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Segunda-Feira 30.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Campo Grande

Mortes por Covid-19 em Campo Grande subiram 1.000% em 30 dias

Pedido de lockdown na Capital será julgado após o Dia dos Pais: cidade tem a segunda pior taxa de isolamento social do país

Postado em 07 de Agosto de 2020 - Redação Semana On

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O pedido de liminar feito pela Defensoria Pública Estadual com o objetivo de se estabelecer lockdown em Campo Grande só vai ser apreciado pelo Poder Judiciário após as comemorações do Dia dos Pais, que acontece neste domingo, 9 de agosto. O juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, concedeu prazo de 72 horas para que a prefeitura se manifeste. Como a citação deve ocorrer somente hoje, é bastante provável que a decisão saia apenas na segunda-feira (10).

A decisão do magistrado acalmou os ânimos do prefeito Marquinhos Trad e de parcela dos comerciantes da Capital, representados pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), que nas últimas semanas vêm pressionando fortemente o chefe do Executivo Municipal no sentido deste flexibilizar as regras de isolamento social.

Os empresários estavam preocupados com a possibilidade de o Judiciário estabelecer o lockdown em plena semana em que se comemora o Dia dos Pais, quando ocorre aumento no volume de vendas. Para não decidir de imediato sobre o pedido de liminar feito pelo Defensor-Geral do Estado Fábio Rogério Rombi da Silva, o juiz José Henrique Neiva de Carvalho optou por seguir as regras do art. 2º da Lei 8.437/1992, que garante ao ente púbico prazo de 72 horas para se manifestar.

A regra, no entanto, pode deixar de ser observada quando estiver em risco bem maior ou bem jurídico relevante, ou seja, a vida das pessoas, conforme decidiu em diversas ocasiões o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já firmou jurisprudência sobre o tema. E é justamente o caso em questão, pois o pedido de lockdown foi feito por conta do elevado número de mortes provocadas pela covid-19 em Campo Grande – 153 até ontem – e ainda em função da incapacidade do prefeito Marquinhos Trad de lidar com a crise.

Como a citação da Prefeitura deve ocorrer apenas nesta quarta-feira, a manifestação da Procuradoria Geral do Município poderá ser anexada aos autos até sexta-feira. Advindo o final de semana, a decisão deve sair na segunda-feira. Um alento para o comércio da Capital e um alerta para as autoridades da área da Saúde, que temem o colapso no sistema de atendimento aos pacientes em estágio mais grave da covid-19.

Mortes

O número de óbitos provocados pela covid-19 em Campo Grande teve aumento de mais de 1.000 por cento nos últimos 30 dias, conforme demonstram boletins epidemiológicos publicados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). No dia 1º de julho foram 12 mortes, número que saltou para 144 até o último dia 2.

No pior momento da pandemia na Capital, os números aumentam por conta da irresponsabilidade de parcela significativa da população, que não cumpre as medidas de prevenção estabelecidas pelas autoridades da área da Saúde, e ainda por iniciativas populistas do prefeito Marquinhos Trad, que decidiu flexibilizar o isolamento social.

Segundo os números da Sesau, até o dia 1º de junho 7 pessoas morreram vítimas da covid-19 em Campo Grande, número que saltou para 12 em 1º de julho. A quantidade de pessoas com resultado de testes positivos para a doença somava 312 em 1º de junho e 2.499 em 1º de julho. Apesar do aumento do número de contaminados, em função dos poucos óbitos a Capital era considerada “exemplo nacional” no combate à pandemia.

No decorrer de julho, no entanto, a situação se complicou. Com o aumento exponencial no número de mortes e com a disseminação fora do controle, o prefeito Marquinhos Trad passou a agir de maneira errática, publicando decretos que ao invés de ajudar no combate à pandemia, confundiu ainda mais a população. Norma publicada em determinado dia era alterada antes mesmo de completar 24 horas em vigor. O período do toque de recolher, por exemplo, foi alterado várias vezes.

Esses e outros fatores fizeram com que ao final de julho e início de agosto o total de mortes chegasse a 144 (dados contabilizados até o dia 2 de agosto), ante as 12 registradas em 1º de julho. O total de infectados saltou de 2.499 para 11.104. Essa evolução transformou Campo Grande em epicentro da doença, o que levou o governo do Estado a sugerir ao prefeito Marquinhos Trad a decretação de lockdown.

Caminho inverso

A sugestão do governo não foi levada em consideração pelo prefeito, que pressionado por entidades representativas do comércio, decidiu flexibilizar ainda mais as restrições de mobilidade urbana. As lojas que permaneceram fechadas durante dois finais de semana foram liberadas para abrir as portas a partir do último sábado, devendo assim permanecer até 16 de agosto.

Ao mesmo tempo em que liberou o funcionamento do comércio, Marquinhos Trad reduziu o período do toque de recolher, que das 20h às 5h passou a valer das 21h às 5h. Nas redes sociais, só faltou ele convidar as pessoas para irem às ruas ao explicar a sua lógica vesga segundo a qual o número de acidentes envolvendo motociclistas que fazem a entrega de bebidas e alimentos (delivery) irá cair se menos pessoas deixassem de utilizar o serviço e passassem a se alimentar de forma presencial nos bares e restaurantes. Com pessoas nos bares, mais bebida alcoólica e mais acidentes, portanto.

Mesmo diante do aumento de casos, Campo Grande apresenta a segunda pior taxa de isolamento social entre as capitais, com média de 34,3%.


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