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Quinta-Feira 29.out.2020

Ano IX - Nº 416

Poder

Brasil tem a pior resposta à pandemia entre 53 países

Bolsonaro não assina acordo de 132 países contra propagação de fake news durante a pandemia

Postado em 19 de Junho de 2020 - Carta Capital, Sul21 - Edição Redação Semana On

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O Brasil amarga a última posição em uma pesquisa que mediu, em 53 países, como a população avalia a reação dos governos à pandemia do novo coronavírus.

O resultado faz parte do Índice de Percepção da Democracia – 2020, realizado pela empresa alemã Dalia Research em parceria com a Fundação Aliança para as Democracias que foi divulgado nesta semana.

Para apenas 34% dos entrevistados, é boa a resposta apresentada pelo país, que contabiliza até esta quarta-feira 17 mais de 45 mil mortos. A média global de satisfação ficou em 70%.

O resultado vem após o presidente Jair Bolsonaro ter minimizado a pandemia e o país ter perdido dois ministros da Saúde – Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

O Brasil, segundo a pesquisa, também apareceu mal quando a pergunta foi sobre a percepção das pessoas a respeito de quem geralmente tem os interesses atendidos pelo governo. Para 71%, o governo atende pequenos grupos, e não a maioria das pessoas.

Os brasileiros também apareceram como um dos piores déficits de percepção da democracia interna. Enquanto 83% consideram a democracia importante, apenas 51% consideram o país democrático.

Sem acordo

O governo de Jair Bolsonaro escolheu ficar de fora da iniciativa de países de todo o mundo para lutar contra a propagação de fake news em meio à pandemia do coronavírus. Ao todo, 132 países assinaram o documento.

Diversos aliados de Bolsonaro se comprometeram com a causa, como Israel, Estados Unidos, índia, Hungria e Japão. Na América do Sul, fazem parte do projeto o Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Suriname, Bolívia, Peru e Argentina, além da Venezuela e Equador. Apenas o Brasil ficou de fora na região.

“Desde o surto do vírus COVID-19 e a declaração da pandemia, o secretário-geral da ONU e outros líderes da ONU e suas instituições têm chamado cada vez mais a atenção para o desafio da ‘infodemia’ ou da desinformação pandêmica”, diz o texto.

“À medida que a COVID-19 se espalha, um tsunami de desinformação, ódio, bode expiatório e assustador foi desencadeado”, alerta em outro trecho. Ao assinarem o documento, os governos comprometem em garantir que pessoas “sejam informadas com precisão a partir de fontes confiáveis e não sejam enganadas pela desinformação sobre a Covid-19”.

Na semana passada, o governo Bolsonaro foi amplamente criticado, especialmente pela imprensa, por mudanças que havia realizado no boletim sobre o coronavírus.

A atualização, divulgada diariamente pelo Ministério da Saúde, escondia dados importantes sobre a doença, como número geral de casos confirmados e óbitos. Com as críticas, inclusive da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pasta voltou a divulgar os dados integrais da epidemia no país.

Denúncia

O embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, publicou, no último dia 16, uma carta direcionada ao secretário-geral da entidade, o português António Guterres, no qual condenou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro por “negligência criminosa” no combate ao coronavírus. Segundo ele, o Brasil “se tornou o pior inimigo dos esforços para sairmos vitoriosos da pandemia na América Latina.”

Logo no início de sua mensagem, o diplomata cita a “atuação irresponsável do senhor Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, país onde se encontra hoje o maior foco da doença em nosso continente.” A carta alerta especialmente para os riscos de contaminação de venezuelanos na fronteira.

“Quando milhares de migrantes venezuelanos, fugindo da discriminação, da xenofobia e de outras formas similares de intolerância de que têm sido vítimas no país vizinho, voltam voluntariamente à Venezuela, isso pode ser determinante para a propagação do vírus em nosso território, apesar dos protocolos que temos implementado nas diferentes fronteiras”, argumentou.

Moncada destaca ainda que os dois estados fronteiriços (Amazonas e Roraima) acumulam mais de 62.000 casos de Covid-19, enquanto toda a Venezuela possui 3.662 casos, segundo os dados do governo de Nicolás Maduro.

O embaixador venezuelano citou declarações controversas de Bolsonaro, como a ameaça de tirar o país da Organização Mundial de Saúde (OMS), e listou entre as ações do governo brasileiro a “negação da severidade da pandemia”, a “carência de uma política pública coerente para a contenção” do vírus, e “ameaças ao multilateralismo.”

“É doloroso ver como hoje (o Brasil) está desperdiçando a oportunidade de liderar a luta para salvar milhões de vidas e, pelo contrário, está se transformando em um gigante agente de retrocesso e destruição. Desta maneira, o Brasil hoje é uma verdadeira bomba humanitária que coloca em perigo a saúde, o bem-estar e a vida dos nossos povos”, completou.

Segundo dados coletados pela Universidade Johns Hopkins, o Brasil é atualmente o segundo país com mais casos confirmados (cerca de 923.000) e mortes (45.000), atrás apenas dos Estados Unidos. Já a Venezuela tem pouco mais de 3.000 infecções e 26 óbitos.


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