Semana On

Quinta-Feira 24.set.2020

Ano IX - Nº 411

Coluna

Nossa catástrofe

Idelber Avelar fala de militares, Bolsonaro, literatura e otras cositas más

Postado em 09 de Junho de 2020 - Idelber Avelar

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Sempre mantive a convicção de que a situação brasileira seria um pouco menos catastrófica se tivéssemos nos acostumado, desde cedo, a chamar as coisas pelos seus nomes. Chamar a mentira de mentira e não chamar de "polêmica" ou "discussão" aquilo que não é nenhuma das duas coisas, como o faz uma manchete da Folha, que recorto sem o nome do jornalista, porque sei que não foi ele quem fez a manchete (a matéria é problemática, mas não é catastrófica como a manchete).

Não nos eximamos de cara, não, é possível que todos tenhamos algo de culpa nesse cartório: certa esquerda que, sob influência de um pós-modernismo mal digerido, começou a falar e agir como se a diferença entre factual e não factual fosse desimportante; a imprensa que, às vezes até buscando a pluralidade de perspectivas normal no bom jornalismo, apresenta como "polêmicas" coisas que não o são; e, claro, como culminação anabolizada de todo um caldo, a máquina de distorções da extrema-direita bolsonarista.

É evidente que não há "discussão" sobre o Artigo 142 da CF-88, não nesse sentido da "intervenção militar constitucional" que o fascismo quer inventar para suprimir a própria Constituição. Milhares de juristas e 32 anos de jurisprudência, de um lado e, do outro, o Sr. Ives Gandra -- também conhecido como "Perito Molina do Direito" -- não configuram uma "discussão", assim como não há "discussão" entre os gatos pingados negacionistas e os 99% dos climatólogos que reconhecem a raiz antropogênica do aquecimento global.

Qual é o próximo passo? Um caderno especial sobre a "discussão" entre evolução e criacionismo?

O pesadelo brasileiro não tem fim, é uma bad trip sem hora para terminar.

PESQUISA

Pesquisa Poder360, em celulares e em fixos. Margem de erro da pesquisa é de dois pontos, seu nível de confiança é 95%.

Aprovação ao governo: 41%
Desaprovação ao governo: 50%.

Ruim/ péssimo: 47%.
Regular: 20%
Ótimo/ Bom: 28%
Não sabe/ não respondeu: 5%

Há alguma coisa se mexendo, mas tem que se mexer muito mais ainda para que seja factível derrubá-lo. No Brasil, não se derruba um governo com 28% de ótimo/ bom e 20% de regular. Tem que ceifar esses números aí pela metade.

Enfim, minha avaliação é essa. Para nós, do campo anti-Jair, melhorou um pouquinho. Pero no mucho.

TEAM FRIDA KAHLO

PIOR SER HUMANO

Jair agora está insuflando filmagem e acosso a profissionais da saúde em hospitais. É o pior, mais ignóbil ser humano que já vi.

ELEIÇÃO NOS EUA

Sobre as chances de derrotar Donald Trump em novembro: elas existem, mas o candidato que temos, Joe Biden, é uma múmia empalada, presa em um porão, incapaz de ligar o Zoom, sem a menor noção do que é o mundo virtual (ao contrário de Bernie Sanders, que é velhinho também mas manja tudo) e que, além do mais, é uma fábrica de gafes.

****
Hoje, um desses conformistas que justificam tudo o que os políticos lhes enfiam goela abaixo me disse: "ah, não havia outro nome"; "ah, não tínhamos alternativa"; "ah, eu duvido que você encontre dois ou três nomes alternativos que sejam melhores", que foi o momento em que lhe interrompi:

-- Três?!?! Eu lhe nomeio TRINTA. Vamos limitar por etnia e seguimos apenas com candidatos negros e negras. Abro exceção para dois brancos. Crave aí três minutos e eu lhe nomeio trinta.

E assim se fez.

*****

Eis aqui, então, ladies and gentlemen, 30 nomes que seriam melhores que Joe Biden para bater Trump. São 30 pessoas em quem eu preferiria votar do que em Biden, que teriam mais chances contra Trump do que Biden, e que seriam melhores e mais democráticos presidentes do que Biden. A ordem é apenas aquela em que fui me lembrando dos nomes:

1. Bernie Sanders.

2. Cornel West

3. Elizabeth Warren

4. Stacey Abrams.

5. Oprah.

6. Charles Barkley

7. Kareem Abdul-Jabbar

8. Chris Rock.

9. Michelle Obama.

10. Lori Lightfoot.

11. Quincy Jones.

12. LeBron James.

13. London Breed.

14. Kamala Harris.

15. Kendrick Lamar.

16. Carmelo Anthony.

17. Stephen Curry.

18. Andrew Gillum

19. Beyoncé Giselle Knowles-Carter.

20. Ayanna Pressley

21. Malcolm Jenkins.

22. Gabrielle Union.

23. Spike Lee.

24. Cheo Hodari Coker.

25. Keisha Lance Bottoms.

26. Michael Bennett (NFL).

27. Michael Jordan.

28. Chloe Arnold.

29. Kid Fury.

30. Torie Bowie.

*****

Em qualquer um desses 30 eu votaria feliz da vida contra Joe Biden.

MAU SINAL

Lula vence 2002 com escolarizados e 2006 com descamisados. Em 18, Jair teve mais apoio entre a elite. Em 20, já mudou. Mau sinal.

PAPO

Vou ficar devendo, por mais algum tempo, as lives prometidas.

Mas deixo um material novo que, modéstia às favas, acho que ficou bom, também por mérito das perguntas tão bem preparadas pelo entrevistador, o Prof. Carlos Vinícius Ribeiro, e a edição super craque da jornalista Graziane Madureira.

É sobre direito e literatura. Julgamentos, execuções legais, depoimentos, acusações, lei, tribunais: o papel disso na literatura e o papel da literatura nisso.

No menu: Camus, Rosa, Saer, García Márquez, Dostoiévski, Cervantes, Machado de Assis, Yrigoyen, Martín Kohan, Sor Juana Inés de la Cruz, Rubem Fonseca, James Joyce, Graciliano, Walter Benjamin e Jacques Derrida. Uma salada russa, mas no contexto do papo eu acho que fez sentido.

Espero que curtam aí.


Voltar


Comente sobre essa publicação...