Semana On

Quarta-Feira 08.jul.2020

Ano VIII - Nº 400

Campo Grande

Prefeitura de Campo Grande autoriza academias a atender com 60% da capacidade

Infectologistas condenam a medida e apontam para aumento no risco de contaminação pela covid-19

Postado em 16 de Junho de 2020 - Redação Semana On

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A Prefeitura de Campo Grande autorizou as academias e profissionais de Educação Física, a dobrar o limite de lotação da capacidade de seus recintos, de 30% para 60% a partir da próxima segunda-feira (22).

Mesmo com a alteração, continuam valendo as regras do Decreto n. 14.256, de 17 de abril de 2020, onde estabelecem que os exercícios sejam realizados na maior distância possível entre os alunos.  Os professores terão de orientá-los a manter distância mínima de 5 metros entre os praticantes, com uma área de 20m² para cada um, no caso de atividade de corrida, os praticantes devem manter uma distância mínima de 10 metros.

Pelo decreto, continuam valendo as recomendações relacionadas a higienização da academia e aparelhos, como uso de máscaras e luvas por parte dos professores, aferição da temperatura corporal do praticante e revisão do modelo dos bebedouros. Os locais terão de ficar arejados e com boa ventilação. Os atendimentos devem ser agendados de forma a evitar a aglomeração. Antes e no final do treino é obrigatório, disponibilizar álcool em gel 70% e toalha descartável, para as higienizações.

Apesar das orientações, a medida coloca em risco a saúde dos campo-grandenses.

Para o infectologista do Hospital Brasília, André Bon, o retorno às academias deve ser feito com muito cuidado. "É um ambiente ruim (para a proteção contra a covid-19), especialmente porque é fechado e existe um intenso contato das mãos com locais em que outras pessoas tocam. É um dos piores locais para se estar nesse momento", explica o médico. "Existe sempre a alternativa de fazer exercício em casa, ou em ambientes aberto. Acho que, nesse momento, existem alternativas mais seguras do que frequentar uma academia."

Para Valéria Paes, infectologista membro da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal (SIDF), é melhor tentar evitar as academias e, caso isso ocorra, lembrar da proteção básica, como máscaras, limpeza dos aparelhos e higienização das mãos. Valéria pontua também que as luvas, usadas por algumas pessoas como forma de proteção, não são tão eficazes como parecem. "A higienização frequente das mãos é mais eficaz, as pessoas têm de ter o cuidado de não tocar no rosto e usar luvas sem fazer a higienização pode ser até mais perigoso."

A infectologista também explica que o papel da gerência da academia na luta contra a propagação da covid-19 deve ser feito com muita responsabilidade. "Disponibilizar insumos para limpeza de forma abundante, aumentar a frequência de limpeza e manter os funcionários com máscaras. E outro detalhe: usar ventilação natural em vez do ar-condicionado."

Nesse contexto, ao liberar as academias, a Prefeitura está literalmente levando a população a voltar para um ambiente com alta probabilidade de contaminação. Academias são espaços que envolvem aglomeração, secreções respiratórias e das mais diversas, dispersão de aerossóis pelas atividades aeróbicas intensas… Tudo isso em salas com pouca ou nenhuma ventilação, que se tornam impossíveis de controlar. Definitivamente, no momento atual, isso não vale o esforço. Melhor ficar (e se exercitar) em casa.

Campo Grande tem 718 unidades de Academias e Estúdios e soma 4.955 profissionais de educação física registrados no Conselho Regional de Educação Física de MS. Com o retorno das academias os agentes do município que estão na fiscalização do comércio também atuarão nestes estabelecimentos, e caso as medidas sejam desrespeitadas, a pessoa ou empresa poderá responder criminalmente por desobedecer às medidas sanitárias. A conferir.


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