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Domingo 06.dez.2020

Ano IX - Nº 422

Coluna

Um em cada três homens gays se sente inseguro em casa durante o isolamento

Realizada pelo Hornet, pesquisa diz que homens gays e bissexuais brasileiros estão mais ansiosos na quarentena

Postado em 27 de Maio de 2020 - Reuters

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Quase um terço dos homens gays e bissexuais relatam se sentir vulneráveis ​​no ambiente doméstico durante a pandemia do novo coronavírus, com os brasileiros particularmente preocupados, destacando os impactos mais amplos do isolamento social na saúde mental desta parcela da população.

Dados são de uma uma pesquisa global realizada pelo Hornet, aplicativo de relacionamento LGBT, encomendada pela Thomson Reuters Foundation, destacando seus impactos mais amplos na saúde mental.

De acordo com a pesquisa, 30% dos quase 3.500 entrevistados, incluindo homens trans, disseram que se sentem física ou emocionalmente inseguros em suas próprias casas.

“Pense em como é ter 21 anos e viver com uma família que não apoia sua escolha e constantemente diz que você deve se casar com uma mulher”, afirma Alex Garner, estrategista sênior de inovação em saúde do Hornet. “Temos que nos desafiar a pensar em como apoiar as pessoas em ambientes onde elas se sentem inseguras”.

Restrições devido à proliferação da covid-19 impôs a bilhões de pessoas - gays e heterossexuais - regras rígidas de isolamento social, levando a um aumento de violência doméstica, com pressão particular sobre as mulheres e, também, pessoas LGBT em famílias conservadoras que não as aceitam.

Garner disse estar esperançoso de que a comunidade se mobilize, como fizeram durante a epidemia de HIV/Aids das décadas de 1980 e 1990.
“Homens gays e bissexuais têm as habilidades necessárias para superar isso, mas precisamos priorizar a saúde mental de toda a comunidade”, acrescentou.

O Hornet enviou o questionário para seus 30 milhões de usuários em todo o mundo, com 18% das respostas provenientes do Brasil, outros 10% da França e da Rússia, respectivamente, e 9% da Turquia. Muitos disseram que o isolamento afetou sua saúde mental, com 72% experimentando ansiedade desde o início da pandemia e 24% se sentindo muito solitário.

Mais sobre Lgbts e coronavírus

Will Nutland, co-fundador da PrEPster, uma organização britânica de saúde sexual LGBT, disse que a verdadeira escala de problemas de saúde mental só seria revelada depois que as restrições fossem implementadas.

“Se achamos que temos problemas de saúde mental agora, espere até o isolamento”, disse ele. ”(Veremos) transtornos de estresse pós-traumáticos, não apenas da comunidade LGBT, mas da sociedade como um todo. Paradoxalmente, as consequências disso serão enormes.”

Em abril, a ONU (Organização das Nações Unidas) pediu a todos os países que protejam as pessoas LGBTI contra a discriminação, em especial, ao procurar assistência médica durante a pandemia. Esta parcela da população pode hesitar em procurar serviços médicos e ser especialmente vulnerável.

“As pessoas LGBTI+ estão entre as mais vulneráveis e marginalizadas em muitas sociedades e entre as que estão mais em risco com o covid-19”, escreveu a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em comunicado.

Com os sistemas de saúde pressionados pelo coronavírus, “as decisões sobre a redução de serviços devem ser baseadas na ciência e em dados e não devem refletir preconceitos contra as pessoas LGBTI”, ressaltou a organização.


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