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Domingo 24.jan.2021

Ano IX - Nº 427

Coluna

11 atrações para curtir (de casa ou com protocolos de segurança) no Festival Mix Brasil

Festival que celebra a diversidade se dividirá em atrações online e presenciais em meio à pandemia até o dia 22

Postado em 11 de Novembro de 2020 - Andréa Martinelli – Huffpost

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Em um ano em que a tradicional Parada do Orgulho LGBT ― considerada a maior do mundo ― não ocupou as ruas de São Paulo, sobrou para o Festival Mix Brasil celebrar a diversidade em meio à pandemia. Na edição deste ano atípico, o evento mescla atrações em plataformas online e também presenciais.

O evento traz como atração principal o longa Verão de 85, do diretor francês François Ozon. Aclamado recentemente no Festival de Toronto, o filme será exibido presencialmente, em sessões no Cinesesc, em São Paulo.

O mesmo acontece com os filmes The World to Come, de Mona Fastvold, vencedor do Leão Queer em Veneza, com Katherine Waterston e Vanessa Kirby no elenco, que interpretam vizinhas na zona rural de Nova York nos anos 1850.

Além dos filmes internacionais e nacionais, o festival contará com shows e eventos online, além de espetáculos teatrais presenciais no CCD (Centro Cultural da Diversidade) e exposições espalhadas nos centros culturais da cidade, respeitando todos os protocolos de segurança recomendados por autoridades sanitárias.

“Iremos sentir falta do calor humano, dos encontros antes das sessões, mas o lado bom é a democratização do conteúdo do festival, pois este ano estaremos em todo Brasil”, afirma Josi Geller, diretora executiva do evento.

O festival, que segue até 22 de novembro, não terá uma palavra como tema neste ano, mas sim, o símbolo de uma figa, que simboliza “sorte” no senso comum e é usada como amuleto para afastar o azar. Em 2018 e 2019, os temas foram (R)Existência e Persistência, respectivamente. 

Na identidade visual, o artista Felippe Moraes reproduziu o símbolo especialmente para o festival e utilizou mãos de diversas pessoas. As imagens também estarão em exposição e espalhadas em lambe-lambes pela cidade.

Segundo a organização, toda a programação online poderá ser acessada gratuitamente pelo site mixbrasil.org.br. Os filmes, em especial, poderão ser assistidos pelas plataformas digitais InnSaei, Sesc Digital e Spcine Play

Desde setembro, 10 títulos que foram exibidos em edições anteriores do festival estão disponíveis gratuitamente Spcine Play. Entre eles estão Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre, e Transamazonia, de Melissa Gabriela, Débora Mcdowell e Bea Morbach, premiados na edição do ano passado.

Abaixo, selecionamos 11 destaques para curtir o festival tanto de casa, quanto em algumas sessões especiais (e com protocolos de segurança):

QUAIS FILMES (INTERNACIONAIS) ASSISTIR

Além das atrações principais, existem outros filmes que merecem destaque. O longa I Carry You With Me (EUA, México), de Heidi Ewing, vencedor do prêmio do público em Sundance, um dos prêmios mais importantes do cinema internacional, é um deles. No longa, um jovem aspirante a chef no México, casado e pai de um menino, desenvolve um romance com um professor norte-americano e atravessa a fronteira entre os países para avançar em sua carreira. O filme será exibido exclusivamente nesta sexta-feira (13), no Cinesesc.

A Cidade Era Nossa (Países Baixos), de Netty van Hoorn, é um documentário que conta a história, por muitas vezes esquecida, do movimento de mulheres lésbicas por mais direitos na Holanda nos anos 70 e sua aproximação com o movimento feminista europeu. A produção será exibida na plataforma digital InnSaei no dia 17 às 9h e ficará disponível no site até o dia 22.

Lingua Franca (EUA, Filipinas), de Isabel Sandoval, considerado melhor filme do Queer Lisboa deste ano, conta história de Olivia (Isabel Sandoval). Ela é uma mulher imigrante trans filipina ilegal que trabalha como cuidadora de uma senhora judaico-russa em Nova York e vive em constante paranóia com a deportação. O filme estará disponível no dia 17 a partir das 9h da manhã na plataforma digital InnSaei e também ficará disponível até o dia 22.

QUAIS FILMES (NACIONAIS) ASSISTIR

Vento Seco, de Daniel Nolasco (GO), depois de passar pelo Festival de Berlim, Queer Lisboa, Outfest Los Angeles LGBTQ Film Festival, entre outros festivais, estará disponível na plataforma digital InnSaei entre os dias 17 e 22. O filme conta a história de Sandro, que vive uma vida bastante monótona na extensão quente e árida de Goiás até que Maicon, um desenhista de quadrinhos, aparece. 

Para Onde Voam as Feiticeiras, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral (SP), mostra manifestações artísticas e encenações públicas de um grupo de performers LGBTs que levantam debates sobre questões de gênero, desigualdade social e preconceito nas ruas do centro de São Paulo. Será exibido a partir do dia 17, às 9h, na plataforma Sesc Digital. 

Meu nome é Bagdá, de Caru Alves de Souza (SP), conta a história de uma skatista de 17 anos, que vive na Freguesia do Ó, chamada Bagdá. Ela anda de skate com um grupo de meninos do bairro e passa boa parte de seu tempo com sua família e as amigas de sua mãe. Juntas elas formam um grupo de mulheres pouco convencionais. Disponível na plataforma Sesc Digital a partir do dia 17.

Veja aqui a programação completa de filmes nacionais

QUAIS SHOWS CURTIR

Além de Linn da Quebrada na abertura do festival, vale acompanhar os shows de Martte, no dia 14 às 20h. O cantor e compositor de pop soul, considerado uma das grandes apostas do mercado fonográfico nacional, se apresenta no festival, assim como a multi-instrumentista, cantora e compositora Bia Ferreira, que afirma sua arte como “MMP: Música de Mulher Preta”, faz show no dia 20, às 20h. Para finalizar, o cantor Jaloo encerra o festival no dia 22 às 20h.

QUAIS PEÇAS DE TEATRO ASSISTIR

Entre os destaques, estão o espetáculo do teatro Oficina inspirado na trajetória de Claudia Wonder, ícone da cultura LGBT, a peça Wonder! Vem pra Barra Pesada!, de Rafael Carvalho e Wallie Ruy, está em cartaz no festival e será transmitida pelo YouTube do festival no dia 12 às 21h.

Já a peça MINI-BIUs, BILs, BIOs, com Andreya Sá e Carlos Jordão, com direção de Marina Mathey, explora referências pops revisitadas por corpos dissidentes. A peça será transmitida no dia 13 às 21h.

O Armário Normando é um dos destaques do festival, que explora as manifestações da pornografia e tem direção e performance de Janaina Leite e André Medeiros Martins do Grupo XIX de teatro. Será exibido no dia 17 às 21h.

Veja aqui a programação completa de teatro

OUTRAS ATRAÇÕES DENTRO DO FESTIVAL

O Mix Literário neste ano traz autores e editores que discutem o lugar da comunidade LGBT na produção literária no Brasil. Entre os destaques estão as mesas de debate e palestras que acontecerão de forma remota:

“Transmasculinidades em pauta e livro”, com Luiz Fernando Prado Uchôa e Jordhan Lessa; “Djuna Barnes para além das divisões binárias”, com Beatriz RGB; “Olhares queer nordestinos″, com Itamar Vieira Junior e Marco Severo;   “Narrativas antiajuda: saúde mental na literatura queer”, com Francisco Mallmann, Mike Sullivan, Natalia Borges Polesso e Maya Falks.

Em parceria com a editora Reformatório, o festival lançará o prêmio “Caio Fernando Abreu de Literatura”, que irá viabilizar a publicação de um livro inédito de novo autor com a temática LGBT, além de premiar com o troféu “Coelho de Prata” uma obra já publicada entre outubro de 2019 e setembro de 2020, que contemple vivências e questões específicas da comunidade. 

Nesta edição, o Mix Talks, que concentra as rodas de conversa e debates do evento, ganha nova roupagem para aproximar público de discussões restritas ao ambiente acadêmico.

A lista reúne convidados como as cantoras Jup do Bairro e Marina Lima, o ativista Victor Di Marco, personalidades como Erika Palomino, atual diretora do Centro Cultural São Paulo (CCSP), e Daniel Nolasco, diretor do longa metragem Vento Seco (2020).

Ao todo, 18 convidados vão se revezar nas conversas. Entre os temas, estão questões como decolonialidade na arte, a cultura ballroom e até mesmo a cantora Madonna, que inspira um painel sobre envelhecimento e mídia.

Se Toque: O Corpo Feminino Além da Erotização, mesa de feminismo que tem a curadoria e produção de Vanessa Siqueira e mediação da Bárbara Falcão, com Gabriela Garcia, Gaia Qav e Márcia Zuliane, completa a programação.

Você pode ver a programação completa do Festival Mix Brasil aqui.


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