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Sábado 23.jan.2021

Ano IX - Nº 427

Saúde

Brasil se aproxima das 160 mil mortes por coronavírus

Imunidade após infecção pode durar pouco tempo, sugere estudo

Postado em 30 de Outubro de 2020 - G1, Estadão – Edição Semana On

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O Brasil se aproxima das 160 mil mortes por coronavírus, mostra o último balanço da doença no país, feito na noite de quinta-feira (29). Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 439. A variação foi de -13% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, ou seja, quando não houve aumento ou queda significativa no período.

Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 5.496.402 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 26.647 desses confirmados no último dia. A média móvel de novos casos nos últimos 7 dias foi de 24.389 por dia, uma variação de +18% em relação aos casos registrados em dua semanas. Ou seja, indica aumento em relação aos últimos 14 dias, pelo terceiro dia seguido. Essa tendência de alta veio após 83 dias em queda ou em estabilidade.

Cinco estados apresentam indicativo de alta de mortes: Espírito Santo, Acre, Amazonas, Amapá e Ceará. Outros onze estados e o DF têm curvas que apontam queda.

Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. No AC, por exemplo, a média estava em 1 permaneceu em 1 no período de duas semanas, resultando em uma variação de +40%. Foi similar ao que ocorreu no AP, onde a média se manteve em 1, e a variação ficou em +60%.

Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados.

Estados

- Subindo (5 estados): ES, AC, AM, AP e CE
- Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (10 estados): RS, SC, RJ, GO, PA, BA, MA, PE, PI e SE
- Em queda (11 estados + o DF): PR, MG, SP, DF, MS, MT, RO, RR, TO, AL, PB e RN

Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás.

Imunidade após infecção pelo novo coronavírus pode durar pouco tempo, sugere estudo

Um estudo do Imperial College London publicdo nesta terça-feira,o último dia 27, sugere que a imunidade após infecção pelo novo coronavírus pode não ser duradoura. Cientistas observaram que os anticorpos que agem contra o vírus diminuíram rapidamente na população britânica. Os resultados foram divulgados como preprint (pré-publicação) e ainda sem revisão de pares.

Os pesquisadores rastrearam os níveis de anticorpos em 365 mil pessoas na Inglaterra após a primeira onda de infecções por covid-19. Análises realizadas entre 20 de junho e 28 de setembro, por meio de teste sorológico, mostraram que a prevalência de anticorpos caiu 26,5% durante o período de estudo, de quase 6% para 4,4%.

Os resultados sugerem que a perspectiva de redução da imunidade antes de uma segunda onda só aumenta. Embora a proteção ao novo coronavírus seja um tema complexo, e envolva as células T, bem como células B que podem estimular a produção rápida de anticorpos após uma nova exposição ao vírus, os cientistas disseram que a experiência com outros coronavírus indica que a imunidade pode não durar muito tempo.

"Podemos ver os anticorpos e podemos vê-los diminuindo; e sabemos que os anticorpos, por si próprios, são bastante protetores", disse Wendy Barclay, chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Imperial College London.
Pessoas que tiveram a confirmação da covid-19 por meio do teste RT-PCR, considerado padrão ouro, tiveram um declínio menos pronunciado nos anticorpos em comparação com aquelas que eram assintomáticas e desconheciam a infecção. A tendência de queda foi observada em todas as regiões do país e faixas etárias, sendo, entretanto, maior em idosos com 75 anos ou mais. Não houve alteração dos níveis de anticorpos observados nos profissionais de saúde, possivelmente devido à exposição repetida ao vírus.

Barclay disse que a rápida diminuição dos anticorpos não teve, necessariamente, implicações na eficácia das vacinas que atualmente estão em testes clínicos. "Uma boa vacina pode ser melhor do que a imunidade natural", disse ela.  
O professor Paul Elliott, autor do estudo, disse que "o teste positivo para anticorpos não significa que você seja imune à covid-19". Segundo ele, ainda não está claro qual o nível de imunidade que os anticorpos fornecem ou quanto tempo ela dura. “Se alguém der positivo para anticorpos, ainda assim precisará seguir as diretrizes nacionais, incluindo medidas de distanciamento social; fazer um teste com swab se apresentar sintomas; e usar proteções faciais quando necessário."


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