Semana On

Terça-Feira 07.jul.2020

Ano VIII - Nº 400

Coluna

Kintsugi: O poder de dar a volta por cima

Uma tradição japonesa que valoriza as adversidades da vida e nos auxilia a atribuir valor sobre nossas cicatrizes.

Postado em 09 de Junho de 2020 - Rafael Naruto

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Em grande parte de minha criação eu recebi orientações e estudos de acordo com os costumes japoneses, algo que muito me orgulho e valorizo, apesar da rigidez e exigências em alguns momentos. Porém, como a perfeição é um caminho que exige refinamento e dedicação, erros são fundamentais, e para superar nossas tristezas e frustrações, existe o princípio do Kintsugi.

Muitas vezes quando um vaso de cerâmica sofre algum tipo de queda ou avaria, os mais tradicionais da cultura japonesa evitam jogar o objeto fora e começam a colar os cacos atribuindo ouro para juntar os pedaços. O princípio visa gerar valor e exclusividade, pois o vaso agora é um objeto único e de valor superior ao original.

Colar os pedaços com ouro agrega valor e exclusividade ao objeto.

Ou seja, Kintsugi é um princípio que nos auxilia a colar nossas dores, fracassos e tristezas, atribuindo um valor maior no processo de restauração. Todo o sucesso ocorre por meio de nossas falhas e a superação de dificuldades, tirar todo o aproveitamento do processo garante mais resiliência para não sucumbir e ainda a resistir a todas as futuras adversidades.

Diferentes de outras culturas que muitas vezes nos forçam a esquecer os problemas e ir em frente, o Kintsugi nos permite vivenciar as falhas, identificar que elas fazem parte do processo de aprendizado e assim buscar harmonizar os pensamentos e sentimentos para então dar a volta por cima.

Valorizar o processo de restauração nos permite apreciar e aprender com nossas dores.

No decorrer da leitura de Edgar Ueda acompanhamos a sua jornada de superação e resiliência, até o seu sucesso. Algo não muito agradável por conta de sua história pessoal, mas que nos auxilia a compreender bem o processo do Kintsugi. Eu, na infância já havia estudado sobre o assunto, mas apenas de modo superficial. Até a leitura do livro não havia experenciado toda a dimensão do que o processo de juntar os cacos realmente significava.

https://edgarueda.com.br/

Para mais informações sobre Edgar Ueda, acesse o site acima.

Talvez, um dos maiores aprendizados seja a aceitação da falha, como um processo de desenvolvimento. Eu estava acomodado para algumas situações e buscava apenas apagar passagens do meu passado, porém, depois de semanas juntando os cacos, manifestações gigantescas começaram a ocorrer e se você, assim como eu, espera gerar mais valor perante as suas dificuldades, então, experimente o Kintsugi e se surpreenda. Um grande abraço a todos e até a semana que vem.


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