Semana On

Domingo 17.jan.2021

Ano IX - Nº 426

Cultura e Entretenimento

Obra criada por pesquisadores da UEMS concorreu ao prêmio Jabuti

Coletânea foi criada para ser utilizada como material didático pedagógico nas escolas indígenas do estado

Postado em 25 de Novembro de 2020 - Redação Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A coletânea de livros “Itúkeovo Têrenoe” concorreu ao Prêmio Jabuti, uma das maiores premiações literária da América Latina. O livro foi publicado em 2019, por meio do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e do Ipedi e é fruto de um trabalho de pós doutorado produzido na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). A organizadora da Coletânea, professora Denise Silva desenvolveu o trabalho de pesquisa e criação dos livros junto a professores indígenas de Miranda, durante a Especialização em Língua e Cultura Terena, oferecida pela UEMS em 2017 e 2018.

A coletânea foi criada para ser utilizada como material didático pedagógico nas escolas indígenas do estado. Escolas de Miranda, Nioaque, Dois Irmãos do Buriti, Campo Grande e Aquidauana receberam a coletânea. “Cada livro aborda uma temática, cultura, dança, instrumentos musicais, contos e lendas, alimentação. Todo esse arcabouço da Cultura Terena, produzido por professores Terenas”, explica a professora Denise Silva.

A produção de livros por professores indígenas foi realizada durante a Especialização em Língua e Cultura Terena, oferecida pela UEMS. O projeto envolveu diversos professores com o desenvolvimento de várias pesquisas na área. Um desses professores é o indígena da etnia Terena, Gérson Rodrigues. Ele é formado em Pedagogia e trabalha como coordenador na Escola Municipal Indígena Extensão José Balbino, na Aldeia Babaçu.  “Participar da Especialização foi uma experiência riquíssima, pude aprender mais sobre a Língua e Cultura do meu povo através da Literatura trazida pelos professores e pelas experiências compartilhadas pelos colegas. Diferente das outras pós-graduação, pude sentir que esta ofertada pela UEMS, tinha sua singularidade, visto que a preocupação por parte da coordenação do curso era desde o momento em que os alunos saiam da aldeia até a alimentação e estadia em Campo Grande. Algo que me deixou bastante feliz foi poder apresentar meu TCC na minha comunidade, esse fato quebra o protocolo de formalidade impostas pelas instituições de Ensino Superior, é importante levar a Universidade até as Comunidades para que os saberes científicos e tradicionais trilhem juntos e ambos sejam valorizados”, conta Gérson.

Hoje, o professor Gérson adota em sua escola a coletânea de livros “Itúkeovo Têrenoe”, solicitando aos professores que usem o material didático com as crianças Terenas. “Não temos muitos materiais pedagógicos indígenas e seria uma barbaridade não aproveitar este, ainda mais tendo colaboradores e autores que são professores na nossa escola”, afirma Gérson.

Sobre o Prêmio Jabuti, Gérson se sente feliz pela valorização da cultura Indígena. “Esse material é importante de várias formas, pois torna-se uma potente ferramenta pra valorização dos nossos conhecimentos e cultura, mostra que somos capazes de produzir materiais que auxiliam na educação escolar indígena e na documentação da Língua Terena, incentiva os nossos professores  indígenas a se tornarem pesquisadores, também mostra para as crianças da aldeia que temos um lugar no mundo, que podemos ter representatividade em livros também como autores, como seres que tem suas línguas e escritas em papel, entre outros”, enfatiza o professor indígena.

Para o professor Antônio Carlos Santana, orientador da pesquisa que originou a coletânea, os livros são um marco para a Língua Terena e para o Povo Terena, independente do Prêmio. “É um registro acadêmico-científico de uma língua que se perpetuará para as futuras gerações”, disse o professor Antônio Carlos.

A coletânea Itukeovo Terenoe concorreu na categoria Inovação. “Foi uma alegria muito grande para nós. É o maior prêmio da Literatura Brasileira e também da América Latina, então saber que nível produzido aqui Miranda pelos professores indígenas pode colocar a Língua e a Cultura Indígena nesse patamar, é um orgulho”, comemora a professora Denise Silva.


Voltar


Comente sobre essa publicação...