Semana On

Quinta-Feira 29.out.2020

Ano IX - Nº 416

Poder

Aprovação de Bolsonaro sobe impulsionada por quem ganha até um salário e tem menos instrução

Pesquisa Ibope mostra que 40% dos entrevistados avaliam o governo como ótimo ou bom, um aumento de 11 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior

Postado em 25 de Setembro de 2020 - DW, Rodolfo Borges (El País), Ricardo Noblat (Veja) – Edição Semana On

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A aprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro subiu para 40%, de acordo com uma pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira (24). O levantamento mostrou um aumento de 11 pontos percentuais na avaliação do governo em relação à sondagem anterior, realizada em dezembro de 2019.

Segundo o Ibope, 40% dos entrevistados avaliam o governo como ótimo ou bom, enquanto 29% o consideram ruim ou péssimo, mesmo percentual dos que o avaliam como regular, enquanto 2% não responderam ou disseram não saber.

No levantamento anterior do Ibope, divulgado em dezembro de 2019, 29% avaliavam o governo como ótimo ou bom; 38% como ruim ou péssimo, 31% como regular, e 3% não sabiam ou não responderam. 

A confiança no presidente e a aprovação de seu modelo de governar também registraram aumentos. O índice de confiança em Bolsonaro é de 46%, contra 51% que afirmam não confiar no mandatário. Entre as pessoas pesquisadas, 3% não souberam ou não quiseram responder.

De acordo com a pesquisa, a maneira de governar de Bolsonaro recebeu aprovação de 50%, contra 45% dos que a reprova. Outros 5% não responderam ou não sabem.

O levantamento avaliou também a expectativa da população sobre o governo Bolsonaro. Segundo o Ibope, 36% avaliam que a atuação do governo nos próximos anos deverá ser ótima ou boa, contra 30% que esperam que seja ruim ou péssima.

Para 29%, o restante do mandato do presidente deverá ser apenas regular. Esses percentuais tiveram variações dentro da margem de erro da pesquisa, de 2 pontos percentuais.

O Ibope avaliou também a atuação do governo em setores específicos. Apesar dos altos números da pandemia de covid-19 no Brasil – com mais de 138 mil mortes e 4,6 milhões de casos em todo o país –, o desempenho do governo na área da saúde é aprovado por 43% dos entrevistados, enquanto 55% o reprovam. Sobre este quesito, 2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

Os setores em que o governo enfrentou maiores reprovações foram o do meio ambiente (57%), o combate ao desemprego (60%), a taxa de juros (64%) e os impostos (67%). As maiores aprovações foram registradas nas áreas da segurança pública (51%), combate à fome e à pobreza (48%) e educação (44%)

O levantamento, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizado entre os dias 17 e 20 de setembro e ouviu 2 mil pessoas em 127 municípios. Segundo a CNI, a confiabilidade nos resultados da pesquisa é de 95%.

Aprovação é puxada por quem ganha até um salário mínimo e tem menos instrução

O auxílio emergencial de 600 reais para minimizar os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus já caiu pela metade, mas seus efeitos na popularidade do presidente Jair Bolsonaro permanecem. Nem o aumento na rigidez dos critérios para conceder a ajuda aos brasileiros mais pobres foi capaz de impedir a subida da aprovação de Bolsonaro. É essa parcela da população que impulsionou a avaliação de ótimo ou bom do presidente.

Também foi identificado um aumento expressivo no apoio ao Governo Bolsonaro entre os entrevistados com menor grau de instrução ―entre os eleitores com até a oitava série do ensino fundamental, a avaliação de ótimo ou bom foi de 25% para 44%, enquanto entre os entrevistados com até a quarta série cursada a aprovação subiu de 26% para 40%. Já os eleitores de maior instrução não mudaram de forma considerável sua avaliação sobre Bolsonaro ―o Ibope destaca apenas que a confiança no presidente entre quem tem ensino superior caiu de 45% para 37%.

Análise

De janeiro do ano passado quando tomou posse e até dezembro, a popularidade de Bolsonaro só fazia cair, bem como a confiança dos brasileiros nele e a aprovação do seu governo, segundo pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria.

O que aconteceu de lá para cá que justifique o crescimento exponencial de Bolsonaro conferido pela mais recente pesquisa Ibope? Certamente não foi a alta da inflação, nem a saída de Sérgio Moro do governo, nem o aumento do desemprego.

Tampouco o desempenho desastroso do governo durante a pandemia que já matou quase 140 mil pessoas e infectou mais de 4.650.000. Foi basicamente o pagamento do auxílio emergencial de 600 reais para os brasileiros mais pobres.

Entre os eleitores com renda familiar de até um salário mínimo, a popularidade de Bolsonaro subiu de de 19% em dezembro para 35%. Entre os eleitores com menor grau de instrução, a avaliação de ótimo ou bom saltou de 25% para 44%.

Aproveite Bolsonaro o tempo das vacas gordas. Em breve elas poderão emagrecer quando ao invés dos 600 reais, os contemplados com o auxílio passarem a receber só 300, e quando depois o auxílio cessar por falta de dinheiro.


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