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Sábado 16.jan.2021

Ano IX - Nº 426

Mundo

As eleições de 2020 foram as mais seguras da história dos EUA, diz agência oficial de segurança cibernética

Biden inicia seu próprio processo de transição, alheio ao bloqueio de Trump

Postado em 13 de Novembro de 2020 - El País, Yolanda Monge (El País) - Edição Semana On

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A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) garantiu que as eleições presidenciais deste ano foram as mais seguras da história dos Estados Unidos. “As eleições de 3 de novembro foram as mais seguras da história dos Estados Unidos. Neste momento, em todo o país, as autoridades eleitorais estão revisando e voltando a revisar todo o processo eleitoral antes de finalizar o resultado”, afirmam em um comunicado divulgado na tarde de quinta-feira: “Não há evidências de que um sistema de votação tenha apagado, perdido ou alterado as cédulas, ou que tenha sido hackeado de alguma forma”, observaram no documento.

“Embora saibamos que nosso processo eleitoral é objeto de muitas reivindicações infundadas e campanhas de desinformação, podemos assegurar-lhes que temos absoluta confiança na segurança e integridade de nossas eleições”, insistiram essas autoridades no documento. Essas alegações contradizem as acusações de fraude do presidente Donald Trump e sua equipe advogados, que ainda se recusam a reconhecer a derrota do republicano para seu rival democrata Joe Biden.

No último dia 12, uma auditoria pós-eleitoral realizada no Arizona revelou não ter encontrado evidências de fraude no Estado nas eleições presidenciais. Os documentos foram divulgados pela secretária de Estado do território, Katie Hobbs. As análises foram conduzidas em metade de todos os condados que compõem o Arizona, incluindo os quatro maiores, onde residem 86% dos eleitores. O Arizona mantém a menor margem entre Trump e o presidente eleito Joe Biden em todo o país. Biden tem uma vantagem de 11.537 votos, ou 0,34%, sobre Trump, de acordo com dados da CNN. Segundo o gabinete de Hobbs, ainda há 25.000 votos a serem contados.

Transição

Ao meio-dia de 20 de janeiro de 2021, Joseph R. Biden prestará juramento como o 46º presidente dos Estados Unidos. É o que estabelece a Constituição norte-americana. Se a tendência continuar como até agora, tudo indica que Donald Trump não terá reconhecido sua derrota, nem terá convidado Biden para a Casa Branca e inclusive não comparecerá à cerimônia de posse em janeiro. O estardalhaço de Trump terá forçado a equipe de transição de Biden a ser criativa e buscar caminhos que lhe permitam estar operacional no poder naquele dia 20, apesar da grave obstrução sem precedentes praticada pela Administração de Trump.

O editorial do jornal The New York Times de quinta-feira (12) diz que “a transição presidencial deve continuar”, como nos espetáculos, mesmo que a prima donna tenha ficado com o coração partido ou tenha perdido um ente querido. Nos Estados Unidos de novembro de 2020, a prima donna está tendo um acesso de raiva e não está lidando muito bem com os resultados que a democracia deu. Portanto, em vez de realizar seu trabalho com a integridade e a dignidade que um processo tão consagrado quanto a transição de poder exige, o atual presidente dos Estados Unidos não está governando nem facilitando o caminho para aqueles que irão governar e, em vez disso, está se protegendo atrás de uma legião de advogados que entram com ações judiciais em muitos Estados contra o que consideram votos fraudulentos, enquanto continua sua dialética cáustica no Twitter.

Até o momento, embora pareça que essa predisposição esteja mudando, não apenas era preocupante que o presidente estivesse em negação total da realidade ―Trump sempre será Trump―, mas também o alto número de líderes republicanos que estavam consentindo o acesso de raiva. Seria faltar com a verdade dizer que há uma correria de republicanos que se lançam para reconhecer a vitória de Joe Biden, mas a verdade é que cresce o número de assessores ou políticos do partido de Lincoln que começam a ver a luz dos resultados eleitorais. O governador de Ohio, Mike DeWine, declarou na quinta-feira que “precisamos considerar o ex-vice-presidente como presidente eleito”. “Joe Biden é o presidente eleito”, concluiu.

Do veterano Karl Rove, peça-chave na Administração de George W. Bush e que mais tarde trabalhou como assessor na campanha de Trump, até ao menos quatro senadores cumprimentaram Joe Biden pela vitória. Rove escreveu esta semana um artigo de opinião no The Wall Street Journal com um título categórico: “Os resultados das eleições não serão anulados.”

Nos mais de 70 dias ―mais de 10 semanas― que irão do último sábado, quando Joe Biden foi anunciado vencedor das eleições presidenciais de 2020, até sua posse nas escadarias do Congresso em 20 de janeiro, o presidente eleito terá de recorrer à longa lista de amigos, assessores e auxiliares com conexões em todos os quadrantes do Governo que cultivou nas quase cinco décadas em que conviveu com os círculos do poder de Washington. Nesse trabalho ajudará o fato de que, afinal de contas, os democratas só estiveram fora do poder nos últimos quatro anos. Essas conexões e essa experiência já estão se refletindo na equipe que Biden começou a formar, ao nomear como chefe de Gabinete Ron Klain, um insider da política que participou, de uma forma ou de outra, de todos os Governos democratas desde Bill Clinton.

Mesmo assim, os democratas sabem que lhes dificultaram muito as coisas e que nada do que inventarem poderá substituir uma transição de poder feita corretamente, com o tipo de cooperação que Barack Obama ofereceu a Donald Trump em 2016 ou que outros muitos presidentes deram aos seus sucessores. Certamente, do que nunca houve notícia é que, por exemplo, uma Administração tenha se recusado a entregar as mensagens dos líderes mundiais que estão sendo enviadas a Biden. De acordo com a rede de televisão CNN, o Departamento de Estado se recusa a entregar a Biden e a sua equipe de transição dúzias de mensagens enviadas a ele por líderes estrangeiros. Diante de tal situação, o próprio Biden está telefonando para esses chefes de Estado, o que implica uma ruptura dos protocolos de segurança, por exemplo, uma vez que as ligações não são controladas pelo Pentágono e ficam à mercê de agentes que trabalham para Governos inimigos dos EUA.

O Departamento de Estado costuma organizar as comunicações com os presidentes eleitos, mas a Administração Trump negou à sua equipe de transição o acesso aos fundos, à informação e aos contatos necessários para iniciar essa tarefa. Biden, no entanto, conversou com líderes mundiais como a chanceler alemã Angela Merkel; o presidente francês, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ou seu colega irlandês, Micheál Martin.

A ordem de Trump de proibir contatos entre os funcionários de inteligência da atual Administração e a equipe de Biden torna impossível usar as informações necessárias sobre possíveis ameaças estrangeiras aos Estados Unidos e inclusive as novidades ou acontecimentos que forem se sucedendo com relação a um assunto de vital importância como a pandemia do coronavírus. “Uma transição caótica é especialmente perigosa este ano”, explica o senador democrata de Connecticut Chris Murphy, “por causa da pandemia e do número de crises que estão se formando em todo o mundo, com as quais Trump lidou realmente mal”.


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