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Terça-Feira 11.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Mato Grosso do Sul

Estado e Prefeitura de Aquidauana levam kits de proteção e orientações às aldeias

Casos de covid-19 em aldeias terena de MS obriga reforço no atendimento médico e situação é preocupante

Postado em 23 de Julho de 2020 - G1, TV Morena, Semana On – Edição Semana On

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Com o apoio da prefeitura e da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena, do governo federal), o Governo do Estado distribuiu, na quinta-feira (23), kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), testes rápidos e frascos de álcool 70 para as sete aldeias indígenas de Aquidauana, onde já ocorreram quatro óbitos por coronavírus e outras três mortes estão sendo investigadas.

O atendimento emergencial aos indígenas da etnia terena, que formam uma comunidade de 11.800 pessoas no distrito de Taunay, foi definido no início da semana em reunião da qual participaram o governador Reinaldo Azambuja, os secretários Geraldo Resende (Saúde) e Sérgio de Paula (Gestão Política) e o prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro.

Além dos kits de proteção – luvas, máscaras, óculos, protetores faciais e aventais -, 1.200 litros de álcool 70 e 1.200 testes rápidos para diagnóstico do coronavírus, o Governo do Estado reforçará o atendimento nas aldeias, realizado pela prefeitura, enviando uma ambulância, médico e um técnico de enfermagem. O atendimento será feito nas escolas municipais que funcionam nas aldeias.

Importância do isolamento

Durante a entrega do material de proteção individual, o assessor da Comissão de Controle Sanitário (CCS), da Secretaria Estadual de Saúde (SES), tenente-coronel bombeiro Leonardo Congro, ponderou junto às lideranças indígenas a importância de readequar as escolas para receber as pessoas infectadas pela Covid-19. Os caciques fizeram alguns questionamentos mas aprovaram a proposta por unanimidade.

“A prefeitura de Aquidauana está ampliando o atendimento na área indígena, com mais médicos e enfermeiros, mas é imprescindível que os índios permaneçam em suas casas e aqueles que se manifestaram positivos devem ficar isolados nas escolas”, afirmou Congro. “O governo, a prefeitura e a Sesai estão criando estrutura de proteção, contudo o isolamento é fundamental”, completou.

O representante da CCS reiterou o apoio das lideranças indígenas para as comunidades respeitarem as medidas de proteção à doença, estabelecidas por meio de decretos do Estado e do Município, durante conversa ao lado da barreira sanitária montada voluntariamente pelos terenas na entrada do único acesso ao distrito, a 10 km da BR-262.

“A gente está com muito medo”

“É preciso que todos se mobilizem e se conscientizem da importância de se resguardar, evitar contatos, para a proteção de vocês”, disse o tenente-coronel, depois de repassar informações básicas sobre o novo coronavírus aos caciques, os quais demonstraram desconhecimento das causas da doença. O fato de existir apenas um acesso rodoviário a Taunay, segundo Leonardo Congro, facilita o controle sanitário.

A barreira sanitária instalada pelos indígenas, desde março, desempenha um papel importante no controle do acesso ao distrito, segundo as autoridades de saúde. Um grupo de indígenas, com a presença dos caciques, se revezam dia e noite para garantir o controle. Os veículos são desinfectados e a temperatura corporal é aferida. Agora, os voluntários trabalharão equipados com o kit liberado pelo Estado.

“A gente está apreensivo, com muito medo. Nosso psicológico está abalado”, alertou o cacique Gerílson Samuel, da Aldeia Bananal. “A ajuda do Governo do Estado e da prefeitura é bem-vinda, vamos repassar as orientações para a comunidade”, adiantou. O cacique Orlando Moreira, da Aldeia Lagoinha, garantiu que a comunidade está cumprindo o toque de recolher e evitando aglomerações.

Povos indígenas recebem máscaras para se proteger contra a Covid-19

"O momento agora é de ajudar para que a situação de Aquidauana não se agrave e por isso não medimos esforços para atuar, assim como fizemos em Dourados e hoje podemos dizer que o cenário está mais controlado", explicou o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende. 

O cacique Roberto Carlos, da Aldeia Porto Lindo, de Japorã, acompanhado do prefeito Paulo Franjotti, recebeu das mãos do secretário de Estado de Saúde um lote de 14.200 unidades que serão destinadas a 1.160 famílias da etnia guarani-ñandeva. 

“Essas máscaras estão vindo em um momento bem preciso porque a comunidade está na fronteira com o Paraguai. A comunidade é pequena. Tem poucas pessoas que confeccionam. É muita gente e quando as pessoas vão para a cidade, para comprar alguma coisa, é necessário ter a máscara e muitos não têm”, contou o líder indígena.

Para os indígenas em Paranhos foram destinadas 15.500 unidades e os de Tacuru receberão 9.700 máscaras de tecido. 

Em junho, Geraldo Resende já havia feito a entrega de 17 mil unidades de máscaras para o Disei (Distrito Sanitário Especial Indígena) de Mato Grosso do Sul, completando, na ocasião, 52,4 mil unidades doadas pela Energisa para as comunidades da região da Grande Dourados em uma parceria envolvendo também a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

Área de infecção e preocupação

Onze aldeias terena que ficam na região oeste de Mato Grosso do Sul, na região dos municípios de Aquidauana e Anastácio, já somam diversos casos de covid-19, três mortes e há ao menos seis indígenas hospitalizados.

Os diversos casos de infecção fez as autoridades em saúde reforçar o atendimento, que há quatro meses é feito por apenas um médico para 10 aldeias, e deixou prefeitura e governo do Estado em alerta.

O médico que cuida de 10 das aldeias, Elton de Almeida Vieira, explica que o novo coronavírus chegou nas localidades indígenas por "negligência" dos próprios índios. "Vínhamos fazendo um trabalho brilhante aqui. Mas alguns indígenas proporcionaram a visita de parentes de outros estados". Ele citou ainda um evento que teve a presença de muita gente.

A primeira morte de indígena da região, confirmada pela infecção do novo coronavírus, ocorreu em 14 de julho. Outras duas foram na madrugada do último dia 22.

Segundo o médico, a situação mais crítica é na aldeia Ipegue. Lá, morava o homem que morreu com a doença e teria transmitido a diversas outras. Uma técnica de enfermagem do posto de saúde foi contaminada e está afastada e outros 4 agentes de saúde também precisaram de licença do trabalho. O local passou por desinfecção.

"O Estado está acompanhando a situação nas aldeias de Aquidauana e dá total apoio para o cuidado com os indígenas. Estamos enviando medicamentos, equipamentos, máscaras e também um médico para o atendimento", destacou o governador Reinaldo Azambuja. 

Além do médico, serão enviados para a cidade um dentista e um técnico de enfermagem. Os três vão dar apoio ao trabalho desenvolvido pela equipe da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Governo Federal, que cuida dos povos originários do Brasil.


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