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Terça-Feira 24.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Poder

Composição conservadora do ministério desagrada o PT

Dilma terá que se rearticular com o partido para não ser vítima do fogo amigo.

Postado em 28 de Novembro de 2014 - Redação Semana On

Dilma e o triunvirato conservador da economia:  Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (BC). Dilma e o triunvirato conservador da economia: Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (BC).

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Criticada por formar uma equipe econômica de perfil conservador e escolher uma representante do agronegócio para seu novo ministério, a presidente Dilma Rousseff planeja fazer acenos à esquerda do PT para tentar tranquilizar as bases de seu partido.

Nesta sexta-feira (28), a presidente participará de um encontro do diretório nacional da legenda em Fortaleza e fará um discurso para agradecer o apoio do PT e reafirmar seu compromisso com as políticas sociais adotadas durante os governos petistas.

Confirmado como próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy é visto nos bastidores do PT como um economista liberal e contrário à política de valorização do salário mínimo, que tem contribuído para aumentar as despesas do governo. Nelson Barbosa, o novo titular do Planejamento também não agrada aos petistas. Os dois compõe o núcleo duro da economia do governo ao lado de Alexandre Tombini, que foi mantido na presidência do Banco Central.

Aliados de Dilma também estimularam nas redes sociais manifestações contrárias à indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), defensora do agronegócio em seus embates com ambientalistas e indígenas, para o Ministério da Agricultura. Durante a 3ª Conferência Nacional de Economia Solidária, realizada ontem (27) em Brasília, um grupo na plateia entoou "Kátia Abreu não!" quando Dilma deixava o local.

Integrantes da cúpula petista dizem que não haverá animosidade no encontro de Fortaleza, que irá até sábado, mas o partido pretende cobrar de Dilma a indicação de ministros comprometidos com bandeiras históricas, como a regulação da mídia e a reforma do sistema político.

Um documento preliminar elaborado pelo secretário-geral do PT, Geraldo Magela, afirma que a sigla precisa ser "protagonista" diante da necessidade de reformas. Nem que, para isso, tenha que enfrentar partidos aliados.

De olho em 2018

"O PT deve impulsionar o processo de mudança que o país exige. Isso poderá nos levar a confrontos e enfrentamentos com partidos aliados no Congresso e até a criar dificuldades para a composição parlamentar. Tais dificuldades não podem impedir o PT de lutar por essas mudanças", diz o texto.

A proposta afirma que a eleição de 2018 dependerá do desempenho do segundo mandato de Dilma.

O documento preliminar afirma ainda que o PT deve honrar seu compromisso de combate à corrupção. Citado nas investigações da Operação Lava jato, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, estará no evento.

"O PT não dará a trégua que deu a Dilma no primeiro mandato", disse um dirigente do partido, que pediu para não ser identificado. "Agora é preciso fazer alguns acenos para a nossa militância."

Para os petistas, a escolha de Joaquim Levy não enfrentará resistência do partido se a presidente escolher para outras pastas quadros comprometidos com as reivindicações do PT, mesmo que não sejam filiados à legenda.

O PT reconhece que, para abrir lugar no ministério para outros partidos que a apoiam no Congresso, a presidente terá que reduzir o espaço ocupado pelos petistas.

Mas Dilma já indicou que lideranças representativas de alas importantes do PT ficarão encarregadas da negociação das bandeiras do partido.

O QUE O PT QUER?

- REGULAÇÃO DA MÍDIA O presidente do PT, Rui Falcão, elegeu como prioridade a "democratização da mídia", com foco no combate aos "oligopólios e monopólios". Dilma considera discutir a regulação econômica da mídia, mas diz que não apoiará propostas de controle de conteúdo

- REFORMA POLÍTICA O partido defende a realização de um plebiscito para a convocação de uma Constituinte exclusiva para a reforma política. Entre as principais bandeiras defendidas pela sigla está a proibição das doações de empresas a campanhas

- CARGOS O PT se opôs a duas escolhas de Dilma para a futura equipe: Joaquim Levy (Fazenda) e Kátia Abreu (Agricultura). O partido deve emplacar os nomes do ex-governador da Bahia Jaques Wagner e do deputado Edinho Silva


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