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Terça-Feira 11.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul tem 146 mortes por coronavírus e 12.261 confirmados: 1500 profissionais da saúde foram infectados

Taxas de isolamento estão em apenas 38% no Estado: transmissão pelo ar aumenta responsabilidade coletiva

Postado em 10 de Julho de 2020 - Redação Semana On

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Com mais 590 exames positivos para o novo coronavírus (Covid-19) nas últimas 24 horas, o número de casos confirmados da doença no Estado chega a 12.261. Foram registrados dez óbitos, passando para 146 mortes pela doença em Mato Grosso do Sul. As informações foram apresentadas nesta sexta-feira (10).

Dos 12.261 casos confirmados, 3.850 estão em isolamento domiciliar, 8.008 estão sem sintomas e já estão recuperados e 269 estão internados, sendo 142 em hospitais públicos e 127 em hospitais privados. Doze pacientes internados são procedentes de fora do Estado.

Desde o dia 25 de janeiro, foram registradas 65.796 notificações de casos suspeitos da coronavírus em Mato Grosso do Sul. Destes, 48.252 foram descartados após os exames darem negativo para Covid-19, 21 foram excluídos por não se encaixarem na definição de caso suspeito do Ministério da Saúde, 2.686 exames aguardam resultado do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e 2.597 casos foram notificados e não foram encerrados pelos municípios.

Os dados publicados desde 19 de maio têm como fonte de dados o sistema de informações oficiais Sivep Gripe e E-SUS VE, alimentado pelos municípios. Eles estão sujeitos a alterações.

Os casos suspeitos em investigação tiveram as amostras encaminhadas para o Lacen, onde será feito o exame para nove tipos de vírus respiratórios, incluindo influenza e coronavírus. O laboratório realiza os exames para Covid-19 em Mato Grosso do Sul. Os resultados ficam prontos entre 24 a 72 horas, após o recebimento das amostras.

Profissionais de saúde

Dados da Secretária de Estado de Saúde revelam que 1547 profissionais da saúde em Mato Grosso do Sul são casos confirmados de coronavírus. Os números são alarmantes e mostram que os riscos existentes para os trabalhadores da linha de frente.

“São auxiliares técnicos e enfermeiros; médicos e fisioterapeutas. Desde colher material para o teste até o momento da alta hospitalar, são eles que estão diuturnamente em contato com os pacientes infectados, são eles também, os mais propensos a se contaminar e levar para fora do hospital a Covid-19”. É o que destaca a diretora-presidente do Hospital Regional, Rosana Leite de Melo. Na unidade hospitalar, que é referência no tratamento da pandemia, já são 29 profissionais infectados.

A preocupação é também do secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende. “Todos os dias eu afirmo que iremos colher o resultado do não cumprimento do isolamento social por parte da população sul-mato-grossense e agora estamos aqui com esta situação lamentável. Os heróis da saúde precisam da colaboração de todos e, por isso, não me canso de dizer: fiquem em casa para que quem precisa trabalhar nessa guerra consiga fazer isso com um pouca mais de tranquilidade”.

São vários protocolos adotados para que os profissionais da linha de frente não se infectem com o vírus. O Comitê Operacional de Emergência do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (COE-HRMS) disponibilizou para todos os colaboradores protocolos, manejos e instruções de trabalho referente ao enfrentamento a pandemia. “A preocupação com os colaboradores é grande, uma vez que, como escudos humanos, na linha de frente, são eles que fortalecem a barreira da Covid-19 dentro do Hospital. Esses colaboradores seguindo os protocolos podem evitar a contaminação, mas sempre existe um risco e o medo de ser contaminado”, reforçou Rosana.

Dos 30 colaboradores infectados do quadro funcional do HRMS, 22 são da linha de frente: dois fisioterapeutas, sete médicos, nove técnicos e um auxiliar de enfermagem, duas enfermeiras e um fonoaudiólogo. “Não temos como repor esses trabalhadores da linha de frente de forma tão rápida quanto a intensidade da doença. Vamos e sobrecarregar nossos colaboradores antes mesmo no sistema, que já se mostra bem próximo da nossa realidade. Se a população não colaborar, não praticar o isolamento social, usar máscaras e se proteger, vai faltar profissionais, leitos, respiradores e vamos perder muitas vidas humanas”, avalia a diretora-presidente do Hospital Regional.

Ainda de acordo com Rosana Melo, o Governo do Estado autorizou como plano de contingenciamento o aumento no número de horas extras para os profissionais de saúde, que passam de 60 horas por mês, para 90 horas.

Um dos profissionais necessários nessa pandemia para atuar na linha de frente, o fisioterapeuta, atua praticamente em todo processo da doença. Ele é o responsável pelo monitoramento do paciente que utiliza a ventilação artificial, bem como de sua recuperação durante e após o uso do ventilador mecânico.

O fisioterapeuta Renato Silva Nacer, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da décima terceira região (Crefito13), relata que Mato grosso do Sul tem aproximadamente 10 profissionais da linha de frente infectados no Estado. Nacer afirma que hoje o profissional de fisioterapia precisa que a população proteja o profissional de saúde. “A prerrogativa de um conselho de classe é fiscalizar o exercício profissional para proteger a população. Hoje, nós precisamos que a população se cuide para proteger os profissionais da saúde que estão lá, ralando para salvar vidas”, enfatiza.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed) traz outro dado preocupante: só em Campo Grande, 222 médicos que estão com a doença. O presidente da entidade, Marcelo Santana, apela pela conscientização da população. “A situação se agravou consideravelmente. Vários casos novos, isolamento muito baixo. Temos que ter distanciamento social mais responsável, novas restrições devem ser estabelecidas amplamente. No último final de semana a cidade estava funcionando normalmente, tudo lotado. É importante e necessário o apoio da população às medidas de prevenção e combate definidas pelo Ministério da Saúde e outras autoridades sanitárias. Deve haver um engajamento efetivo de toda a sociedade nessas ações de prevenção, devemos lembrar que todos corremos o risco, e fazer a nossa parte pode salvar a vida de muitos”, pontua.

Com os enfermeiros a situação também é alarmante, Mato Grosso do Sul tem 24 profissionais com suspeita de Covid-19, 28 confirmados em quarentena e 13 recuperados. Do total de 67 profissionais infectados em Mato Grosso do Sul, 57 são mulheres, sendo que 80% tem entre 20 e 50 anos. No Brasil a realidade mostrada é de 17 mil casos com 70 óbitos, sendo um em Mato Grosso do Sul.

Isolamento baixo

Apesar dos números, a circulação de pessoas pelas ruas e comércios de Mato Grosso do Sul continua intensa. Com isso, as taxas de isolamento social seguem abaixo do ideal e a média de pessoas que permaneceu em casa no último dia 9 foi de apenas 38% conforme ferramenta da In Loco que mede a mobilidade social em todo Brasil.

Embora o risco de infecção pelo novo cornavírus esteja mais alto que nunca e os números de casos, óbitos e ocupação de leitos estejam cada vez mais elevados, o comportamento que vem se apresentando ao longo das últimas semanas aponta para o agravamento da situação, pois a única medida disponível para frear a pandemia está nas medidas de distanciamento social.

A movimentação atual já se assemelha ao período que antecedeu a chegada da pandemia, em que as taxas variavam entre 24% e 43%.   

No ranking das capitais brasileiras, Campo Grande está em penúltimo lugar com índice de 37,1% e só perde para Palmas que registrou taxa de 34,1% nesta quinta.  Entre as regiões mais movimentadas estão: Tiradentes (24,3%), Jardim Anache (25%), Chácara do Lageado (25%), Jardim das Cerejeiras (25,8%) e Amambai (26%).

Nos municípios as taxas mapeadas para o dia variam entre 24,6% em Rio Negro e 57,1% em Taquarussu. A lista completa com os índices de cada cidade sul-mato-grossense pode ser conferida aqui.

O secretário de saúde Geraldo Resende lamentou o aumento de óbitos e voltou a reforçar o papel da sociedade nesse enfrentamento. “Se queremos cessar o avanço de casos e mortes, é preciso a colaboração de cada um. Cobrar dos seus amigos e familiares, para que nos ajude no enfrentamento à Covid aqui no Estado”, afirmou em referência ao isolamento social, uso de máscaras e cuidados de higiene. 

Transmissão pelo ar

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a transmissão do novo coronavírus pelo ar reforçando mais do que nunca a importância da responsabilidade coletiva nas medidas de enfrentamento à doença, como isolamento e distanciamento social, uso correto de máscaras e higiene das mãos.  

O crescente número de estudos e testes que mostram que a transmissão do vírus da covid-19 também ocorre por via aérea, principalmente em ambientes fechados, com aglomeração de pessoas e pouca ventilação, levou a OMS a não descartar essa possibilidade.

Por enquanto Mato Grosso do Sul segue na contramão e continua registrando taxas de isolamento bem abaixo do recomendado de 70%.


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