Semana On

Quarta-Feira 21.out.2020

Ano IX - Nº 415

Cultura e Entretenimento

Para tempos difíceis

Uma seleção de conteúdos para acessar enquanto durar a pandemia — e depois

Postado em 24 de Setembro de 2020 - Ana Cláudia Peres - Radis

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Garimpamos na internet uma série de conteúdos distribuídos em formatos diversos (filmes, livros, coleções digitais e cartas, lives e podcasts) que podem interessar os nossos leitores para além da covid-19 — ou que, mesmo quando relacionados à pandemia do novo coronavírus, inspirem e ajudem a respirar. Pode ser uma dica para conhecer os meninos do Complexo do Alemão, uma sugestão para uma conversa tira-dúvidas sobre os caminhos da vida acadêmica ou um convite para escrever uma história coletiva sobre o momento atual.

Para ver os meninos

Do alto de uma laje no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, 30 jovens negros moradores da periferia falam de política, raça, religião, violência policial, a vida na favela, as paixões, o futuro. Eles têm entre 15 e 29 anos e, antes de mais nada, contam de si para o mundo em depoimentos para um museu virtual. Thaylson é estudante e gay e reclama de intolerância, mas acredita que num futuro próximo as pessoas vão aceitar as outras como são. Ian dá aulas de Química em um projeto social. Maurício dança e, para ele, a favela é a sua coluna, o que lhe constitui, o que lhe põe de pé. Foi Maurício quem idealizou o projeto intitulado Museu dos Meninos, que pode ser conferido no Youtube (https://bit.ly/3fZVxIF) e no Instagram (@omuseudosmeninos). Além das narrativas divididas em três coleções de vídeos curtos, em agosto, a página estreou a série “Arqueologias do futuro”, com visitas guiadas ao acervo virtual do museu e participação de convidados como a escritora Djamila Ribeiro.

Banquinha tira-dúvidas

Nesta live que vai ao ar sempre aos domingos, às 17 horas, em seu perfil no Instagram, a antropóloga Debora Diniz faz um passeio por dúvidas que costumam atormentar quem se aventura pelo mundo acadêmico. Os assuntos da “banquinha tira-dúvidas” vão desde definição de temas de pesquisa, noções de escrita e metodologia até a malfadada procrastinação. Sempre descontraídos, os bate-papos já trataram sobre como escolher (ou ser escolhida) por uma orientadora e também sobre coisas mais cotidianas, mapas de autoras e como melhor realizar fichamentos. Tome nota do perfil: @debora_d_diniz

Letra e música

Que tal um pouco de Aldir Blanc? O escritor e compositor brasileiro — que em 4 de maio perdeu a luta para covid-19 e agora, durante a pandemia, dá nome à lei emergencial de auxílio financeiro a artistas e estabelecimentos culturais — era um cara recluso. Mas em 2016, às vésperas de completar 70 anos, abriu as portas de casa para uma conversa regada à música e poesia. O registro dividido em quatro blocos faz parte do acervo da Rádio Batuta. Ouça o especial sobre o autor de “O bêbado e a equilibrista”, música que acabou se tornando um hino contra a ditadura, clicando aqui: https://radiobatuta.com.br/especiais/aldir-blanc-70-anos/

Carolinas

Já se passaram 60 anos desde que “Quarto de Despejo”, o sempre atual livro de Carolina de Jesus foi lançado. Nunca é tarde para conhecer ou voltar a ler este diário sobre o cotidiano de uma favela às margens do rio Tietê, mas também sobre racismos e desigualdades que imperam no Brasil. “Eu sou negra, a fome é amarela e dói muito”, escreveu nas páginas de cadernos catados no lixo e depois revelados ao mundo pelo jornalista Audálio Dantas. Para a escritora, a fome é uma forma de escravidão. Nestes tempos de isolamento, há cursos na Internet que vêm revisitando sua obra, como o que foi ministrado em agosto por Tom Faria, autor de “Carolina, uma biografia”, livro lançado em 2018 pela editora Malê e finalista do prêmio Jabuti. Confira ainda a HQ “Carolina”, de Sirlene Barbosa e João Pinheiro (Editora Veneta).

Livros livres

Imagine uma página online e com acesso aberto que reúna livros, artigos, teses e fontes de conhecimento na área de Comunicação e Informação em Saúde. Isso já é realidade com a recém-lançada Biblioteca Virtual do Ensino. Criada para apoiar os alunos do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz, a página está disponível a qualquer estudante ou pesquisador interessado nas suas temáticas. Confira você mesmo: https://bit.ly/3g04EJm

Tela grande na telinha

Para aliviar o isolamento, cinema em casa também pode ser a maior diversão. Durante a pandemia, a plataforma digital do Sesc disponibiliza um sem número de filmes. A cada semana, sempre a partir de quinta-feira, quatro novos títulos, entre longas e documentários, nacionais e estrangeiros, clássicos e contemporâneos, para todas as idades, com acesso gratuito a qualquer hora do dia e sem necessidade de cadastro. Confira: https://bit.ly/3iQkic8

Vagalumes

A exemplo do Inumeráveis, memorial dedicado às vítimas do novo coronavírus no Brasil (https://inumeraveis.com.br/), a página Vagalumes (http://memoriavagalumes.com.br/) faz uma espécie de obituário das pessoas indígenas que partiram também vitimadas pela covid-19. O grande cacique do Alto Xingu, Aritana Yawalapiti, morto em 5 de agosto, ganhou um texto assinado por Felipe Milanez, antropólogo e jornalista. No Memorial Vagalumes é possível ainda conhecer iniciativas solidárias e prestar apoio aos povos indígenas.

Ciência ao pé do ouvido

O biólogo e neurocientista Sidarta Ribeiro foi o entrevistado de estreia do podcast “Cientistas do Brasil que você precisa conhecer”, produzido pelo Nexo Jornal. Com programas mensais, o podcast trará sempre entrevistas com pesquisadores brasileiros cuja produção seja significativa em suas áreas de conhecimento. Cada programa vem acompanhado de uma versão condensada da entrevista, fotos do pesquisador e materiais extras. Ouça aqui: https://bit.ly/2FzaK71. O podcast faz parte de uma série que anteriormente retratou em videobiografias nomes importantes da história da ciência brasileira, entre eles Oswaldo Cruz, Bertha Lutz, Carlos Chagas, Juliano Moreira, Marta Vanucci e Milton Santos, entre outros. Veja aqui: https://bit.ly/2EdvXm8.

Diário para o futuro

O Museu da Pessoa faz um convite para tempos de isolamento: que tal registrar suas memórias cotidianas e ajudar a construir uma história para o futuro? Assim, quem sabe, daqui a cinco, 10 ou 100 anos, as pessoas possam entender melhor esse momento de pandemia. Pode ser uma reflexão ou algum fato banal e corriqueiro que você queira registrar em forma de áudio, vídeo ou texto. Há orientações de como construir seu diário. Veja aqui (https://museudapessoa.org/). A propósito: o Museu da Pessoa existe desde antes da Internet, mas em 1997 abriu seu espaço virtual. O “Diário para o Futuro” é apenas uma das facetas da página. Entre outras, estão a exposição “Amigos do Vlado”, uma coleção de histórias sobre Vladimir Herzog, com base na memória daqueles que conheceram o jornalista, e “Contar para viver: narradores do Brasil”, dedicada à capacidade humana de contar histórias.

Cartas na despedida

Assim como Radis prestou homenagem às famílias afetadas pela covid-19, na reportagem “A dor da gente” (edição 214), o jornal El Pais Brasil vem dedicando espaço à memória das vítimas por meio de cartas enviadas por familiares e amigos aos repórteres do jornal. Desde 7 de agosto, véspera do dia em que o país atingiu a terrível marca dos 100 mil mortos, o El país publica os relatos em suas edições. Há o adeus ao marido, à mãe, ao irmão, ao primo, como uma forma de manter vivas as lembranças. Para ler, acesse: https://bit.ly/2QaZYGh


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