Semana On

Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Brasil

24% das empresas não têm funcionárias negras, diz pesquisa

Menos da metade das mulheres negras brasileiras exerce trabalho remunerado

Postado em 29 de Outubro de 2020 - Marta Cavallini (G1), Luisa Fragão (Fórum) – Edição Semana On

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Pesquisa da Triwi, consultoria em marketing digital, mostra que 24% das empresas entrevistadas não têm mulheres negras no quadro de funcionários - cerca de 1 em cada 4. E quase 70% não contam com colaboradoras com alguma deficiência física.

Segundo o levantamento, 27,4% das empresas entrevistadas contam com mais de 51% do quadro de funcionários representado por mulheres e 53,2% das empresas contam com até 30%.

“Infelizmente, a pesquisa nos mostra que ainda existe um enorme abismo na cultura das empresas que precisa ser mudado. As mulheres ainda não têm a mesma oportunidade que os homens nem nenhum tipo de canal de denúncias de assédio”, diz Ricardo Martins, CEO e principal estrategista da Triwi.

Em relação ao percentual de mulheres negras, a pesquisa aponta que 46,8% das empresas entrevistadas contam com até 10% do quadro de funcionárias representado por mulheres negras, e apenas 3,2% contam com mais de 51% de funcionárias negras.

Outra questão abordada foi qual o percentual de mulheres que ocupam cargos de chefia. A pesquisa revelou que 27,4% das empresas entrevistadas não possuem mulheres em cargo de chefia e 32,3% das empresas contam com até 10% de mulheres no comando.

A pesquisa ainda mostra que em 48,4% das empresas entrevistadas as mulheres ganham menos que os homens. Apenas em 3,2% das empresas as mulheres ganham mais que os homens e em 19,4% das empresas as mulheres ganham igual aos homens.

Sobre mães no mercado de trabalho, o levantamento mostra que 35,5% das empresas possuem até 10% do quadro composto de funcionárias que são mães. Outros 32,3% possuem entre 11% e 30% delas. E em 9,7% não há empregadas que são mães.

A pesquisa apontou que o nível de escolaridade das mulheres nas empresas é alto - 79% contam com mulheres com nível superior ou pós graduação.

Para Tricia Martins, co-fundadora da Triwi, a pesquisa apontou que as mulheres ainda têm um longo caminho pela frente. "Ainda há empresas muito tradicionais, em que mulheres não são escolhidas para ocupar cargos de alto escalão, mesmo possuindo as qualificações necessárias", comenta.

Em relação à faixa etária, em 48,4% das empresas, a média de idade das mulheres é de 30 a 40 anos, em 27,4%, de até 30 anos, e em 17,7%, de 40 a 50 anos.

Ainda de acordo com o levantamento, apenas 9,7% das empresas possuem algum canal exclusivo para denúncias relativas a assédio sexual.

A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 17 de agosto com 2.542 empresas dos setores de serviços (53,2%), indústria (30,6%) e comércio (16,1%), das regiões Sudeste (45,2%), Centro-Oeste (14,5%), Sul (17,7%), Norte (11,3%) e Nordeste (11,3%) - 45,2% delas possuem mais de 500 funcionários e 27,4%, entre 2 e 50 empregados.

Sem trabalho remunerado

A maioria das mulheres negras no Brasil não exerce trabalho remunerado. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta e pela empresa Box1824, divulgada em reportagem da Folha de S.Paulo, 54% das entrevistadas afirmaram não exercer trabalho remunerado e 39% estão em busca por emprego.

Dados como esses mostram a importância de ações afirmativas para incluir pessoas negras no mercado de trabalho, como o programa de trainee para negros da Magazine Luiza. As responsáveis pelo levantamento também destacam a necessidade das empresas estarem atentas à evolução desses funcionários na carreira, já que apenas 8% das mulheres negras ocupam cargos de gerente, diretora ou sócia proprietária.

Além das dificuldades de acesso ao mercado de trabalho e evolução na carreira, mulheres negras que trabalham também sofrem com piadas racistas durante o expediente. Das entrevistadas, 51% relataram já ter escutado piadas relacionadas a cor, cabelo ou aparência no ambiente de trabalho.

Ainda, 49% disseram já terem se sentido desqualificadas profissionalmente, mesmo tendo a formação necessária para o cargo, e 37% contaram que tiveram uma opinião, posicionamento ou ideia silenciada, enquanto a opinião de pessoas brancas eram ouvidas ou valorizadas.

A pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho” ouviu 1 mil mulheres negras, com idades entre 18 e 65 anos, entre março e setembro deste ano.


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