Semana On

Sexta-Feira 30.out.2020

Ano IX - Nº 416

Especial

Assédio

Quase metade das mulheres sofreu assédio sexual no trabalho; 77% das meninas e jovens foram vítimas no ambiente online

Postado em 12 de Outubro de 2020 - Marina Dayrell (O Estado de S.Paulo), Renata Leal (Plan International) – Edição Semana On

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No começo deste ano, quando LinkedIn e Think Eva se juntaram para fazer uma pesquisa sobre assédio sexual no mercado de trabalho, esta reportagem procurou mais de 10 grandes empresas, brasileiras e multinacionais, para uma entrevista sobre as boas práticas que adotam para coibir esse tipo de crime. A recusa da maioria esmagadora em falar sobre o assunto deixou claro que o tema ainda é um tabu no mundo corporativo.

No entanto, os dados divulgados no último dia 6 mostram que o tema precisa ser discutido. Entre as 381 mulheres ouvidas pela pesquisa “Trabalho sem assédio”, 47% afirmam já ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho

Ainda que seja uma questão de gênero e, por isso, atinja todas as mulheres, o levantamento mostra que o assédio acontece de forma desigual de acordo com um recorte racial. Entre as mulheres que afirmam já terem sofrido assédio sexual no mercado de trabalho, 52% são negras.

Além da questão racial, o recorte de classe também define quem são as mulheres que sofrem ainda mais as consequências dos assédios. A sensação de insegurança é maior entre as mulheres negras (54%) e entre aquelas com renda de até dois salários mínimos (51%). Os índices chegam a ser 10 pontos percentuais mais altos se comparadas as mulheres negras com outros perfis raciais (como brancas e amarelas).

Os resultados também mostram que, além de não conseguir coibir os assédios, as empresas têm falhado em conseguir a confiança das funcionárias e em solucionar as denúncias. Apenas 5% das respondentes dizem ter recorrido ao departamento de RH após um caso de assédio. A maioria, 50%, contou apenas para pessoas próximas. Já uma a cada seis mulheres pediu demissão.

A pesquisa faz parte de uma iniciativa inédita do LinkedIn no Brasil para identificar o assédio sexual sofrido pelas mulheres no mundo offline e na plataforma online. “Durante a pandemia houve aumento de 71% no conteúdo relacionado ao tema no LinkedIn. Queríamos entender se era exclusivo do mundo online ou reflexo do mundo offline. Concluímos que existem os dois, com o agravante de que o agressor acaba se sentindo mais protegido no mundo online”, afirma Ana Claudia Plihal, executiva de Soluções de Talento no LinkedIn.

A partir das respostas, as criadoras da pesquisa pretendem convidar as empresas a tomarem uma postura ativa para coibir os casos de assédio sexual. “É a mulher que sofre o assédio, é ela que tem que lidar, ela que fica silenciada a ponto de ir embora. Queremos jogar o debate de volta para a sociedade, para as empresas, para as pessoas que contratam e recrutam”, diz Maíra Liguori, diretora de Impacto da Think Eva.

Com o lançamento dos dados oficialmente nesta terça, o LinkedIn também anuncia novas ferramentas na plataforma e o uso de inteligência artificial para denunciar o assédio cometido dentro da plataforma. O Brasil é o primeiro País a receber o projeto, que será expandido para os outros países onde a empresa possui escritórios. No Brasil, a pesquisa ouviu 381 mulheres das cinco regiões e de todas as idades, a maior parte delas entre 16 e 34 anos.

Assédio on-line

A maior pesquisa já feita sobre violência on-line mostra que 19% das meninas abandonaram ou reduziram significativamente o uso de uma plataforma de mídia social depois de serem assediadas; 12% mudaram a forma de se expressar. Praticamente oito a cada 10 meninas e jovens mulheres já sofreram com assédio on-line no Brasil.

A estatística chocante é uma das descobertas da pesquisa Liberdade on-line? – Como meninas e jovens mulheres lidam com o assédio nas redes sociais, realizada pela ONG Plan International Brasil com 14 mil meninas de 15 a 25 anos em 22 países, incluindo o Brasil, onde 500 meninas participaram.

Em um país onde 90% das entrevistadas afirmaram que usam as redes sociais com frequência, os números preocupam ainda mais. No mundo todo, a pesquisa apontou que 58% das meninas já foram assediadas ou abusadas on-line. Aqui no Brasil, a pesquisa será apresentada no seminário Conectadas e Seguras – Desafios para a presença de meninas no espaço on-line, em 8 de outubro, a partir das 17 horas, em parceria com o Ministério Público de São Paulo e a Escola Nacional do Ministério Público, com transmissão pelo YouTube. A divulgação da pesquisa é parte do movimento #MeninasOcupam, que celebra o Dia Internacional da Menina, em 11 de outubro.

O estudo, que faz parte da campanha mundial Meninas Pela Igualdade, destaca que os ataques são mais comuns no Facebook e no Instagram. Entre as jovens que afirmam ter sofrido assédio, 62% das brasileiras disseram que a situação aconteceu no Facebook (39% no estudo global) e 44% no Instagram (23% no global). No país, os ataques via WhatsApp também são relevantes, com 40%. Por isso, as meninas e jovens mulheres exigem ações urgentes das empresas de mídia social: 44% dizem que essas companhias precisam fazer mais para protegê-las.

Juntas, as meninas escreveram uma carta aberta ao Facebook, Instagram, TikTok e Twitter, convocando-os a quebrar o silêncio e criar formas mais fortes e eficazes de denunciar abusos e assédio. A Plan International também está pedindo aos governos no mundo todo para que implementem leis específicas para lidar com a violência on-line baseada em gênero e garantir que as meninas que sofrem isso tenham acesso à justiça. A carta está disponível aqui e aberta para a assinatura de todas e todos.

Destaques da pesquisa

O estudo descobriu que meninas que usam mídia social em países de alta e baixa renda estão cotidianamente sujeitas a mensagens explícitas, fotos pornográficas, perseguição on-line e outras formas angustiantes de abuso. O problema, segundo elas apontam é que as ferramentas de denúncia são ineficazes para impedir o assédio.

A violência on-line fez com que quase uma em cinco (19%) das meninas assediadas no mundo parassem ou reduzissem significativamente o uso da plataforma onde a violência ocorria, enquanto uma em dez (12%) mudou a forma de se expressar. No recorte brasileiro da pesquisa, 39% das meninas que já sofreram assédio on-line ignoraram seus assediadores e continuaram usando a rede social da mesma forma.

O abuso também prejudica a vida offline das meninas, com uma em cada cinco (22%) das entrevistadas dizendo que elas ou uma amiga ficaram preocupadas por sua segurança física. Entre as brasileiras, 46% das meninas e de suas amigas enfrentam mais assédio nas redes sociais do que na rua.

“Embora esta pesquisa tenha como base as conversas com mais de 14 mil meninas em vários continentes, elas compartilham experiências semelhantes de assédio e discriminação”, afirma Anne-Birgitte Albrectsen, CEO da Plan International. “Esses ataques podem não ser físicos, mas geralmente são ameaçadores, implacáveis e limitam a liberdade de expressão das meninas. Tirar as meninas dos espaços on-line é extremamente enfraquecedor em um mundo cada vez mais digital e prejudica sua capacidade de serem vistas, ouvidas e se tornarem líderes”, complementa.

No estudo global, o tipo de ataque mais comum é a linguagem abusiva e insultuosa, relatada por 59% das meninas que foram assediadas, seguido por constrangimento proposital (41%), vergonha do corpo e ameaças de violência sexual (ambos 39%). No Brasil, os números registrados apresentaram algumas diferenças: o ataque mais comum também foi a linguagem abusiva e insultuosa (58%), seguido de araques à aparência, incluindo vergonha do corpo (54%) e constrangimento proposital (52%). Aqui, os comentários racistas (41%) e os homofóbicos (40%) tiveram percentuais relevantes.

Mais da metade (54%) das meninas brasileiras que são de uma minoria étnica e sofreram abusos afirmam que são atacadas por causa de sua raça ou etnia, enquanto quase a metade (44%) das que se identificam como LGBTIQ+ afirmam que são assediadas por causa de sua identidade de gênero ou orientação sexual. No mundo, a questão homofóbica é ainda pior, com 56%.

“As comunidades e famílias devem engajar as meninas no tema de forma que elas se sintam seguras em falar sobre assédio on-line ao saberem que receberão todo o apoio necessário. A sociedade civil deve desenvolver e disseminar a educação sobre cidadania digital, aumentando a conscientização a respeito das oportunidades e riscos de estar on-line”, afirma Cynthia Betti, diretora executiva da Plan International Brasil.

A voz das meninas

As meninas relatam que as situações de assédio on-line começam cedo. A faixa etária mais frequente é entre os 12 e os 16 anos, mas testemunhos de garotas que foram assediadas pela primeira vez entre os 8 e os 11 anos. Em tese, a idade mínima para o uso das redes sociais é a partir dos 13 anos, mas sabe-se que na prática acontece antes disso em muitos casos, com ou sem a supervisão de mães, pais e responsáveis. O assédio também é praticado majoritariamente por pessoas estranhas (47%), anônimas (38%) e fora do círculo de amizade (38%), segundo relatado por meninas brasileiras.

Descrevendo sua experiência de usar redes sociais quando menina, uma jovem de 20 anos do Sudão disse: “Eu costumava receber muitas mensagens de meninos me pedindo para mandar nudes ou me chantageando sobre uma foto que postei. Ou geralmente me falando palavrões. Naquela idade foi, honestamente, horrível. Então, foi o pior momento da minha vida, entre 9 e 14 anos”.

Embora uma em cada três meninas (35%) na pesquisa global tenha denunciado os abusadores, a situação persiste porque eles abrem novas contas e um número significativo de pessoas precisa denunciar o conteúdo prejudicial antes que qualquer ação seja tomada. As meninas têm consciência disso. “Eu bloquearia [o abusador], mas ele criaria mais perfis e continuaria enviando fotos minhas”, afirma uma menina de 17 anos que vive no Equador.

O assédio tem um impacto profundo na confiança e no bem-estar das meninas, com 41% dizendo que cria estresse mental e emocional, 39% com sensação de insegurança física e 29% com baixa na autoestima e perda de confiança.

Acesso à internet

No Brasil, a questão do acesso à internet também é uma discussão relevante. Por isso, tanto aqui quanto na América Latina, a campanha da Plan International também carrega a hashtag #ConectadasESeguras. Cerca de 70 milhões de brasileiros têm acesso precário à internet ou não têm qualquer acesso, de acordo com os dados mais recentes (2018) da pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor de Internet no Brasil. Mais de 42 milhões de pessoas nunca acessaram a rede e mais de 25 milhões das pessoas em situação socioeconômica mais vulnerável só acessam a internet pelo celular com pacotes de dados limitados. Entre quem acessa a rede com regularidade, em média 56% só têm o celular como meio disponível. Esse número aumenta para 85% nas classes D e E.

As desigualdades na conexão não estão relacionadas apenas a ter o serviço disponível, mas também à qualidade da conexão. Até nas grandes cidades, as regiões periféricas costumam não ter a mesma disponibilidade de opções de serviço que os bairros nobres.

“Sempre contamos que vivemos em um mundo inteiramente conectado, mas isso não é verdade. Existem milhões de pessoas sem acesso à internet e não garantir esse acesso é fazer com que essas pessoas fiquem para trás”, afirma Viviana Santiago, gerente de gênero e incidência política na Plan International Brasil. “Acreditamos que estar conectadas é um direito de cada uma e de todas as meninas, mas estando conectadas as meninas precisam vivenciar um espaço seguro, livre de violências. A violência on-line tenta expulsar as meninas da internet da mesma maneira que diariamente tentam expulsar meninas e mulheres das ruas. A violência on-line é grave, causa danos reais e silencia a voz das meninas. Não aceitamos isso.”

Carta aberta

Como parte da campanha, meninas de todo o mundo escreveram uma carta aberta ao Facebook, Instagram, TikTok e Twitter, fazendo uma convocação para que as empresas criem maneiras mais fortes e eficazes de denunciar abusos e assédio. “As empresas de mídias sociais têm o poder de fazer mudanças. Elas devem fazer mais para combater o comportamento prejudicial e garantir que suas plataformas sejam ambientes seguros que permitam que meninas, mulheres jovens, jovens LGBTQ+ e outros grupos vulneráveis ao assédio se expressem plenamente e desempenhem seu papel legítimo na formação do mundo moderno”, afirma Anne-Birgitte Albrectsen. Endereçar esta carta é uma atitude crucial e urgente. As meninas convocam toda a sociedade para se unir e amplificar suas vozes.

Dados da pesquisa mundial

A pesquisa Liberdade on-line? – Como meninas e jovens mulheres lidam com o assédio nas redes sociais entrevistou meninas e jovens mulheres em 31 países, sendo que 14.071 meninas fizeram parte do estudo quantitativo realizado em 22 países, conduzido para a Plan International pela Kantar e pela Ipsos entre 1 de abril e 5 de maio de 2020. Além disso, a pesquisa também contou com entrevistas qualitativas aprofundadas.

Entre os países do estudo quantitativo estão Alemanha, Austrália, Benin, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Espanha, EUA, Filipinas, Gana, Guiné, Holanda, Índia, Indonésia, Japão, Nigéria, Noruega, Quênia, República Dominicana, Tailândia e Zâmbia. As meninas foram questionadas sobre suas experiências de uso do Facebook, Twitter, Instagram, TikTok, Snapchat, WhatsApp, WeChat, YouTube e Line.

Pesquisa Liberdade on-line? em números (Brasil)

Perfil das meninas

500 meninas e jovens mulheres brasileiras entre 15 e 24 anos responderam
10% LGBTIQ+
9% de minorias étnicas
4% têm algum tipo de deficiência física

Como elas usam as redes sociais?

99% usam
90% usam com muita frequência ou com frequência
79% comentam com muita frequência ou com frequência posts de outras pessoas
82% têm alto índice de uso de redes sociais
14% médio uso
4% baixo uso

O que elas usam?

94% WhatsApp
78% Instagram
64% Facebook

O assédio on-line

77% das meninas e jovens mulheres disseram já ter sofrido alguma forma de assédio on-line em mídias sociais
Na América Latina: 60%
Nos 22 países da pesquisa: 58%
Entre as que nunca sofreram algum tipo de assédio, 38% conhecem outras meninas que sofreram.

A idade do primeiro assédio

Dos 12 aos 16 anos é quando as meninas mais começam a sofrer assédio on-line
Mas há meninas que foram assediadas pela primeira vez mais cedo, entre os 8 e os 11 anos

Onde o assédio ocorreu?

62% Facebook
44% Instagram
40% WhatsApp

Frequência do assédio

31% Muito frequente
22% Frequente
24% Às vezes
15% Raramente
8% Nunca sofreram

Elas conhecem o assédio?

53% já ouviram muito
31% ouviram alguma coisa
12% ouviram pouco
4% nunca ouviram falar sobre assédio [6% na América Latina]
Entre as meninas que nunca ouviram falar sobre assédio on-line, 79% responderam que nunca foram assediadas.
Entre as que ouviram pouco, só 23% disseram que nunca foram assediadas.
Entre as que ouviram alguma coisa, 28% nunca foram assediadas.
Entre as que ouviram muito, 15% nunca foram assediadas.

Tipos de assédio on-line

58% linguagem insultuosa e abusiva
54% ataques à aparência ou características intersetoriais das meninas, incluindo vergonha do corpo
52% constrangimento proposital [compartilhamento não autorizado do conteúdo das meninas, inclusive com o propósito de constranger as meninas publicamente]
48% assédio sexual
41% comentários racistas
40% comentários homofóbicos (anti-LGBTIQ+)
32% perseguição
29% ameaças de violência sexual
29% ameaças de violência física

78% das meninas disseram que elas ou meninas que elas conhecem já sofreram múltiplas formas de assédio.
22% das meninas disseram que elas ou meninas que elas conhecem só sofreram uma forma de assédio.
20% das meninas disseram que elas ou meninas que elas conhecem já sofreram todos os tipos de assédio listados.

Por que o assédio acontece?

55% estilo ou aparência
20% posição política
18% raça ou etnia
16% orientação sexual
15% gênero
4% deficiência

Meninas com mais de uma característica (minoria étnica, LGBTIQ+ e/ou deficiência) sofrem mais assédio.

29% das meninas com mais de uma característica sofrem assédio on-line com muita frequência.
17% das meninas sem essas características sofrem assédio on-line com muita frequência.

44% das meninas que se identificam como LGBTIQ+ afirmaram que sofrem assédio por sua orientação sexual.
13% das meninas com deficiência sofrem assédio por sua deficiência.
54% das meninas de minorias étnicas sofrem assédio por sua etnia.

Quem assedia?

47% Estranhos
38% Pessoas anônimas
38% Pessoas que não são amigas/amigos
14% Grupo de estranhos
13% Pessoas da escola
9% Amigos
5% Parceiro(a) atual ou ex

58% disseram que elas e outras meninas que elas conhecem foram assediadas por pessoas conhecidas.
42% foram assediadas por pessoas desconhecidas.

As consequências do assédio on-line

41% Estresse mental ou emocional
39% Sensação de insegurança física
29% Baixa autoestima ou perda de confiança
17% Problemas com amigos ou família
15% Problemas na escola
7% Problemas para encontrar ou manter um emprego

68% das meninas ou meninas que elas conhecem já enfrentaram pelo menos um efeito negativo do assédio on-line.

Como elas lidam com o assédio on-line

39% Ignoraram o assediador e continuaram usando a rede social
20% Desafiaram publicamente o assediador escrevendo uma resposta
12% Passaram a usar uma rede social onde o assédio acontece menos
9% Pararam de postar conteúdo opinativo
9% Mudaram a forma de se expressarem
5% Pararam de usar a rede social na qual o assédio aconteceu

Soluções de tecnologia

46% Denunciaram o assediador
21% Tornaram o perfil privado

Assédio on-line x offline

O assédio on-line é uma extensão do assédio que as meninas sofrem em outros lugares, como a rua.
46% das meninas e das meninas que elas conhecem enfrentam mais assédio nas redes sociais do que na rua
28% disseram que enfrentam mais assédio nas ruas do que nas mídias sociais
25% enfrentam assédio on-line e na rua com a mesma frequência

Elas se sentem seguras nas redes sociais?

8% Nunca se sentem seguras
20% Não muito
41% Nem seguras nem inseguras
25% Seguras na maior parte do tempo
6% Seguras

Quem deveria atuar de forma positiva para ajudar?

44% Empresas de redes sociais
23% Polícia
16% Poder público
12% Outras pessoas que testemunham assédio
6% Organizações da sociedade civil e ativistas


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