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Domingo 09.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Coluna

Muitos serviços privados de saúde, hoje, são necroativistas

A ganância das elites empresariais brasileiras, infelizmente, está também na alma da maioria dos donos dos serviços privados de saúde

Postado em 09 de Junho de 2020 - Emerson Merhy

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Impressionante viver a experiência de, nesse momento, ir a um serviço privado de saúde para fazer, por exemplo, um exame laboratorial ou de imagens, como raio-x, ultrasonografia. Acaba sendo chocante o que passamos. O mesmo ocorre quando precisamos, também, dos hospitais ou consultórios particulares.

Parece que os profissionais de saúde desses serviços, em especial seus donos, não estão entendendo ou não se importam com o que estamos vivendo nessa pandemia da COVID-19.

Você liga para agendar uma consulta ou um exame e conversa com a pessoa que te atendeu, perguntando quais as medidas temos que tomar para nos protegermos da contaminação pelo coronavírus ou não contaminar os outros, e se surpreende com a resposta de que não há medida específica no serviço: é só chegar e esperar ser atendido segundo ordem de chegada. Ou, marca-se um horário para você chegar, mas não há orientação nenhuma para sua proteção e a dos demais. Então, você que está precisando fazer esses exames ou consultas, vai e acaba passando muitos incômodos. Há até técnicos que te atendem sem máscaras.

Essa experiência vivida em muitos laboratórios de exames é muito chocante, pois tudo passa como se não houvesse ou não fosse necessário tomar qualquer medida mais efetiva. Chegam pessoas com máscaras, gente sem máscara, gente com problemas evidentes, gente que parece não ter nada e tudo cai no mesmo bolo. Você que se vire para manter, ainda que um pouco, as medidas que podem minimizar as possibilidades de ser contaminado por alguém que não conhece nada.

Converso com a atendente e pergunto, por que isso? E recebo como resposta ouço que não podem impedir que as pessoas busquem os serviços.

É chocante vivenciar um serviço de saúde que em nome do comércio e não da vida faz qualquer coisa para ganhar dinheiro.

Ao contrário, se formos para um serviço do SUS, dificilmente vivenciaremos uma experiência tão negativa e descuidada.

O que recolho disso é que podemos, sim, construir relações nos serviços de saúde que não sejam tão necroativistas como a desses serviços de saúde que só querem fazer negócios, que não conseguem, na sua maioria, combinar a missão de defender a vida - oferecendo um cuidado de qualidade para isso - e suas atividades mercadológicas.

A ganância das elites empresariais brasileiras, infelizmente, está também na alma da maioria dos donos dos serviços privados de saúde.

Péssimo exemplo para a construção de um país que deveria apostar na vida e não na morte, em especial em um setor, a saúde, cuja finalidade é exatamente defender a vida de qualquer um.


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