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Domingo 17.jan.2021

Ano IX - Nº 426

Ecologia

Amazônia e Pantanal têm recorde de queimadas em outubro

Somente 50% dos brasileiros se veem afetados diretamente pelos problemas ambientais

Postado em 03 de Novembro de 2020 - DW, João Prata (O Estado de S.Paulo) – Edição Semana On

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O número de incêndios registrados neste ano na Amazônia já é o mais alto em uma década. Apenas nos primeiros 10 meses de 2020 foi superada a cifra total de incêndios em todo o ano de 2019, quando a destruição atraiu atenção do mundo e críticas de que o Brasil não faz o suficiente para proteger a floresta. No Pantanal, este é o pior ano desde 1998, quando foram iniciados os registros de focos ativos de fogo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O número de queimadas na Floresta Amazônica subiu 25% nos primeiros 10 meses de 2020 em comparação com um ano atrás, segundo dados do Inpe divulgados neste domingo (01/11).

Outubro registrou 17.326 focos de queimada na maior floresta tropical do mundo, o que corresponde a mais que o dobro do número de incêndios detectados no mesmo mês no ano passado.A destruição da floresta aumentou desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo, em 2019. O presidente diz que deseja desenvolver a região para tirá-la da pobreza, enquanto defensores do meio ambiente afirmam que suas políticas encorajam madeireiros ilegais, mineradoras e grileiros.

A ONG ambientalista WWF-Brasil culpa o governo por não conseguir impedir aqueles que destroem a floresta. "Com a taxa de desmatamento aumentando nos últimos anos, o governo tem ignorado os alertas dos pesquisadores: desmatamento e incêndios florestais andam juntos", afirmou Mariana Napolitano, gerente de ciências da organização, através de nota.

Os incêndios no Pantanal também aumentaram em outubro na comparação com o ano anterior, de acordo com o Inpe. Segundo o Programa Queimadas, do Inpe, o bioma teve 2.856 focos de incêndio ao longo de outubro, o maior número já registrado para o mês.

No total para 2020, o Pantanal também já registra recorde de queimadas, com 21.115 ocorrências, maior número da série histórica. Até então, a máxima registrada foi em 2005, quando foram contabilizados 12.486 focos de fogo na região.

Segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Pantanal teve este ano 28% de seu território devastados pelas chamas, área correspondente a quase o tamanho da Dinamarca.

Pouco caso

O brasileiro tem consciência da necessidade de preservar as florestas. Por outro lado, ainda sente dificuldade de perceber problemas ligados ao meio ambiente em seu cotidiano, como a poluição do ar, dos rios e dos córregos, além da falta de saneamento. A conclusão é de pesquisa que acaba de ser realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Em números, 99% dos brasileiros acreditam que a Floresta Amazônica tem grande valor para o País e 94% dizem que sua preservação é fundamental para a saúde do meio ambiente no mundo. Somente 50% dos entrevistados, no entanto, se veem afetados diretamente pelos problemas ambientais.

“O que repercute mais como notícia: a queimada na Amazônia ou a falta de esgoto tratado nas cidades brasileiras? Fazer esse debate é fundamental para a gente levar informação de qualidade, para trazer reflexão do que está acontecendo, trazer uma agenda positiva do que afeta as pessoas de fato no dia a dia”, afirmou Marcelo Thomé, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero). 

O estudo, encomendado ao Instituto FSB de Pesquisa, ouviu 2 mil pessoas entre os dias 16 e 27 de outubro. Entre os que se sentem atingidos, os principais problemas apontados foram: mudanças climáticas/aquecimento global (20%), queimadas (20%), poluição das águas (18%), lixo (14%) e desmatamento (11%).

Os resultados foram apresentados de três maneiras: uma porcentagem com o total de brasileiros, outra separando somente quem vive na região denominada Amazônia Legal (região Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão) e outra com a exceção desses Estados. Os resultado são semelhantes.

Entre as diferenças, 54% da população que vive na Amazônia Legal vê as queimadas e os incêndios florestais como as principais ameaças ao meio ambiente. Esse porcentual cai para 47% entre as pessoas que vivem em outros Estados.

“É importante considerar a opinião de quem vive dentro da Amazônia. Porque, até então, o comum é receber a solução e a crítica vindas de fora”, diz Thomé. “Ouvir quem vive ali e construir a solução em conjunto dará legitimidade a um modelo de desenvolvimento sustentável que dialogue com o bioma amazônico e coloque os 23 milhões de amazônidas como ponto central desse processo.”

Thomé, que há mais de 20 anos vive em Rondônia, destacou também o dado de que 95% dos brasileiros acreditam que é possível proteger e desenvolver a Amazônia ao mesmo tempo. “Para que a gente possa monetizar o valor da floresta em pé, a gente precisa pesquisar”, explica o presidente da Fiero. “Por meio de processos inovadores, a gente vai poder identificar o potencial econômico de cada um dos segmentos, desses ditos potenciais da bioeconomia e da biotecnologia, para poder identificar áreas industriais que mereçam investimentos e criar uma nova indústria que dialogue com a Amazônia.”

O estudo ainda mostrou que oito em cada dez brasileiros acreditam que o País é capaz de explorar a floresta de modo inteligente, preservando recursos naturais. E 93% afirmam que preservar a Amazônia é fundamental para a economia brasileira.

A pesquisa faz parte dos preparativos para o Fórum Mundial Amazônia+21.


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