Semana On

Quinta-Feira 29.out.2020

Ano IX - Nº 416

Mato Grosso do Sul

Índios de MS dizem que Médicos Sem Fronteiras foram impedidos de atuar no combate à Covid-19

Deputado apela ao MPF para que profissionais possam atender indígenas

Postado em 20 de Agosto de 2020 - Redação Semana On

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Lideranças indígenas de aldeias terena, localizadas no município de Aquidauana, dizem que uma equipe dos Médicos Sem Fronteiras está impedida de entrar nas comunidades para atuar no combate à Covid-19.

"Nossos parentes estão morrendo", disse o professor Alcenir, explicando que os indígenas precisam do atendimento da organização humanitária. Segundo ele, os profissionais de saúde não podem entrar porque o Distrito Sanitário Indígena (DSEI) não permite.

Ele explica ainda que até alguns meses atrás havia apenas um médico para cuidar de uma população indígena de cerca de 11,6 mil pessoas. A prefeitura de Aquidauana chegou a designar equipes para uma força-tarefa junto aos índios da região e decretou lockdown.

O Distrito Sanitário Indígena ainda não se pronunciou sobre o caso à reportagem, que também aguarda mais detalhes dos Médicos Sem Fronteiras, sobre a situação.

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Aquidauana tem 1.138 casos de Covid-19.

A informação é de que o secretário nacional da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Robson Santos da Silva, não está permitindo a entrada da equipe no distrito de Taunay, mesmo diante de um número assustador de contaminados na região. Somente em Aquidauana, já são mais de 1.138 casos de Covid-19, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. 

Conforme o plano de trabalho apresentado pelo Médicos sem Fronteira, uma equipe volante realizaria trabalho nas comunidades indígenas na região de Aquidauana durante quatro semanas, fornecendo assistência médica direta aos pacientes bem como triagem para Covid-19, cuidados primários de saúde, monitoramento de casos suspeitos da doença, capacitação e suporte técnico para as equipes do DSEI.  

Também estão previstas medidas de controle, prevenção de infecção com o aprimoramento do acesso à água potável e saneamento básico, e promoção da saúde mental para funcionários do DSEI, afetados com a pandemia.  

Para isso, foi designada uma equipe formada por 1 médico (a), 2 enfermeiros (as), 1 promotor (a) de saúde, 1 funcionário (a) de saneamento básico e 1 psicólogo (a), dividida entre local fixo e visitas domiciliares, com base na necessidade de aldeia individual e coordenação com a equipe do DSEI. 

A clínica móvel do MSF será realizada em um local central em cada aldeia ou para cada grupo de aldeias, dando suporte também para as equipes da UBS Bananal e Escola. 

Além dos atendimentos médicos e das atividades conjuntas, as equipes de profissionais terão a missão de providenciar análises e estudos para identificar necessidades relacionadas ao controle da Covid-19, prevenção de doenças, aumentar e melhorar a oferta de água, saneamentos e implementação de recursos que minimizem os riscos às comunidades e equipes de saúde. 

Deputado intervém

O deputado estadual Felipe Orro protocolou na quarta-feira (19), ofício pedindo a intervenção do Ministério Público Federal (MPF) para liberação da equipe dos Médicos Sem Fronteira em terras indígenas. “Nossa luta agora é somar esforços e parcerias para levar atendimento médico aos nossos irmãos indígenas. Qual a intenção de impedir ajuda no combate à Covid-19?”, questiona o deputado. 


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