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Sexta-Feira 27.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Comportamento

Home office deve ser tendência mesmo após a pandemia

Por muito tempo, o trabalho à distância foi possibilidade para poucos – até estourar a crise da covid-19, que forçou muitas empresas a se reajustarem. Especialistas apostam: o modelo veio para ficar

Postado em 18 de Agosto de 2020 - Thomas Kohlmann – DW

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Se Oliver Bäthe estiver certo, o home office seguirá sua trilha de sucesso mesmo após o fim da pandemia de covid-19. O chefe da gigante de seguros Allianz fica extasiado ao falar sobre a experiência de sua companhia, que emprega mais de 140 mil pessoas em todo o mundo: em março, 90% da empresa foi remanejada para o trabalho remoto em apenas alguns dias, segundo informou o empresário em entrevista à agência de notícias Reuters no início de julho.

À época, todas as viagens de negócios da Allianz foram canceladas. Segundo Bäthe, as pessoas aprenderam com a experiência. Ele acredita que o espaço dos escritórios da empresa pode ser reduzido em até um terço a longo prazo, e 50% dos custos de viagens de negócios podem ser cortados permanentemente. "Não precisamos mais de todas as viagens."

Também no Grupo Siemens ficou decidido que, após a pandemia, nem todos os funcionários precisarão comparecer diariamente ao antigo escritório. Há algumas semanas, o conselho diretivo adotou o chamado "Modelo de trabalho no novo normal", que deve tornar possível o trabalho independente da localização numa escala muito maior.

"O objetivo é que funcionários do mundo todo possam trabalhar de forma remota, em média, de dois a três dias por semana – sempre que isso fizer sentido e for viável", anunciou o grupo de tecnologia de Munique em meados de julho. "Associado a isso está um estilo diferente de gestão que se baseia em resultados, e não no trabalho presencial", completou o futuro CEO da companhia, Roland Busch.

A Siemens deixa claro que o novo conceito não se limita apenas a trabalhar em casa, algo que se tornou rotina para até 300 mil funcionários da empresa durante a crise do coronavírus. Cada funcionário deve, em consulta com seu chefe, escolher o local de trabalho onde ele se sinta mais produtivo – o que também pode significar escritórios conjuntos fora das unidades da Siemens, por exemplo, se a rota até lá for mais curta.

Tais acertos são possíveis por meio de conferências online, que na Siemens já superam 800 mil por dia. "Os tempos de permanência no escritório devem complementar o trabalho móvel de forma razoável", enfatiza o grupo.

Segundo a Siemens, a pandemia mostrou que o trabalho remoto é possível numa escala muito maior do que se pensava anteriormente, e inclusive oferece muitas vantagens. O grupo acrescenta que o conceito desenvolvido durante a pandemia já está em processo de implementação para mais de 140 mil funcionários em cerca de 125 localidades de 43 países.

Pesquisas confirmam tendência 

A Allianz e a Siemens seguem uma tendência: de acordo com um estudo do Centro de Pesquisa Econômica Europeia (ZEW, na sigla em alemão), muitas outras empresas alemãs também pretendem manter o esquema de home office após a crise da covid-19. E não só no setor de serviços, mas também na indústria manufatureira.

Antes da pandemia, apenas uma em cada quatro empresas dos setores químico, automotivo e de engenharia mecânica adotava regularmente o trabalho remoto, concluiu o estudo do ZEW. Atualmente, mais de 50% das companhias do setor manufatureiro e mais de 40% das que atuam no setor de serviços empresariais desejam continuar com o home office no futuro.

"O reconhecimento generalizado de que atividades adicionais podem ser realocadas para o escritório doméstico reforça o ímpeto que a crise do coronavírus exerce na disseminação do trabalho de localização flexível. Com base nas novas experiências e descobertas, muitas empresas planejam, após a crise, fazer uso do home office com mais frequência do que o observado antes do início da pandemia", afirma o autor do estudo, Daniel Erdsiek, responsável pela área de pesquisa de economia digital do ZEW.

Durante a crise, cerca de uma em cada três empresas teve que, rapidamente, investir em novas tecnologias que viabilizassem o home office. Esse é o resultado de uma pesquisa representativa com cerca de 1,8 mil companhias dos setores de informação e manufatura, conduzida pelo ZEW em junho de 2020.

"É nas empresas maiores, sobretudo, que a pandemia de covid-19 leva a uma expansão de longo prazo das ofertas de home office. Cerca de 75% das empresas no setor de informação com 100 ou mais funcionários esperam uma expansão permanente do trabalho de casa", diz Erdsiek.

Para empresas de médio porte, porém, esse índice é de 64%, enquanto para pequenas empresas, com 5 a 19 funcionários, o número cai para 40%. No setor de manufatura, mais da metade das grandes empresas aposta num aumento permanente e cada vez maior dos escritórios residenciais devido à crise.

Nem todas as grandes empresas alemãs adotaram o home office de forma tão generalizada quanto a Allianz e a Siemens. Na maior resseguradora do mundo, a Munich Re, cerca de metade dos funcionários trabalha atualmente no escritório da matriz em Munique. Essa porcentagem deve ser aumentada novamente de forma gradual, a fim de "assegurar um regresso ordenado ao escritório", disse a resseguradora ao jornal local Abendzeitung.

Facebook: home office até meados de 2021

Nos Estados Unidos, país particularmente afetado pela pandemia, as empresas provavelmente serão forçadas a proteger seus funcionários por meio do trabalho à distância por mais tempo. A maior rede social do mundo, o Facebook, permitiu que seus funcionários trabalhem de casa até pelo menos julho de 2021. Além disso, cada funcionário recebeu mil dólares por equipamentos melhores, segundo uma porta-voz da companhia.

Dessa forma, o Facebook segue os passos de outras empresas de tecnologia, como Google e Twitter, que estão agindo de forma semelhante. De acordo com o Facebook, devido ao alto número de infecções por covid-19, é improvável que muitos escritórios nos Estados Unidos e na América Latina consigam reabrir neste ano.


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