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Quarta-Feira 25.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Cultura e Entretenimento

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começa para o Brasil todo

Em razão da pandemia, o tradicional evento será realizado de forma on-line. Serão exibidos 198 títulos de 71 países até o dia 4 de novembro

Postado em 20 de Outubro de 2020 - Gabriel Valery - RBA

 Vencedor do Urso de Ouro em Berlim, 'Não Há Mal Algum', do iraniano Mohammad Rasoulof, se destaca na programação Vencedor do Urso de Ouro em Berlim, 'Não Há Mal Algum', do iraniano Mohammad Rasoulof, se destaca na programação

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Começou na quinta-feira (22) a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Neste ano, em razão da pandemia de covid-19, o tradicional evento será realizado de forma on-line. As circunstâncias são trágicas – já que o país segue contabilizando mortos e novos casos de de covid-19. Entretanto, o alento será o alcance do festival, que poderá ser acompanhado por brasileiros em todo o país.

Em tempos de pandemia, a esperança e a cura são pontos de atenção da mostra, desde a escolha das artes gráficas. Sempre cultuados pelos cinéfilos “mostreiros”, os cartazes e a vinheta são assinados pelo mestre do cinema chinês Jia ZhangKe. Como explica a diretora da Mostra Internacional de Cinema, Renata Almeida, o ano atípico norteou a seleção. “Convidamos o cineasta e ele aceitou. Ele escolheu essa foto de um homem acendendo um incenso para o deus da literatura e da palavra escrita. É um símbolo de cura e alento.” Apesar de algumas salas de cinema estarem autorizadas a reabrir, com público restrito, em São Paulo, o evento foi pensado para os tempos de isolamento social.

“Esperamos que a mostra seja um pouco como a fumaça do incenso que, em tantas religiões e cultos, simboliza o alento, a purificação e a cura. Porque a situação inusitada não prejudicou a seleção de 2020, que se insinua forte e surpreendente pelas nuvens e ondas da internet”, resume a organização do evento, em editorial.

A dinâmica

Serão exibidos 198 títulos de 71 países até o dia 4 de novembro. Os eixos dos filmes seguem os mesmos das edições anteriores: perspectiva internacional; competição novos diretores; mostra Brasil; e apresentação especial. Os filmes poderão ser acessados através de uma plataforma de streaming oficial do evento (Mostra Play), além de sessões em cinemas drive-in e parceria com plataformas Sesc Digital e Spcine Play.

O preço para assistir aos filmes caiu em relação aos anos anteriores, com sessões presenciais. Cada longa pode ser acessado por R$ 6. Outro ponto que pode desagradar aos “mostreiros” é que não serão vendidos pacotes de filmes, apenas sessões avulsas. Além disso, as plataformas Sesc Digiral e Spcine Play exibirão 30 filmes de forma gratuita.

São dois os cinemas drive-in que exibirão filmes da mostra, o Cinesec Drive-in, na Avenida do Estado, futuro Sesc Parque Dom Pedro II, e o Belas Artes Drive-in, no Memorial da América Latina, na Barra Funda. Este último, inclusive, recebe a sessão de abertura do festival, às 19h30, com a exibição do filme New Order (2020), de Michel Franco. O longa foi vencedor do Grande Prêmio do Júri em Veneza e contará com a apresentação de Renata Almeida e do apresentador Serginho Groisman.

Os filmes

A lista completa dos filmes da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo pode ser conferida aqui. Entre os destaques, além do New Order, outros longas premiados. O vencedor do Urso de Ouro em Berlim, Não Há Mal Algum (2019), do iraniano Mohammad Rasoulof se destaca em junto com Berlin Alexanderplatz (2020), do afegão Burhan Qurbani, que revisita a obra clássica escrita anos 1920, filmada por Phil Jutzi, e também já vista em forma de minissérie de Rainer Werner Fassbinder em 1980. Qurbani dá atualidade à obra centenária ao dar ao personagem central – originalmente um ex-detento – o corpo de um refugiado contemporâneo.

Do protagonista da arte gráfica da mostra, Jia ZhangKe, vêm duas obras. Seu mais recente longa-metragem, Nadando Até o Mar se Tornar Azul (2019), uma visão mais intimista do cotidiano do chinês; e também um curta, do mesmo ano, A Visita, que traz a covid-19 como personagem.

Também sobre a covid-19, o controverso artista multiplataforma chinês, Ai WeiWei, apresenta Coronation (2019). A obra traz imagens clandestinas de Wuhan durante períodos de lockdown. A cidade foi o primeiro epicentro da covid-19 no mundo.

Outros destaques que foram exibidos em outros festivais: o inédito documentário Kubrick por Kubrick (2020), de Gregory Monro, exibido em Tribeca, O Ano da Morte de Ricardo Reis (2019), de João Botelho, Araña (2019), do chileno Andrés Wood, exibido em San Sebastián e Toronto, Vencidos da Vida (2019), dirigido por Rodrigo Areias, O Paraíso da Serpente (2020), de Bernardo Arellano, Ordem Moral (2019), de Mário Barroso.


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