Semana On

Terça-Feira 11.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Poder

Bolsonaro é alvo de escárnio após contrair covid-19

Muitos brasileiros acham que a infecção do presidente foi merecida após ele demonstrar pouca ou nenhuma simpatia em relação às vítimas do coronavírus. Agora, ele deve tentar capitalizar politicamente com a doença

Postado em 10 de Julho de 2020 - Thomas Milz (DW), Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL) - Edição Semana On

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Nas ruas do Rio de Janeiro, muitos compartilhavam da mesma opinião na tarde da última terça-feira (7), após o presidente Jair Bolsonaro afirmar ter sido diagnosticado com covid-19.

"Agora ele está pagando pelo que vinha dizendo", disse um aposentado. "Bem feito", comentou uma enfermeira apressada. "Espero que ele sofra, assim como a população que está sem respiradores e medicamentos. Sua morte seria mais do que justa, ninguém nesse planeta sentirá sua falta. Adeus Bolsonaro."

Nas eleições presidenciais de outubro de 2018, dois terços dos eleitores do Rio votaram em Bolsonaro. Agora, depois de mais de 7 mil vítimas do coronavírus na cidade, é difícil encontrar alguém que o defenda.

"É tudo marketing, não confio mais nele", afirma o carioca Ricardo José da Silva sobre a doença do presidente. Ele acredita que, por ser incapaz de governar, Bolsonaro inventou a infecção como forma de distração.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro vem descrevendo a covid-19 como uma "gripezinha" e se recusa a tomar a iniciativa de combater o vírus. Em vez disso, vem sabotando as medidas adotadas por prefeitos e governadores.

Dois ministros da Saúde tiveram de deixar o cargo em razão de desavenças quanto às medidas para conter o avanço da doença e quanto à aprovação das drogas antimaláricas cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19. Enquanto Bolsonaro insiste na eficácia dos medicamentos, autoridades de saúde em todo o mundo alertam contra a sua utilização para tratar a doença causada pelo novo coronavírus.

O Brasil está há semanas sem um ministro da Saúde. Enquanto isso, Eduardo Pazuello, um general sem experiência em questões sanitárias administra a pasta interinamente. Com até 1,3 mil mortes em decorrência da covid-19 sendo registradas por dia, muitos brasileiros veem a situação no Ministério da Saúde como uma clara declaração de guerra contra a própria população.

O Brasil caminha para a marca de 70 mil mortos pela covid-19, com mais de 1,6 milhão de pessoas infectadas. Pesquisadores supõem que o número de casos não reportados seja imenso, em razão da falta de capacidade de testagem.

"E daí?"

No final de abril, após o país atingir marca de 5 mil mortos pela covid-19, Bolsonaro disse: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagres." Foi como um tapa no rosto das vítimas e suas famílias. Agora o próprio presidente é alvo de escárnio, deboche e hostilidade.

Enquanto adversários políticos, como o governador de São Paulo, João Doria, e jornalistas da Rede Globo críticos ao governo lhe desejaram melhoras rápidas, o jornalista Hélio Schwartsman gerou alvoroço com uma coluna intitulada "Por que torço para que Bolsonaro morra", publicada no jornal Folha de S. Paulo. "Bolsonaro prestaria na morte o serviço que foi incapaz de ofertar em vida", escreveu.

Schwartsman se referiu a um estudo que aponta que as falas negacionistas de Bolsonaro em relação às medidas contra o coronavírus resultam num aumento do número de mortos. Portanto, muitas vidas seriam salvas com a morte do presidente, que também serviria como um alerta global a outros políticos irresponsáveis.

O ministro das Comunicações de Bolsonaro, Fábio Faria, condenou veementemente a coluna de Schwartsman, que classificou como um "ataque claro à instituição da Presidência da República".

Bolsonaro também foi alvo nas redes sociais nesta terça. Segundo análise realizada pela plataforma de monitoramento digital Torabit, 84% dos tuítes sobre o presidente nesta terça-feira foram negativos. As hashtags #forçacovid e #forçacorona chegaram às posições mais altas dos trending topics globais do Twitter. Já a hashtag #forçabolsonaro ocupou apenas temporariamente as primeiras posições do ranking no Brasil.

"Cura milagrosa"

Apesar das duras críticas, Oliver Stuenkel, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não vê de modo tão negativo a situação de Bolsonaro.

"O presidente, naturalmente, presume que não ficará tão doente assim. Ele tentará usar isso para demonstrar que a covid-19 não é uma grande ameaça aos brasileiros", afirmou.

Segundo Stuenkel, Bolsonaro deve tentar promover a "cura milagrosa" da cloroquina, dizendo: "Veja, é tudo um grande exagero. Nada vai acontecer com você se tomar a cloroquina."

Bolsonaro inclusive divulgou um vídeo nesta terça-feira no qual aparece tomando um comprimido do medicamento. "Estou me sentindo muito bem. Estava mais ou menos domingo, mal na segunda-feira e hoje, terça, estou muito melhor do que sábado. Então, com toda a certeza, está dando certo", disse o presidente.

Numa praia do Rio de Janeiro, algumas pessoas desejaram o contrário. "Assim como ele deseja tanto que os brasileiros morram, desejo isso pra ele também", comentou o jovem Rafael. "Ver que meu país está nas mãos de um psicopata me preocupa."

Suas amigas Mariana e Tatiana concordam. "Espero que ele sinta na própria pele o quanto essa gripezinha pode ser ruim."

Deve-se desejar a Bolsonaro o oposto do 'e daí?'

A boa notícia é que Jair Bolsonaro passa bem. A má notícia é que, mesmo infectado pelo coronavírus, o presidente não se deu por achado. Voltou a exibir sintomas da patologia negacionista que o persegue ao longo da pandemia. Menosprezou um inimigo que se alojou no interior do seu organismo.

"Esse vírus é como uma chuva", voltou a dizer Bolsonaro, dando a entender que a infecção é inevitável e, para a maioria dos contaminados, inofensiva. É como se o presidente ignorasse a realidade ao seu redor.

Diante de um pé d'água, a primeira coisa a fazer é encontrar um guarda-chuva. Bolsonaro procurou o seu no serviço médico da Presidência da República. A segunda providência, é abrir o guarda-chuva. O presidente encontrou proteção adicional no Hospital das Forças Armadas.

Saúde de presidente é coisa séria. É reconfortante saber que Bolsonaro está cercado de cuidados. Mas nem todos os brasileiros dispõem da mesma sorte. O guarda-chuva da maioria não passa de uma armação sem pano. Mais de 65 mil pessoas, ensopadas, foram arrastadas para a morte. E a enxurrada prossegue.

A despeito disso, Bolsonaro achou que seria uma boa ideia explorar politicamente a própria infecção. Enalteceu a cloroquina. Deu entrevista presencial a emissoras de estimação, sujeitando os repórteres ao contágio. Disse que só não faria uma caminhada porque os médicos desaconselharam. E voltou a pregar o retorno à hipotética normalidade. "A vida continua. O Brasil tem que produzir."

Todo brasileiro de bom senso deve desejar a Bolsonaro oposto do que Bolsonaro desejou à sociedade. Não seria razoável repetir no Alvorada o que disse Bolsonaro em 23 de março: "Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. É a vida!" Seria uma indignidade reproduzir a pergunta que Bolsonaro fez em 24 de abril: "E daí?"

Espera-se, de resto, que o presidente descubra o valor do uso da máscara, cuja obrigatoriedade ele acaba de vetar. E que siga, finalmente, as recomendações médicas. À distância, os brasileiros devem oferecer a Bolsonaro o exemplo que ele se recusa a dar, torcendo pela saúde do presidente.

Corrida ao hospital mostra que Bolsonaro só menospreza a covid dos outros

A saúde de um presidente da República é sempre notícia, mas há certa melancolia diante da cobertura do quadro clínico de Jair Bolsonaro. Diante da rapidez das ações tomadas frente ao mal-estar que sentiu, percebe-se que ele se preocupa com sua saúde da maneira como gostaríamos que ele se preocupasse com a saúde dos brasileiros. Não é que ele menospreza a doença sempre. Apenas quando ela atinge os que não ostentam seu sobrenome.

Nos últimos meses, Bolsonaro pouco se importou se brasileiros viviam ou morriam desde que voltassem logo ao trabalho para salvar o seu mandato. Tornou-se, dessa forma, sócio das quase 70 mil mortes registradas até agora.

Para o povão é "gripezinha", "resfriadinho", "fantasia" e "histeria", coisa sem importância. Tanto falou que levou muita gente, de lebloners a AI-5ers, a agirem como se nada estivesse acontecendo, contribuindo com a difusão do vírus. Quando o caso o envolve, contudo, é levado ao Hospital das Forças Armadas rapidamente. Se acreditasse no que disse, tomava seu "elixir mágico" e esperava para ver o que acontece em casa. E se desse errado, paciência. Afinal de contas, como ele nos explicou, "a gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo".

Não desejo a ele o mesmo sofrimento que relegou aos brasileiros, ou seja, espero que ele melhore. Primeiro, porque essa é a diferença entre civilização e barbárie. Mas também porque precisa estar vivo e bem consciente para ver que sua tentativa de derrubar a democracia vai falhar miseravelmente e seu governo ficará registrado no rodapé dos livros de História como um período de autoritarismo "golden shower", um ensaio incompetente de gestão bananeira digital.

Bolsonaro pode fazer o que faz, ignorando os riscos da irresponsabilidade, da ignorância e do terraplanismo biológico porque ele é tutelado por um grupo de assessores e familiares que o protegem dele mesmo e tem ao seu alcance os melhores médicos - que darão o melhor tratamento efetivo, mesmo que ele insista em tomar apenas cloroquina.

O problema é: quem nos protege dele, que nos condena a atravessar uma pandemia assassina sem ministro titular da Saúde, sem plano de enfrentamento, sem liderança nacional?

E há os efeitos colaterais positivos para ele. O alvoroço causado por sua ida ao hospital e coleta de material já foi útil para reduzir a repercussão das investigações que pairam sobre ele e sua família. E, posteriormente, o declarado positivo vai drenar as atenções. No último dia 6, reportagem da Folha mostrou movimentações de cargos e salários dos funcionários de seu gabinete quando deputado federal. Fato que, com muita boa vontade, é possível chamar apenas de bizarro. Ou seja, já cumpriu uma função política.

E, a partir de agora, vai poder fazer propaganda da cloroquina, que ele estaria tomando. O fato é que vai precisar de muito merchand a fim de compensar os mais de R$ 1,5 milhão que o Exército já gastou para ampliar de forma desnecessária a produção do medicamento, cujo uso não é recomendado pela imensa maioria de infectologistas por trazer mais efeitos colaterais do que soluções.

O que faz dele uma grande metonímia deste governo e de seu presidente.

Mesmo infectado, Bolsonaro se mantém leal à parceria com o coronavírus

A parceria que o presidente da República estabeleceu com o coronavírus é uma das ações mais sólidas de seu governo. Ajudou a importá-lo dos Estados Unidos através de aviões do governo, derrubou obstáculos à sua expansão ao se negar a agir como líder e, agora, atua como vetor de infecção da doença contra jornalistas. E ainda faz propaganda de remédio que não tem efeito comprovado, colocando vidas em risco. Raras lideranças globais podem se dizer tão envolvidas com a pandemia como ele.

No início de março, Jair Bolsonaro levou uma grande comitiva à Flórida para encontro com Donald Trump e empresários. De volta ao Brasil, ao menos 23 testaram positivo para covid-19, ajudando a espalhar a doença por aqui.

Depois, promoveu a expansão descontrolada da pandemia menosprezando a sua letalidade e se abstendo de articular um plano nacional para enfrentamento à moléstia, o que incluiria protocolos de entrada e saída de quarentenas e bloqueios totais.

Pelo contrário: na ânsia de que as atividades econômicas retornassem o quanto antes, tentou convencer a população que tudo isso era uma "gripezinha". Atacou as recomendações da Organização Mundial de Saúde, abraçou, beijou, tossiu, fez da mão guardanapo. Promoveu micaretas antidemocráticas aos domingos. Criticou governadores e prefeitos por evitarem o liberou-geral.

Após afirmar que seu exame deu positivo, Bolsonaro manteve a displicência com a saúde alheia, retirando a máscara enquanto recebia jornalistas para uma entrevista - uma atitude criminosa.

Já não bastasse o assédio, os xingamentos, a violência de gênero, a homofobia, o preconceito dispensado pelo presidente nas coletivas, agora profissionais de imprensa também têm que enfrentar a possibilidade de ficarem gravemente doentes devido à falta de empatia e psicopatia do presidente. Ou alguma estratégia bizarra para mostrar, mais uma vez, à população de que tudo não passa de um "resfriadinho".

A esmagadora maioria da comunidade médica e científica não recomenda o uso da cloroquina para o tratamento da covid-19. Apesar disso, o presidente está, mais do que nunca, fazendo propaganda do produto, tentando mostrar que já melhorou por conta desse "elixir milagroso". Ao ofertar um remédio mágico e barato, quer enfraquecer a quarentena e pressionar para que o país volte à normalidade. No melhor estilo "morra quem morrer" - para usar a já icônica frase do prefeito de Itabuna (BA).

Os números da pandemia mostram que a maior parte dos pacientes por covid-19 se recupera por conta própria, sem depender de medicamento, internação ou fornecimento de oxigênio hospitalar. Ofertando cloroquina para os brasileiros, como se fosse bala de menta, o presidente busca levar o crédito pelo que faz naturalmente o sistema imunológico. Quem vai acreditar que foram microscópicas estruturas de defesa do corpo, aliadas a descanso, água e boa alimentação? Em seu marketing, não será o organismo funcionando, mas a cloroquina de Bolsonaro.

Afirma que a insistência de governadores e prefeitos em manter o país em quarentena é inútil e serve apenas para criar desemprego. E insiste que é o uso amplo da cloroquina e o "isolamento vertical" apenas de idosos e pessoas imunodeprimidas que vão resolver o problema.

Bolsonaro diz que a quarentena não adiantou e a prova disso são os dezenas de milhares de mortos. Mentira. Se estamos nesse número e não em meio milhão de óbitos é exatamente por conta da adoção dessas medidas tomadas à sua revelia.

Além dos graves efeitos colaterais do produto, como arritmia, a promessa de uma cura faz com que parte da população relaxe no uso de máscara, álcool gel, água e sabão e na adoção do isolamento social.

Em suma, ele segue em uma cruzada em nome do vírus ao mesmo tempo que tenta mostrar que tudo não passa de um grande exagero.

Como disse na coluna anterior, espero que Bolsonaro se recupere rapidamente. Não importa que ele agrida valores morais e éticos, não respeite direitos fundamentais e abrace a necropolítica. É no campo das ideias, do diálogo e da livre manifestação que a batalha democrática deve ser travada, não nos campos santos e cemitérios.

Mas se tivesse, desde o início do ano, preparado o país para enfrentar a crise como outros líderes mundiais, não teríamos essa montanha de mortos. Talvez ele nem tivesse contraído a doença. Preferiu ir adaptando sua narrativa negacionista. Primeiro, era fantasia. Depois, gripezinha. Daí, fake dos caixões vazios. De lá, conspiração contra a cloroquina. Aí começou o "todo mundo morre um dia". Passou a fazer cálculos de óbito/habitante. Tudo para não reconhecer que o governo nos enfiou na lama.

Quem vai cair nessa narrativa? Muita gente que está passando necessidade e precisa trabalhar. Outros tantos que precisam se apegar a algo devido ao estado de saúde de entes queridos. E, claro, o grupo que não é cidadão, mas engenheiro civil, entre outros tantos formados, e melhores do que você.

Análise

Bolsonaro não pode ser entendido à luz dos modelos clássicos. É inútil analisar o comportamento do presidente na pandemia com a lógica do bom senso. Bolsonaro ensina o valor das regras sanitárias violando-as.

O presidente é o Poder se autoimolando para revelar ao povo o que não deve ser feito. O desejo de virar antiexemplo fez brotar em Bolsonaro um amor platônico. Ele correu atrás do vírus, ofereceu-se ao vírus, aspirou o vírus até ser correspondido.

É enorme a indignação dos infectologistas em relação ao desprezo que Bolsonaro tem pelas recomendações médicas. Os especialistas não percebem que só um suicida didático cometeria erros tão toscos.

A ciência recomenda basicamente três coisas: isolamento, mãos limpas e máscara. Bolsonaro aglomera-se. Ele limpa com o dorso da mão a boca suja com molho de cachorro quente. Veta o uso de máscaras no comércio, nas igrejas, nas prisões...

Bolsonaro orienta a sociedade por meio da desorientação. Quando não estava infectado, escondeu o exame para estimular a suspeita de que estava doente. Contaminado, proclama: "Eu avisei que o vírus é como chuva. Vai molhar você!"

É como se Bolsonaro quisesse provar o que é certo caprichando nos erros. Com sua antiapoteose, ambiciona virar um fator de progresso. Consolidou-se, finalmente, como exemplo sanitário. Ensinou que, para driclar o vírus, basta fazer o contrário.

É como se Bolsonaro gritasse, a plenos pulmões: "Deixem-me só. Cuidem de suas vidas!"

Um mau governante faz a coisa errada. Um bom governante faz a coisa certa. Um governante extraordinário faz o certo ainda melhor. Jair considera-se o melhor presidente que Bolsonaro já conheceu. Ele avalia que o Brasil vem tendo êxito no combate à pandemia. "Nenhum país do mundo fez como o Brasil", disse o presidente. Realmente há uma certa originalidade nas ações adotadas por Bolsonaro. Ele não pode ser avaliado segundo os critérios clássicos de errado ou certo. É preciso reconhecer que o presidente inovou. Fez o pior o melhor que pôde.

Graças a Bolsonaro, o Brasil copiou mal o que é bom: o isolamento social. E inventou muito bem o que é ruim: a ausência de coordenação nacional na guerra sanitária. O Brasil não enfrenta uma crise sanitária, mas 27 epidemias. Cada estado lida com o vírus à sua maneira. Mesmo dentro dos estados há diferenças entre o que ocorre nas capitais e no interior. Isso introduz uma dose de caos num cenário que já é confuso. O ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que durou 18 dias no cargo, escreveu um artigo no Globo que resume bem o ponto a que chegou o Brasil.

Como sempre desejou Bolsonaro, começou a fase da flexibilização do isolamento social, cuja utilidade só agora, tardiamente, o presidente começa a reconhecer. O problema é que a retomada das atividades econômicas ocorre de "forma confusa". Falta uma coordenação central. Nas palavras do oncologista Teich, "o modelo atual para liberar a economia pode acabar em inúmeras idas e vindas", num sistema em que "a mesma coisa é feita repetidas vezes na ilusão de que, em algum momento, vai funcionar. É quase a espera de um milagre", disse o ex-ministro.

Alheio ao risco de vaivém, Bolsonaro diz: "Preservamos vidas e empregos sem propagar o pânico". Ora, a contagem dos mortos está a caminho da marca de 70 mil. E os desempregados constituem uma legião que cresce à espera de uma contagem realista. Infectado pelo vírus, o presidente se comporta como garoto-propaganda da cloroquina, remédio de eficácia não comprovada. Realmente "nenhum país do mundo fez como o Brasil". O governante que mais se aproxima de Bolsonaro no estilo é Donald Trump. Nos Estados Unidos, já morreram mais de 130 mil pessoas.


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