Semana On

Quinta-Feira 02.jul.2020

Ano VIII - Nº 399

Saúde

Estudo indica que imunidade contra covid-19 pode durar apenas três meses

Febre, tosse, fadiga: estudo confirma sintomas mais comuns da doença

Postado em 26 de Junho de 2020 - DW, Galileu – Edição Semana On

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Um estudo comandado por cientistas chineses apontou que os anticorpos desenvolvidos pelo corpo humano contra a covid-19 após uma infecção podem durar apenas dois ou três meses. Dessa forma, a imunidade contra a doença pode não ter um efeito de longo prazo, de acordo com informações publicadas no periódico científico Nature Medicine e reproduzidas no último dia 22 pela imprensa chinesa.

Tal quadro também pode vir a afetar as possibilidades de aplicação das novas vacinas em desenvolvimento e levanta dúvidas sobre estratégias como a dos "passaportes de imunidade" para pessoas que já se curaram.

Além disso, o estudo indicou que pacientes assintomáticos infectados pelo Sars-Cov-2 podem ter uma resposta imunológica mais fraca do que aqueles que desenvolveram os sintomas, que incluem febre e tosse.

O estudo da Universidade de Medicina de Chongqing, no sudoeste da China, intitulado "Avaliação clínica e imunológica de infecções assintomáticas por Sars-Cov-2", comparou os resultados da detecção de anticorpos no sangue de 37 pacientes sintomáticos e 37 assintomáticos, sendo homens e mulheres com idades entre 8 e 75 anos.

O estudo constatou que a maioria dos infectados produziu anticorpos para o novo coronavírus, especificamente IgG e IgM. Este último, o primeiro anticorpo que o organismo produz para combater uma nova infecção, apareceu geralmente em primeiro e com a menor duração.

Por sua vez, o anticorpo IgG, que aparece mais tarde e dura mais tempo, é o anticorpo mais abundante no corpo e fornece proteção contra infecções bacterianas e virais, mas pode levar tempo para se formar após uma infecção.

O estudo revelou que, dentro de três a quatro semanas após a infecção, em sua fase aguda, o grupo de pacientes assintomáticos apresentava uma taxa de IgM de 62,2% e uma taxa de IgG de 81,1%. No grupo com sintomas, a IgM foi de 78,4% e a IgG foi de 83,8%.

Assim, o estudo conclui que as infecções assintomáticas apresentam níveis mais baixos de anticorpos que os casos confirmados, embora sejam semelhantes nos dois grupos.

No entanto, o nível de anticorpos da maioria das pessoas infectadas mostrou uma diminuição significativa de dois a três meses após a infecção.

Os níveis de anticorpos IgG em 93,3% do grupo assintomático e 96,8% do grupo sintomático começaram a diminuir precocemente no período de reabilitação, ou seja, oito semanas após a alta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório científico em 24 de abril no qual assegurou que "não há evidências" que possam provar que os anticorpos produzidos após a infecção pelo coronavírus possam proteger o organismo de uma segunda infecção.

No entanto, o professor de virologia Jin Dong-Yan, da Universidade de Hong Kong – que não participou do grupo de pesquisa, mas que analisou as conclusões –, disse que o estudo não nega a possibilidade de outras partes do sistema imunológico poderem oferecer proteção.

"A descoberta neste estudo não significa que o céu está desabando", disse Dong-Yan, enfatizando ainda que o número de pacientes estudados foi pequeno.

Taxa de infectados seria de 43% para imunidade de rebanho, diz estudo

Matemáticos da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, e da Universidade de Estocolmo, na Suécia, concluíram que 43% da população precisa ser infectada pelo novo coronavírus para atingir imunidade de rebanho. A pesquisa, publicada no último dia 23 na Science, se baseia em um modelo que categoriza as pessoas considerando sua idade e nível de atividade social.

A imunidade de rebanho ocorre quando um certo número de pessoas em uma comunidade se tornam imunes a uma infecção, reduzindo sua propagação. Isso acontece quando grande parte da população já teve a doença ou foi vacinada, diminuindo a cadeia de transmissão do patógeno.

A pesquisa adota uma nova abordagem matemática para estimar a taxa de imunidade de rebanho de uma população a uma doença infecciosa, como a atual pandemia de Covid-19. Este nível é definido como a fração da população que deve se tornar imune para que a propagação da doença diminua, permitindo que todas as medidas preventivas sejam abandonadas, como o distanciamento social.

Em estudos anteriores, outros cientistas concluíram que a imunidade de rebanho para o novo coronavírus só seria atingida quando 60% das pessoas fossem infectadas. Essa taxa, por sua vez, é baseada em pesquisas sobre outras doenças e consideram o nível de pessoas que devem ser vacinadas.

A nova pesquisa pondera, entretanto, que a mesma taxa não pode ser considerada em circunstâncias como a pandemia de Covid-19, pois ainda não existe uma vacina para a doença. "Ao adotar essa nova abordagem matemática para estimar o nível de imunidade de rebanho a ser atingido, descobrimos que ela pode ser reduzida para 43% e que essa redução se deve principalmente ao nível de atividade e não à estrutura etária [da população]", explicou Frank Ball, pesquisador da Universidade de Nottingham e coautor da pesquisa, comunicado.

Segundo Ball, quanto mais ativo socialmente alguém é, maior sua probabilidade de ser infectado e de infectar outras pessoas. Logo, a taxa da imunidade do rebanho é mais baixa quando a a disseminação da doença se dá naturalmente, e não pela vacinação. "Nossas descobertas têm consequências potenciais para a atual pandemia de Covid-19", explicou o especialista. "Ela sugere que a variação individual (por exemplo, no nível de atividade de cada um) é algo importante a ser incluído nos modelos que orientam as políticas públicas."

Febre, tosse, fadiga: estudo confirma sintomas mais comuns da Covid-19

Um estudo conduzido por universidades do Reino Unido e da Bélgica confirma os sintomas mais comuns da Covid-19: tosse persistante, febre, fadiga, perda do olfato e dificuldade para respirar. Publicado no Plos One no último dia 23, o artigo ratifica os sinais já listados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o começo da pandemia. "O estudo dá confiança ao fato de termos acertado na identificação dos principais sintomas e pode ajudar a determinar quem deve fazer o teste", afirma Ryckie Wade, cirurgião e pesquisador clínico da Universidade de Leeds, no Reino Unido, que supervisionou a pesquisa.

Para chegar à lista de sintomas, os pesquisadores revisaram 148 estudos e identificaram os mais comuns entre 24.410 pacientes de nove países: China, Singapura, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Itália, Reino Unido, Países Baixos e Estados Unidos.

No geral, 78% dos pacientes apresentaram febre, 57% tiveram tosse, 31% sofreram de fadiga, 25% perderam o olfato e 23% relataram dificuldade para respirar. Ao analisar os dados por país, os pesqusiadores encontraram diferentes porcentagens em cada região. Em Singapura, por exemplo, 72% apresentaram febre, enquanto apenas 32% dos coreanos disseram ter esse sintoma. Quando o assunto é tosse, os pacientes da Coreia do Sul também relataram menos: apenas 18%, sendo que nos Países Baixos a porcentagem de infectados com tosse chegou a 76%. Segundo os especialistas, essas variações se devem, em parte, à forma como os dados foram coletados em cada país.

Entre os pacientes que precisaram de tratamento hospitalar, 19% foram atendidos em uma unidade de terapia intensiva (UTI), 17% necessitaram ajuda não invasiva para respirar, 9% precisaram de ventilação invasiva e 2% usaram oxigenação por membrana extracorporal (um "pulmão artificial").

Os pesquisadores também reconhecem que uma grande porção dos infectados pelo novo coronavírus não apresentou sintoma algum.


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