Semana On

Quinta-Feira 26.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Coluna

Hospício Brasil

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 21 de Outubro de 2020 - Victor Barone

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Jair Bolsonaro foi informado no final de semana que o Ministério da Saúde iria assinar um acordo para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac. Apurações de veículos diferentes dão conta de que o presidente não se opôs inicialmente. As redes sociais e seu filho o fizeram mudar de ideia.

Depois do anúncio feito por Eduardo Pazuello de que a vacina desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac com o Instituto Butantan seria a “vacina do Brasil”, houve barulho entre os bolsonaristas – principalmente de cunho xenófobo. Antenado, Carlos Bolsonaro advertiu o pai que os influenciadores de extrema direita estavam massacrando o acordo e passou a advogar contra

Além disso, incomodou uma postagem feita no Twitter pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Venceu o Brasil”, escreveu o tucano, salpicando na mensagem um emoji do sinal da cruz. Segundo auxiliares do presidente ouvidos pelo Valor, Bolsonaro se irritou com a tentativa de Doria “faturar” com a notícia.

É do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), o mais conciso comentário sobre a atitude de Bolsonaro: “Impossível o presidente não ter sido informado antes. Acho que foi pilhado pela rede social”, disse ao blog de Tales Faria. 

De acordo com a Folhana própria terça-feira o presidente telefonou para o ministro da Saúde informando que se posicionaria contra o anúncio de compra da CoronaVac feito horas antes. Nos bastidores, o acerto entre o governo federal e o Butantan tinha sido formalizado ainda na segunda-feira, quando a pasta enviou um ofício ao instituto de pesquisas. Pazuello chegou a avisar um representante do governo paulista ontem de manhã, pouco antes da tempestade de Bolsonaro no Twitter. Mas disse apenas que a compra de doses seria menor do que a anunciada no dia anterior.

Também segundo múltiplas apurações, o general se surpreendeu com a virulência do presidente, que não hesitou em jogá-lo na fogueira virtual mentindo que o acordo tinha sido “TRAIÇÃO”. Teria ficado “chateado”.

Depois da publicação dos tuítes, Bolsonaro e Pazuello se falaram por telefone para combinar os fatos alternativos que apresentariam ao respeitável público deste circo que chamamos de Brasil. Resolveu-se jogar toda a culpa no adversário político. “Houve uma distorção por parte do senhor João Doria no tocante ao que ele falou. Ele [Pazuello] tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar, se ele assinou”, declarou Bolsonaro à imprensa em uma visita a um centro de pesquisas da Marinha. “O presidente sou eu”, arrematou, numa frase que lembra outra, que resumiu o absolutismo de séculos atrás. Num outro sinal de pouco apreço ao caráter republicano, Bolsonaro teria enviado a ministros uma mensagem ordenando que, a partir de agora, sua equipe não tratará sobre iniciativas de imunização com o governador paulista.

De sua parte, o Ministério da Saúde cumpriu o script combinado. O tuíte que divulgava o anúncio foi apagado do perfil da pasta. Depois, uma nota ministerial negou o acerto para a compra da CoronaVac. Dizia que o protocolo foi firmado com o Butantan por ele ser “grande parceiro do ministério na produção de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações”, tirando a situação do contexto e dando a entender tratar-se de um acordo mais amplo. Por fim, em coletiva de imprensa, o número dois da pasta, Élcio Franco, afirmou que “houve interpretação equivocada” da fala de Pazuello “sobre a compra de doses da CoronaVac”. 

Não surpreende que, pouco depois, toda a imprensa tenha tido acesso ao ofício assinado por Pazuello e dirigido ao diretor-geral do Butantan, Dimas Covas, que confirma a intenção de adquirir 46 milhões de doses, ao custo de US$ 10,30 cada, caso a vacina recebesse registro da Anvisa. 

Aliás, esse valor por dose é mais um elemento que sinaliza que Bolsonaro não foi pego de surpresa pelo anúncio do acordo. Na segunda-feira, o presidente chegou a comentar que achava a vacina cara. O UOL lembra, porém, que o preço negociado por São Paulo com a Sinovac é muitíssimo mais baixo, de US$ 1,5 por unidade (60 milhões de doses a um custo de US$ 90 milhões).

Ontem (22), Bolsonaro voltou à carga, aprofundando a desqualificação da tecnologia e dando eco à xenofobia de seus apoiadores: “Nada será despendido agora para comprarmos uma vacina chinesa, que desconheço, mas parece que nenhum país do mundo está interessado nela.” No Twitter, o presidente já havia caracterizado o imunizante como “a vacina chinesa de Doria” e dito que “o povo brasileiro NÃO SERÁ COBAIA DE NINGUÉM”.  

REAÇÕES

O principal parceiro comercial do Brasil adotou um tom de cautela diante da nova crise. “A China cumprirá o seu compromisso de tornar as vacinas chinesas um bem público global depois de se concluírem as devidas pesquisas e aprovações”, diz a embaixada em comunicado, que continua: “Qualquer vacina, quando tiver sua segurança e eficácia comprovada, será valiosa para proteger as populações do mundo, incluindo a do Brasil”.

O porta-voz da diplomacia chinesa no Brasil, Qu Yuhui, seguiu nesse tom: “Cremos que o governo brasileiro tem todas as condições para definir o que é melhor para o seu próprio país, para o próprio povo. Não queremos nos meter”, disse à Coluna do Estadão.

Os secretários estaduais de saúde fizeram uma observação bastante interessante à Folha: segundo eles, não faz sentido Bolsonaro criticar a vacina por ser chinesa, uma vez que “a maior parte dos insumos para todas as vacinas já provêm da China”.

E o conselho que reúne esses gestores – o Conass –  e vinha pressionando para que o Ministério da Saúde incorporasse a CoronaVac ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) se posicionou ontem: “Seja qual for a vacina, independentemente da sua origem ou nacionalidade, o interesse público sobre o assunto diz respeito à sua eficácia e segurança para todos os usuários do SUS”. Nesse sentido, o conselho segue defendendo que todas as vacinas que tiverem estudos concluídos e forem aprovadas pela Anvisa sejam incluídas no PNI.

Nos bastidores, os secretários e os governadores classificam o episódio como “inacreditável”, segundo a coluna Painel. Alguns deles se posicionaram nas redes sociais. E o espectro é amplo, indo do tucano Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que defendeu que a decisão sobre inclusão deve ser “eminentemente técnica, e não política”, a opositores como Flávio Dino (Maranhão), que prometeu articular reação no Congresso Nacional e no Judiciário para que a população tenha acesso a todas as vacinas eficazes e seguras. Dino, aliás, chegou a dizer que estuda comprar doses do Butantan. Todos saíram em defesa de Pazuello.

Ontem, João Doria rebateu no Senado as declarações de Bolsonaro. Repetiu que a vacina do Butantan é “a vacina do Brasil” e afirmou que “se os ministros não têm condições de defenderem suas posições” seria melhor “fechar ministérios”. “Se a cada ministro a emitir sua opinião ele estará desautorizado pelo presidente da República, para que ter ministros, para que ter ministérios?“, questionou. Rodrigo Maia tinha um encontro marcado com o governador paulista. Cancelou alegando indisposição… Doria foi recebido na Anvisa, onde teve reunião de quase duas horas com o diretor-presidente da agência, o almirante Antônio Barra Torres. 

Ainda no campo das reações, o Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou que o ministério publique na internet, em no máximo 15 dias, o estado da arte de cada tratativa envolvendo o PNI. A Rede Sustentabilidade foi a Supremo com uma ação para obrigar Bolsonaro a assinar o protocolo de intenções para a compra da CoronaVac. A ação diz que há “violação aos princípios da eficiência e da impessoalidade, ao se podar uma política pública por motivações ideológicas estritamente vazias”. O partido também alega que o presidente atuou para “privar a população brasileira de uma possibilidade de prevenção da covid-19. Já o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) protocolou um pedido de convocação de Pazuello para que ele explique as diferentes versões apresentadas pelo governo federal sobre a compra de vacinas. 

NEGACIONISMO UTILITÁRIO

Além das bravatas contra Doria, do jogo de cena com Pazuello e do pinote diplomático na China, chamou muita atenção a guinada retórica de Jair Bolsonaro sobre a ciência. “A vacina precisa de comprovação científica para ser usada, não é como a hidroxicloroquina”, mentiu o presidente ontem.

O uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 não é eficaz, segundo os maiores estudos publicados nas mais respeitadas revistas científicas. Essas pesquisas – como a brasileira, coordenada pelo Hospital Albert Einstein – demonstram a droga tem efeitos colaterais, como aumento do risco de arritmia cardíaca e lesões no fígado. Está longe de ser um tratamento para o coronavírus, muito menos preventivo. A aposta do governo federal no remédio primeiro afetou os portadores de doenças como lúpus que, de fato, precisam do medicamento e tiveram de lidar com as consequências da corrida às farmácias que zerou estoques em alguns locais e, depois, afetou toda a população, já que o dinheiro investido em hidroxicloroquina poderia ter sido usado para outros fins.

Bolsonaro distorceu os fatos quando afirmou que “não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem”. Não é segredo que o governo federal já destinou recursos tanto para o acordo com a AstraZeneca, que patenteou a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford – R$ 1,8 bilhão –, quanto para a Covax, iniciativa internacional que garantirá ao país doses de um futuro imunizante. Nenhuma vacina ultrapassou a fase dos testes clínicos.

Mas as falas do presidente apontam a necessidade de se qualificar melhor o selo de negacionista que colamos a ele. A crise da CoronaVac mostra que Bolsonaro defenderá qualquer coisa que seja favorável aos seus interesses políticos – inclusive a “comprovação científica”. Está claro que ele despreza a ciência, mas seu negacionismo tem um viés utilitário muitíssimo acentuado. O fenômeno contemporâneo da negação da ciência, mais identificado com um sentido ideológico ou religioso, não parece dar conta da estratégia do político de extrema direita.   

PAZUELLO COM COVID

Eduardo Pazuello divulgou diagnóstico clínico de covid-19. O ministro da Saúde já havia relatado mal estar a auxiliares na segunda-feira – e esta seria a razão para que ele não tenha comparecido ao evento anticientífico de propaganda do vermífugo nitazoxanida realizado no Palácio do Planalto. 

O Ministério da Saúde informou que o general foi submetido na terça a exames clínicos e fez o teste PCR, que ainda não tinha resultado. Pazuello é o 12º ministro, num universo de 23, a ser diagnosticado com a covid. Ele cancelou todos os compromissos, e aproveitou o ensejo para não se manifestar sobre a crise da CoronaVac. 

Fontes ouvidas pelo Globo relatam que o ministro acredita ser possível “colocar panos quentes” na polêmica para conseguir efetuar a aquisição da vacina chinesa no futuro.

TEATRINHO 

A humilhação imposta por Bolsonaro a Eduardo Pazuello parece não ter caído bem entre os fardados que integram o governo. Segundo o Jornal Nacional, fontes do Planalto consideram que a desautorização envolvendo a compra de doses da CoronaVac “atingiu não só o ministro, mas os militares”. Também, na sua leitura, o presidente teria sido “inoculado pelos radicais das redes”. Não deixa de ser revelador que a ala militar consorciada com o bolsonarismo se surpreenda com as forças que catalisam o… bolsonarismo. E que tenha alguma ilusão de que será poupada das frituras e flambadas que Bolsonaro impõe a seus subordinados. Nesse sentido, um novo capítulo dessa novela foi exibido ontem nas redes sociais.

“Contaminado com covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, dormia após o almoço no Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército, onde mora em Brasília, quando foi acordado por uma visita inesperada: o presidente Jair Bolsonaro”, relata uma reportagem do jornal O Globo

O propósito da visita era fazer teatrinho de que está tudo bem entre Bolsonaro e Pazuello. A certa altura, o presidente afirmou que o ministro doente “talvez, com toda certeza” volte ao batente na semana que vem; ao que o general respondeu – “Pois é, estão dizendo que não, né?” – e renovou os votos de lealdade ao chefe: “Senhores, é simples assim. Um manda e outro obedece”. Ambos aproveitaram a transmissão ao vivo para fazer propaganda de hidroxicloroquina…

De acordo com a colunista Bela Megale, na terça-feira as coisas não estavam nada bem e Bolsonaro teria determinado que Pazuello só permaneceria no cargo caso se retratasse publicamente. Pelas circunstâncias da covid-19, quem se desincumbiu da embaraçosa tarefa foi outro militar aboletado no Ministério da Saúde, Élcio Franco. Mas o vídeo de ontem seria, nas palavras da jornalista, “um pedágio de desculpas”.

Já de acordo com o JN, continuaria forte a pressão para que Pazuello passe para a reserva do Exército porque, supostamente, isso pouparia “a instituição militar das crises políticas”. Rebatendo os rumores, Bolsonaro negou haver pressão para que o general pendure a farda.

Por Outra Saúde

AVACALHANDO A ANVISA

Autoconvertido em garoto-propaganda da liberdade de infectar, Jair Bolsonaro conseguiu transformar sua aversão à "vacina chinesa do Doria" num processo de avacalhação da independência da Anvisa. O presidente disse que não manda na Anvisa, mas que a Agência de Vigilância Sanitária "não vai correr" para liberar vacinas contra a Covid-19.

Bolsonaro fez o comentário horas depois de o Instituto Butantan acusar a Anvisa de retardar a análise de um pedido de importação de insumos do laboratório Sinovac, para a produção da vacina chinesa no Brasil. Protocolada em setembro, a solicitação só seria analisada em novembro. Espremida, a Anvisa decidiu adiantar o relógio. Promete dar uma resposta em cinco dias úteis.

Foi contra esse pano de fundo que Bolsonaro disse em sua live das quintas-feiras ter conversado com o presidente da Anvisa, o contra-almirante Antonio Barra Torres. "Não vai ser em 72 horas, ele me disse, que ele vai autorizar a distribuição [de vacinas] no Brasil." A certificação de vacinas deve durar o tempo necessário à produção de imunizantes eficazes.

Qualquer outra velocidade —rápida demais ou excessivamente lenta— é insultuosa. Bolsonaro faria um bem inestimável à independência da Anvisa se parasse de falar dez vezes antes de pensar. Do contrário vai condenar a "independência" da agência a viver entre aspas.

Por Josias de Souza

NO CIRCO DE BOLSONARO, O NOVO PALHAÇO É O ASTRONAUTA

“Nós temos agora um medicamento comprovado cientificamente que é capaz de reduzir a carga viral. Com essa redução da carga viral, significa que reduz o contágio. A pessoa que toma o medicamento assim que faz o teste diagnóstico e descobre que está com covid, toma o medicamento nos primeiros dias, essa pessoa contamina menos outras pessoas. E mais, diminui a probabilidade de essa pessoa aumentar os sintomas, ir para o hospital e falecer”. Quem proferiu palavras tão animadoras foi o ministro da Ciência, Marcos Pontes. O remédio em questão é a nitazoxanida, vermífugo vendido no Brasil com o nome comercial Annita –  que tem sido exaltado por Pontes há meses como possibilidade no tratamento da covid-19. E o anúncio foi feito em uma cerimônia promovida pelo governo federal para, supostamente, apresentar ao público os resultados do estudo clínico do Laboratório Nacional de Biociências (vinculado ao ministério) com a droga.

O maior problema é que, dos resultados, mal conhecemos a sombra. Segundo a pasta, o estudo durou quatro meses e envolveu cerca de 1,5 mil voluntários com sintomas iniciais de covid-19; um grupo tomou a nitazoxanida, e outro tomou placebo. Mas não se sabe como foi nem o que significou essa redução da carga viral, nem como foi medida a redução do contágio, nem qual foi a diminuição nas chances de internação. No Instituto Questão de Ciência, o microbiólogo Alison Chaves critica duramente o protocolo do estudo – segundo o qual, aliás, houve cerca de 400 voluntários, e não 1,5 mil como anuncia o governo. De acordo com ele, o foco era apenas observar a redução da duração de febre, tosse e fadiga em oito dias. “Como sabemos que a maior parte das pessoas infectadas irá desenvolver uma forma leve a moderada da doença, é esperado que esse mal-estar esteja presente por algum tempo,  sem que ocorra nenhum agravamento. Isso invalida completamente o raciocínio de que essa é uma intervenção precoce para proteger um paciente de uma eventual complicação”, escreve o especialista.

O fato é que o governo Bolsonaro decidiu promover o medicamento sem apresentar dados. O que justificaria isso? O argumento oficial é que não seria justo ocultar as conclusões enquanto a pandemia está a toda. “Seria correto omitir esse dado e aguardar que em um mês 14 mil pessoas morressem?” questionou a coordenadora do trabalho, Patrícia Rocco, em coletiva de imprensa. À noite, Marcos Pontes foi ao Twitter reforçar a posição, dizendo que o fato de haver centenas pessoas morrendo “obviamente obriga” que se divulgue as conclusões antes dos cálculos. Disse ainda que eles serão apresentados só depois da publicação do artigo científico, que “necessita ser inédito”. Não é verdade: como lembrou Stevens Rehen, neurocientista da UFRJ, os periódicos mais importantes do mundo aceitam artigos previamente publicados como preprints.

Mas não é só isso que chama a atenção. No vídeo que promove a pesquisa (e o remédio), apresentado logo no começo do evento, aparece um gráfico no momento em que o narrador diz que foi comprovada a “eficácia do medicamento”. Junto à imagem, um letreiro: “Nitazoxanida é eficaz! COMPROVADO”.  Só que o tal gráfico não tem  base em dados reais: foi tirado do um banco de imagens Shutterstock. O ministério não se explicou para os repórteres que o procuraram, mas, no Twitter, Pontes não poupou advérbios para relevar a questão: “obviamente, como facilmente deduzido pelos eixos e pela fala da pesquisadora responsável, o gráfico da apresentação de hoje era meramente ilustrativo”.

No palco da cerimônia, Jair Bolsonaro sentou-se no centro, ladeado por Marcos Pontes e pesquisadores do estudo. Eram ao todo sete pessoas. Só duas usavam máscaras

AJUDA EU

Candidato a mais um mandato de vereador no Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos) foi às redes sociais para pedir doações a sua campanha eleitoral. O filho do presidente afirma que está “evitando ao máximo” utilizar o fundo partidário e que possui apenas R$ 20 mil arrecadados, dinheiro que teria sido doado por ele e Jair Bolsonaro. O filho do presidente alega ainda que a população corre “o risco de eleger pessoas que não estão nem um pouco preocupadas na utilização do fundão ou não e estão utilizando R$ 500 mil, R$ 1 milhão para a campanha desses fundos”.

DE CUECA

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Néfi Cordeiro, foi flagrado julgando recursos de toga, terno e gravata – mas sem calças – durante uma sessão da 6ª Turma do tribunal, na última terça-feira (20). No momento da cena, o colegiado julgava um habeas corpus do Rio de Janeiro, de relatoria do ministro Sebastião dos Reis Junior. Néfi Cordeiro, presente à sessão, se utilizava de um fundo falso virtual representando uma estante de livros. Ao voltar à sua cadeira, digitando uma mensagem ao celular, Néfi aparece com o costume de ministro completo, apenas da cintura para cima.

GENTE DE BEM

A técnica de enfermagem Shirlei de Paula, 30 anos, estava em uma padaria na zona sul de São Paulo com uma amiga na manhã de quarta-feira (21). O que seria a prévia do café da manhã no trabalho virou um caso de racismo. Shirlei estava no local, próximo à estação Santa Cruz da linha 1 – Azul do Metrô, com sua colega de trabalho Rosângela Aparecida Libeti, 60 anos. Ela pegou pão, enquanto a amiga esperava na fila. Ao se juntar a Rosângela, um homem, identificado como Roberto Barbosa dos Santos, a impediu por entender que a mulher negra estava furando a fila. A senhora tentou explicar que elas estavam juntas, mas não deu certo.

As duas, então, optaram por deixá-lo passar na frente. Contam que não adiantou e, nesse momento, ele começou as ofensas racistas. “Ele me chamou de macaca, de preta, de vagabunda… De todas as palavras que você souber”, descreveu Shirlei, dizendo que os xingamentos começaram de forma mansa, “como se as pessoas não conseguissem escutar o que estava falando”, continua. As mulheres perceberam o que estava acontecendo e Shirlei começou a registrar a cena com seu celular e retrucar as ofensas. Nesse instante, conta, o homem avançou nela de forma agressiva.

Rosângela estava do lado e percebeu que o homem iria para cima da amiga. Na hora, ela colocou a mão para impedir. Roberto, então, deu um tapa no rosto da senhora de 60 anos. “Ele voltou com tudo, xingando e indo para cima da Shirlei. Coloquei a mão e ele meteu um tapa na minha cara. Foi muito rápido”, relembra a técnica de enfermagem, que trabalha na região há 34 anos.

Imagens de câmera de segurança mostram o momento da agressão. Também há um registro no celular Shirlei, com as imagens tremidas por conta da agressão. Funcionários da padaria as defenderam e expulsaram o homem do local. Elas contam que o homem fugiu depois que a polícia foi acionada.

Roberto é funcionário do CRT (Centro de Referência e Treinamento) em IST/Aids, do governo do Estado de São Paulo, localizado na Santa Cruz. A reportagem obteve de funcionários do local a informação de que o homem tem histórico de agressões, tendo atacado outra funcionária do local.

FRASES DA SEMANA

“É simples assim. Um manda e o outro obedece. Mas a gente tem um carinho, entendeu?” (Eduardo Pazuello, general, ministro da Saúde, infectado pelo vírus, depois de desautorizado por Bolsonaro sobre a compra da vacina chinesa. Pazuello diz que está tomando hidroxicloroquina) 

“’Nossa vacina jamais será vermelha’, o novo lema bolsonarista.” (Marcelo Rubens Paiva, escritor)

“Ele não terá qualquer papel em nosso governo. Poderá retornar quando quiser, porque é boliviano, mas no governo sou eu que decido quem fará parte da administração e quem não fará.” (Luis Arce, presidente eleito da Bolívia, sobre Evo Morales, ex-presidente, exilado na Argentina)

“O Brasil exportava gasolina. Passamos a importar. Exportava etanol. Passamos a importar dos Estados Unidos. A palavra é: subserviência. O país, hoje, é governado por um bando de vira-latas que não respeitam o Brasil”. (Lula)

“Ainda não temos uma contagem oficial, mas pelos dados que temos, o Sr. Arce venceu as eleições. Parabenizo os vencedores e peço que governem com a Bolívia e a democracia em mente”.  (Jeanine Añez Chavez, presidente da Bolívia, ao admitir a vitória do candidato de Evo Morales)

“Quem governa o Brasil é o Bolsonaro, o estado de São Paulo é o Doria, e o município de São Paulo, Bruno Covas. Por que eu vou ter o PT como adversário? Eu tenho que ter como adversário quem está destruindo o país”. (Guilherme Boulos, candidato do PSOL a prefeito de São Paulo) 

“Temos que desonerar o custo do trabalho. Enquanto as pessoas não vierem com uma solução melhor, eu prefiro esse imposto de merda”. (Paulo Guedes, ministro da Economia, sobre a nova CPMF. Como bom liberal, não lhe passa pela cabeça, por exemplo, taxar os mais ricos)


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