Tenho a sensação que muito brevemente estaremos colhendo os louros desta importante invenção. Aguardem só.

Porque é impressionante a aceitação do nosso povo. Você sai na rua e todo mundo está usando o mesmo modelo. Por enquanto, claro, e por conta desta Pandemia, não sabemos os resultados efetivos do equipamento. Mas acredito que nenhum cientista ainda se debruçou sobre o tema. Falta um pouco de interesse e boa vontade por parte deles, convenhamos.

Mas acho difícil alguém contestar os benefícios. Afinal todos nós sabemos que brasileiro é muito antenado. A gente aqui fica sabendo das notícias antes de qualquer outro País do mundo. É uma coisa meio cultural, ancestral eu diria. Temos uma sabedoria inata. Coisa de louco. Sem contar o Zap que, cá pra nós, ajuda um bocado.

A esta altura, claro, todo mundo já sabe que estou falando aqui daquela coisa singela, mas altamente eficiente, conhecida como máscara de proteção. É dela mesmo que estou falando. Vejam só a nossa perspicácia: a gente aproveitou uma coisa que é da área da saúde e para ajudar as pessoas com problema de beleza. Um fenômeno de criatividade.

Os franceses, que se acham experts em fazer cremes para tudo, não sabem que a invenção brasileira vai dar de mil naquelas misturas que custam o olho da cara. Mas ando desconfiada que já tem gente querendo copiar do Brasil.

Outro dia vi no Instagram uma publicação meio suspeita de um produto similar ao nosso, chamado “cinta estética”. Percebi logo que é coisa de estrangeiro querendo enganar brasileiro. A gente não pode deixar isto daí acontecer. Ninguém vai passar na nossa frente.

Então vai aqui o alerta: não se deixem iludir por falsas promessas e anúncios enfeitadinhos. A bola da vez é a máscara no queixo. E é nossa. É do Brasil! Ela é o novo ultrassom, a radiofrequência da vez, a lipo ao alcance de todos, a Lâncome brasileira.

Deixa só aparecerem os resultados, que devem sair em breve (depois que este vírus chinês for embora), para o Brasil começar a importar a Invenção. Todo mundo vai colocar na vitrine e ganhar dinheiro. Anota aí.

A indústria brasileira vai dar um salto. Serão milhares de trabalhadores colocando a mão na massa. Ou melhor, na máscara. Que ao invés de cobrir o rosto (por sugestão dos infectologistas) fica bem melhor no queixo, claro! E de máscara a gente entende mais que os italianos lá de Veneza.

Vou dar até uma sugestão de slogam: Proteção dupla, contra Covid 19 e papadas em geral. Depois é só imprimir o rótulo dizendo que o produto é 100% garantido. E o melhor de tudo, ninguém vai pedir o dinheiro de volta. Negócio da China. Quer dizer, do Brasil! Eita nóis.


Publicado originalmente no jornal Correio do Estado


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