Semana On

Domingo 25.out.2020

Ano IX - Nº 416

Coluna

Entidade de turismo LGBT rebate presidente da Embratur: Preconceituoso e irresponsável

Em live com a ministra Damares, Gilson Machado falou em ‘orifício rugoso’ para atacar LGBTs

Postado em 24 de Junho de 2020 - Semana On

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A Câmara de Comércio e Turismo LGBT,  associação que promove incentivo ao turismo deste segmento no Brasil, divulgou uma nota nesta quinta-feira 25 repudiando a fala do presidente da Embratur, Gilson Machado, que em uma live junto da ministra Damares Alves atacou a comunidade LGBT.

“Gilson Machado esquece que suas opiniões pessoais impactam de forma direta um dos setores que mais sofreu com a pandemia do COVID-19. O Turismo LGBT movimentou USD 218,7 bilhões em 2018, segundo dados da pesquisa LGBT Travel Market. Ao se posicionar de forma direta contra a comunidade LGBTI+, o presidente da Embratur faz grave ataque aos direitos universais, ao lado da Ministra dos Direitos Humanos que não se posicionou a respeito, e dificulta a entrada de USD 26,8 bilhões na economia brasileira (pesquisa OUT/WTM 2018)”, diz a nota.

Após dizer que o movimento LGBT quer impor sua sexualidade para a maioria dos cristãos brasileiros de forma abominável, Machado declarou que não tem “nada contra quem usa seu orifício rugoso ‘infralombar’ para fazer sexo”. A fala foi ouvida pela ministra Damares, que não se manifestou.

O presidente da Câmara de turismo LGBT, Ricardo Gomes, afirma que a fala de Machado causa regressão em todo o trabalho desenvolvido por entidades no Brasil, que tentam mostrar o país como um destino acolhedor.  “Apesar de não refletir o sentimento de toda a população brasileira, atinge a promoção do destino Brasil de forma direta por seu papel institucional”, completa Ricardo.

A entidade diz que continuará trabalhando para incentivar o turismo de LGBTs no Brasil. “Prova disso é que no dia 15 de julho faremos o primeiro evento de turismo LGBT online do Brasil, firmando nosso compromisso com o fomento da economia e da geração de empregos”, conclui a nota.

Leia na íntegra:

Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil repudia declarações do presidente da Embratur

A Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil repudia a fala preconceituosa e errônea do presidente da Embratur, Gilson Machado, em Live transmitida pelo Facebook ao lado da Ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

“Como presidente da agência que promove o turismo brasileiro, qualquer declaração de Gilson Machado terá impacto direto no setor. Além de mostrar desconhecimento sobre a comunidade LGBTI+, suas palavras atacam de forma direta a promoção do turismo LGBTI+ no Brasil e causa regressão em todo o trabalho desenvolvido por entidades como a Câmara LGBT em desenvolver nosso país como um destino acolhedor. Nossa entidade repudia qualquer fala preconceituosa e irresponsável, ainda mais quando parte de uma figura pública ligada ao turismo”, declara Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.

Usando suas convicções religiosas o presidente do órgão de promoção do turismo brasileiro ataca o que chama de uma tentativa de “impor a sua sexualidade perante a maioria de cristãos brasileiros” chamando-a de “abominável”. A fala de Gilson Machado ocorreu ao citar a peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, encenada em um festival com financiamento público, que ele chama de “canalhice com dinheiro público”.

No que o próprio chama de desabafo, Gilson Machado, após mostrar todo seu desconhecimento sobre o tema e preconceito com a comunidade LGBTI+, diz não ter “nada contra quem usa seu orifício rugoso infra lombar para fazer sexo”; novamente revelando seu preconceito ao simplesmente não citar a população LGBTI+  com a denominação correta.

Apesar de não citar de forma direta o turismo, como presidente da Embratur, Gilson Machado esquece que suas opiniões pessoais impactam de forma direta um dos setores que mais sofreu com a pandemia do COVID-19. O Turismo LGBT movimentou USD 218,7 bilhões em 2018, segundo dados da pesquisa LGBT Travel Market, promovido anualmente pela Consultoria Out Now/WTM. Ao se posicionar de forma direta contra a comunidade LGBTI+, o presidente da Embratur faz grave ataque aos direitos universais, ao lado da Ministra dos Direitos Humanos que não se posicionou a respeito, e dificulta a entrada de USD 26,8 bilhões na economia brasileira (pesquisa OUT/WTM 2018), colaborando com o desemprego, em um período que o turismo pode contribuir para a saída da crise causada pela pandemia, e minando as relações internacionais brasileiras com países que valorizam a democracia e o fim do preconceito.

“Em um momento em que o turismo começa a pensar na retomada do setor, responsável pela geração de milhões de empregos, e que o turista LGBTI+ se destaca como um dos que será mais importante nesse momento, é desastrosa a fala do presidente da Embratur. Apesar de não refletir o sentimento de toda a população brasileira, atinge a promoção do destino Brasil de forma direta por seu papel institucional”, completa Ricardo.

O Ministério do Turismo e a Embratur abandonaram o turismo LGBTI+ retirando-o do plano nacional do turismo e não reeditando a cartilha “Dicas para atender bem o turista LGBT”. Além disso, não cumpre o acordo de cooperação assinado entre a Câmara LGBT, Mtur e Embratur, com validade até junho de 2023, que visa a promoção do turismo LGBT dentro e fora do país.

Dados comprovam que o turista LGBTI+ será um dos primeiros a retomar as viagens tão logo sejam estabelecidos protocolos de segurança global. Segundo pesquisa da IGLTA (Associação Internacional de Turismo LGBTI+) 66% dos viajantes LGBTI+ pretendem viajar tão logo seja possível.

“Nossa pesquisa comprovou que o turista LGBTI+ sairá na frente na retomada. Essa fala do presidente da Embratur sinaliza que nosso país irá perder espaço frente a outros destinos que já entenderam a importância do segmento LGBTI+, especialmente nesse momento em que vivemos”, analisou Clovis Casemiro, representante da IGLTA no Brasil.

Apesar das declarações desastrosas e posicionamentos questionáveis e condenáveis do governo federal, a Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil vai continuar com seu trabalho de promoção do País como um destino diverso, o que já está no DNA da nação brasileira. Continuaremos defendendo e promovendo o empreendedorismo e empregabilidade da e para a comunidade LGBTI+. Prova disso é que no dia 15 de julho faremos o primeiro evento de turismo LGBT online do Brasil, firmando nosso compromisso com o fomento da economia e da geração de empregos.


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