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Sexta-Feira 27.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Mato Grosso do Sul

MS terá unidades móveis e postos avançados para socorrer animais atingidos por incêndios florestais

Fogo que avança sobre o Pantanal coloca em risco animais ameaçados

Postado em 18 de Setembro de 2020 - Por Flávio Dias (G1MS), Cláudia Gaigher (TV Morena), Semana On, DW – Edição Semana On

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O Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mato Grosso do Sul (Cras) montou postos avançados e vai ter unidades móveis para oferecer os primeiros socorros aos animais feridos pelos incêndios florestais no estado.

Desde o início do ano o estado sofre com queimadas. Segundo Dados do Prevfogo, o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos incêndios florestais do Ibama, somente no Pantanal de Mato Grosso do Sul, os incêndios florestais já destruíram 1,165 milhão de hectares.

Além da vegetação do biomas, os animais tem sido muito atingidos com a situação. Encurralados pelo fogo, eles acabam morrendo ou ficam gravemente feridos.

Na região de Corumbá e Ladário, ambas no Pantanal sul-mato-grossense, que sofre com as intensas queimadas, a recepção contará com apoio da Polícia Militar Ambiental (PMA), onde será montado um centro de atendimento. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul também disponibilizou uma base de pesquisa na estrada-parque para receber animais atingidos pelo fogo.

Conforme a médica veterinária e coordenadora do Cras, Aline Bitencourte Duarte, uma das unidades móveis já está em Alcinópolis, no norte do estado. A região sofre com as intensas queimadas e 40% do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari e região já foi destruído.

Segundo Aline, equipes da unidade atuarão no campo com bombeiros e equipes do Imasul, que estão atuando no combate ao incêndio. "Essa unidade vai dar o primeiro socorro e depois que esses animais ficarem estabilizados, eles serão enviados para o Cras, em Campo Grande.

"Provavelmente nessa tarde já chegam os primeiros animais no Cras. Ládário e Corumbá também estão com um veículo para esse recolhimento de animais silvestres vítimas do fogo", explicou.

Ainda de acordo com a coordenadora, os voluntários e médicos veterinários das cidades que sofrem com os incêndios e que tiverem dificuldades com os animais silvestres feridos, poderão entrar em contato com o Cras para solicitar orientações.

SOS Animais Silvestres

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV) lançou uma campanha para ajudar os animais vítimas das queimadas. O órgão, por meio da "SOS Animais Silvestres", está doando e recebendo doações de medicamentos e insumos para ajudar a tratar esses animais.

Segundo o presidente do CRMV, Rodrigo Piva, o órgão já entrou em contato com os médicos veterinários que estão nos focos da região norte do estado para avaliar a situação. O conselho ainda em ação em conjunto com o governo do estado, instituições públicas e privadas afirmou que estão trabalhando para amenizar os danos causados pelos incêndios.

As doações podem ser feitas por meio do telefone (67) 3331-1655 ou direto na sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul. O órgão está localizado na rua Coronel Cacildo Arantes, 433 - Chácara Cachoeira, Campo Grande.

Primeiros resgates de vítimas dos incêndios

Possíveis vítimas de incêndios, três animais chegaram na quarta-feira (16) a Campo Grande: um veado e duas aves (um filhote de Jandaia Estrela e um gavião-asa-de-telha). Eles estão no Cras. 

Dois filhotes de catetos resgatados pela PMA (Polícia Militar Ambiental) em Costa Rica também estão a caminho da unidade na Capital. Os cinco bichos foram resgatados em regiões de queimadas. 

Os animais que já chegaram ao Cras estão em observação e aguardando exames, conforme a coordenadora Aline Duarte. “Apesar da lesão na pata, o veado está com estado geral bom. Os outros também”, explicou. 

O filhote de veado está com uma possível fratura em uma das patas, que foi imobilizada. Ele foi resgatado em Figueirão e atendido inicialmente por uma veterinária de Alcinópolis, que encaminhou o animal. A Jandaia Estrela também veio de Alcinópolis e o gavião foi resgatado em Rochedinho. 

Até ontem, apenas um cervo, um preá e uma anta haviam chegado ao Cras por consequência das queimadas. O Cras é referência nacional em atendimento a animais silvestres e atualmente está com mais de 250 bichos.

Animais ameaçados

O Pantanal enfrenta os maiores incêndios já registrados na região. O fogo já destruiu mais de 15% da área do bioma.

O estado mais atingido é Mato Grosso, com 1,26 milhão de hectares, dos quais 128 mil foram registrados de janeiro a junho e 1,13 milhão, de julho a setembro, segundo o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.

Em Mato Grosso do Sul foram registrados 414 mil hectares de janeiro a junho e 667 mil hectares queimados de julho a setembro, totalizando 1,08 milhão, também segundo o Corpo de Bombeiros do estado.

Mais de 14 mil focos de incêndios foram detectados pelos bombeiros de janeiro a setembro deste ano, mais do que o triplo do mesmo período do ano passado, segundo dados do Inpe. O Pantanal vive uma situação incomum por causa da seca e sem as cheias provocadas pelos transbordamentos de rios, que são comuns nessa época do ano.

Este ano, o rio Paraguai não transbordou e, assim, não houve cheia no Pantanal. Segundo as autoridades de Mato Grosso do Sul, o nível do rio é o sexto mais baixo desde o início dos registros, há 82 anos.

As autoridades preveem que, até 18 de setembro, não haverá chuva em Mato Grosso do Sul, e as temperaturas continuarão elevadas, com baixa umidade do ar.

Bombeiros, militares e voluntários tentam conter as chamas e, ao mesmo tempo, salvar animais da fauna extremamente rica do Pantanal.

Os incêndios ameaçam também reservas e parques, incluindo a reserva natural do Parque Estadual Encontro das Águas, com mais de cem mil hectares e conhecida por abrigar a maior população de onças-pintadas do mundo, alertaram as autoridades de Mato Grosso.

Reforços foram enviados para combater o incêndio no parque, próximo à fronteira do Brasil com o Paraguai, e estão concentrados na parte leste do parque, comunicaram as autoridades.

As autoridades brasileiras lançaram a Operação Pantanal 2 em 7 de agosto para limitar o impacto dos incêndios e centenas de bombeiros, soldados e brigadistas do Ibama e do ICMBio lutam contra as chamas, apoiados por cinco aeronaves.

Cadáveres de animais na rodovia

Num cenário sombrio, marcado pela fumaça e pelas chamas, cadáveres de animais, como onças, jacarés, veados e aves, são vistos às margens da rodovia Transpantaneira, mortos enquanto tentavam fugir do fogo.

Alguns animais conseguem ser resgatados pelos voluntários e levados a um centro veterinário. Os mais graves são enviados a Cuiabá em helicópteros para receberem tratamento.

"Nossas equipes conseguiram resgatar 14 animais, mas ainda não temos dados concretos sobre o total", declarou a veterinária Karen Ramos Ribeiro à agência de notícias Efe. Ela disse que animais de pequeno porte e mais lentos são os mais afetados pelas chamas, e que as atenções se focam nas espécies ameaçadas, como a onça.

O governo federal afirmou que vai ajudar no combate aos incêndios na região do Pantanal. "Por orientação do presidente Jair Bolsonaro, entrei em contato com os governadores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para reiterar a oferta de ajuda para combate aos incêndios. Através da defesa civil nacional, estamos monitorando o problema e desde o dia 2 de setembro já começamos a liberar recursos, a orientação é não faltar meios para debelar o fogo que ameaça o pantanal", destacou o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.


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