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Domingo 11.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Apenas 31% dos funcionários LGBT+ se assumem para o resto da empresa

Pesquisa com diferentes empresas ao redor do mundo mostra que pessoas LGBT+ ainda não se sentem totalmente seguras no ambiente de trabalho – nem mesmo nos países que são mais abertos à diversidade

Postado em 01 de Julho de 2020 - Galileu

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De acordo com a pesquisa internacional Getting to Equal 2020: Pride, da consultoria Accenture, a comunidade LGBT+ tem notado um progresso no ambiente de trabalho; porém, os funcionários que pertencem a essa minoria ainda enfrentam desafios silenciosamente.

O estudo foi realizado a partir de questionários online com mercados diferentes ao redor do mundo entre outubro e novembro de 2019. Um dos questionários foi aplicado a mais de 1.700 gestores, e o outro foi respondido por mais de 30 mil funcionários.

Ao analisarem os dados, os especialistas perceberam que a maior parte das empresas ainda não tem um ambiente acolhedor e seguro o suficiente: apenas 31% dos funcionários LGBT+ se sentem à vontade para se abrir sobre sua orientação sexual e/ou sua identidade de gênero no ambiente de trabalho. Mesmo nos países mais abertos à causa LGBT+, esse número só chega a 40%.

25% dos funcionários LGBT+ se abrem sobre sua orientação sexual e/ou identidade de gênero apenas com colegas mais próximos; e 26% preferem não se abrir com ninguém. Só 13% se sentem confortáveis para falar sobre esse assunto com seus gestores, e apenas 6% falaram sobre sua identidade de gênero e orientação sexual ao setor de recursos humanos. 6% dos participantes da pesquisa preferiram não responder à questão.

Gestores LGBT+ também não se sentem seguros em seus locais de trabalho: 21% deles se sentem à vontade para assumir sua orientação sexual e/ou sua identidade de gênero a todas as pessoas no seu trabalho. 34% confiam apenas em seus colegas mais próximos; 25% confiam nos seus gestores; 18% não se abrem com ninguém e 3% preferiram não responder à pergunta.

Além disso, 57% dos participantes LGBT+ da pesquisa acreditam que sua identidade de gênero ou sua orientação sexual acabou diminuindo seu progresso no trabalho, e apenas 14% se sentem completamente apoiados por sua empresa quando se trata de melhorar a diversidade no ambiente de trabalho. Dentre os que preferem não falar sobre o assunto nas suas empresas, 19% acreditam que seriam discriminados caso se abrissem.

Outro relatório recente da Accenture já havia mostrado que há uma grande diferença entre o que gestores acham que está acontecendo na empresa e o que os funcionários sentem no ambiente de trabalho. 68% dos líderes acham que criam ambientes empoderadores, em que funcionários podem ser quem eles são livremente e propor mudanças e inovações sem medo. Mas só 36% dos colaboradores das empresas têm essa mesma percepção. Isso poderia explicar por que tantas pessoas LGBT+ ainda não se sentem apoiadas no ambiente de trabalho.

A pesquisa Getting to Equal 2020: Pride ainda descobriu que 71% dos funcionários acreditam que ver outros gestores LGBT+ em suas empresas é algo que os ajuda a prosperar. 71% também destacam que ter o apoio de colegas não-LGBT+ é importante para o seu engajamento.

Os pesquisadores observam que a comunidade LGBT+ teve conquistas nos últimos anos: antes de 2001, por exemplo, o casamento homoafetivo não era permitido em nenhum país, e hoje ele é legalizado em 29 países. A Accenture também aponta que 37% dos funcionários LGBT+ que participaram da pesquisa alcançaram posições de liderança, contra 35% dos participantes não-LGBT+.

No entanto, o receio de muitos especialistas é que a comunidade LGBT+ seja desproporcionalmente afetada durante a crise provocada pelo coronavírus – quem pertence a essa minoria pode ser mais suscetível a perder o emprego, por exemplo. "A previsão é que esse grupo já vulnerável sofra ainda mais com a ansiedade, com o medo da estigmatização social e com a violência doméstica", diz a pesquisa.


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