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Quarta-Feira 25.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Mato Grosso do Sul

Reinaldo afirma que denúncia do MPF é requentada e será refutada

‘Coleção de equívocos sem credibilidade’, disse o governador

Postado em 15 de Outubro de 2020 - Marta Ferreira - Campo Grande News

Foto: Paulo Francis Foto: Paulo Francis

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O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) classificou como coleção de equívocos a investigação que desaguou em denúncia contra ele, os irmãos Wesley e Joesley Batista, donos do grupo JBS, e mais 21 pessoas, apresentada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo.

Reinaldo afirmou, em entrevista ao site Campo Grande News, que a peça acusatória, derivada da Operação Vostok, tem como base a delação de pessoas sem qualquer credibilidade, cujas afirmações têm sido questionadas e derrubadas com frequência.

Ainda de acordo com as respostas do chefe do Executivo, cada ponto de irregularidade apontado será refutado durante o correr da investigação. Isso, relembra, já foi feito em CPI aberta na Assembleia Legislativa, em 2017.

O governador vê, ainda, exploração eleitoreira na divulgação do andamento das apurações, que vêm a público justamente em período de campanha política.

 

Governador, como o senhor está vendo a evolução do caso JBS? Como o senhor recebeu a   denúncia?

Era um resultado até esperado, inclusive para tentar justificar a Operação Vostock. Vocês se lembram: fizeram uma operação exorbitante, totalmente desnecessária e acabaram refém dela. Basta olhar os fatos: todos os que foram presos daquele jeito, totalmente midiático, estavam aqui à disposição da polícia e da Justiça e poderiam simplesmente ser convocados para depor e esclarecer os fatos, as acusações. Mas não! Tinham que fazer daquela forma, e nada é por acaso, não é mesmo? Foi exatamente no meio da campanha eleitoral, poucos dias antes das eleições. Uma coisa despropositada e absurda.

Aí, acredito que pra justificar tudo isso, ficaram sem saída: tinham que indicar e denunciar. A verdade é que já são três anos de inquérito e nesse longo tempo não conseguiram levantar uma única prova de que eu tenha cometido algum ilícito ou recebido vantagem indevida. Tenho fé que esse caso vai ter o mesmo destino de outros dois que frequentaram a mídia –   e fizeram o estrago que queriam – e   depois não viraram nada. Foram devidamente arquivados, porque totalmente improcedentes. O importante é que, agora, vamos ter a oportunidade de, pela primeira vez, fazer uma ampla defesa e esclarecer ponto por ponto.

Mas, na delação, os irmãos Batista acusam diretamente o senhor...

Cá entre nós: não tem nada mais sem credibilidade no Brasil do que a delação da JBS! Essa gente fez o que quis durante muito tempo, impunemente. Cometeram vários ilícitos, de todo tipo e só tinha um jeito de se safarem: invertendo as coisas – procuraram sair da posição de vilões para os mocinhos da história. Mas nada como o tempo... Não há como ignorar que, a essa altura, as delações de membros da JBS estão sob grave suspeição e algumas já foram inclusive descartadas pelo próprio Ministério Público, porque estavam atoladas em inconsistências... E novas decisões nesta direção podem ser tomadas agora, pelo Judiciário, colocando tudo em seu devido lugar.

E esse caso, específico, governador?

Vai pro mesmo lugar de tantos outros, tenho certeza. É como sempre digo: no final a verdade prevalece à mentira. Porque ninguém engana todo mundo o tempo todo!

O senhor acha que houve manipulação?

Infelizmente sim. Eu, pessoalmente, me sinto muito indignado, não só por mim, mas pela minha família e pessoas do nosso governo que viraram alvo e acabaram injustamente expostos nas páginas dos jornais e nas redes. Ao final, é um grande esforço de criminalização da atividade política. A gente tem que constatar que, se apuraram muita coisa errada, também erraram tentando jogar todo mundo na vala comum da corrupção. Eu não aceito isso. E vou até o fim pra provar minha integridade.

Acho que, quem tem mandato, tem responsabilidade e tem obrigação de prestar contas à população. Já fui investigado inúmeras vezes na minha vida pública e acho normal, entendo que tem que ser assim. São mais de 30 anos de atividade política e jamais tive uma condenação pelo que quer que seja. Veja os últimos casos, de pouco tempo atrás: dois inquéritos que alimentaram a mídia a todo custo – o 1198 e o 1257. Esclarecidos os fatos, foram arquivados pela justiça, por falta de provas. Mas na hora em que isso acontece, vocês sabem, não há reparação equivalente aos ataques sofridos na imprensa e nas redes sociais. Acaba tudo por isso mesmo. Infelizmente...

Onde estariam as inconsistências desse caso, então?

Tem uma verdadeira coleção de equívocos, que vamos esclarecer, um a um, no curso do processo. Não posso tratar deles, ainda, aqui, porque o processo, como vocês sabem, corre sob sigilo de justiça. Mas, como já disse, vamos provar que não houve nenhuma vantagem indevida e nem tampouco qualquer ilícito.

O caso está aí, na imprensa, Governador? Que sigilo?

Na imprensa, não! Só se for a imprensa marrom.... Porque esses aí não dá pra chamar de imprensa... São veículos sem qualquer compromisso com a verdade, pinçando fatos isolados de um inquérito que deveria estar trancado, sob sigilo de justiça. No Brasil é assim: os atingidos por um monte de denúncias furadas não têm sequer acesso às acusações, porque o processo está sob sigilo.  O mesmo princípio, no entanto, não vale pra essa gente, porque eles servem a outros interesses, infelizmente.”

Mas nesse caso, Governador, a conclusão do inquérito aponta inclusive documentos que provariam o contrário do que o senhor está dizendo...

Não é verdade. Esse caso é tão absurdo que seria o primeiro, na história, de um governante que cobra propina para penalizar e não beneficiar uma empresa.... Veja que o único termo de incentivo fiscal que assinei revê toda a situação do incentivo da JBS e que acabou por aumentar, e muito, a arrecadação para o Estado. As pessoas não sabem, mas eles praticamente quintuplicaram o volume de impostos pagos em nosso governo em função da revisão, se comparado com os anos e governos anteriores.

E agora o assunto voltou... O senhor vê motivação eleitoral, já que estamos próximos às eleições?

O ano, mais uma vez, é eleitoral. Então, é sempre assim quando se aproxima a eleição! Isso é política velha, tocada por puro oportunismo. No começo do ano, chegaram a fazer até pedido de impeachment, o mesmo pedido que já havia sido feito três anos atrás e que foi descartado, por falta de provas e total inconsistência. Lembro que a CPI instalada em 2017 vasculhou durante 120 dias todo esse assunto e não encontrou qualquer irregularidade em relação ao governador.

Pelo contrário, acabou confirmando o que nós vínhamos apontando: a JBS estava fraudando sistematicamente o sistema tributário do Estado, com emissão de notas frias e outros expedientes. É o que está lá, em 96 páginas do Relatório Final. Isso ninguém fala. Tanto é assim que foi pedido judicialmente o bloqueio de bens do grupo no Estado. A empresa fez uma confissão dos crimes que ela cometeu e partir daí se estabeleceu o bloqueio de bens e o ressarcimento, que vem acontecendo em parcelas. Não haverá nenhum centavo de dano ao erário.

O que o senhor espera, então, governador?

Espero que seja feita justiça neste caso, pois confio nas instituições do País. Que se puna quem errou e que se absolvam os que foram acusados e atacados injustamente.  Da minha parte, continuo trabalhando sem descanso. Só não perco muito o meu tempo frequentando live todo dia... Não é o meu estilo. As pessoas não imaginam o nível de sacrifício para manter o Mato Grosso do Sul de pé nesses tempos difíceis. Fizemos o que tinha que ser feito, com coragem, e agora estamos colhendo os resultados.

Somos um dos primeiros Estados a vencer a recessão dos anos 2015- 2018 e temos orgulho de ser hoje o Estado mais aberto do país e, ao mesmo tempo, estar entre aqueles com o menor número de perda de vidas no contexto do coronavírus. Ao contrário de outros Estados, estamos mantendo as contas em dia, sem um único registro de atraso e investindo forte nos serviços públicos essenciais, especialmente de saúde, neste momento. Nossa retomada está a pleno vapor: já somos o segundo estado que mais cresce, um dos que mais gera empregos e o quarto que mais investe.


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